**Capítulo 46**

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O caminho todo, a Jade nem se quer olhou na minha cara, e muito menos falou alguma coisa direcionada a mim. Só ficou quieta, prestando a atenção na estrada.

Não tava entendendo porque ela tava desse jeito não, ala. Nós só ficou, e já era. Não sei se ela tá com raiva, medo, ou vergonha, sei de nada em relação a essa mulher não, pô. Mó difícil de entender, e na moral? Da até preguiça.

Sinistro: Qual foi? - não aguentei, e acabei perguntando, mas ela me ignorou legal. - Ala, tô falando contigo porra.

Jade: Que foi, Sinistro? - bufou, me olhando de relance, logo voltando a atenção para a estrada.

Sinistro: Tá toda estranha aí, o que tá rolando, pô?

Jade: Não é nada! Eu tô de boa! - ela suspirou alto.

Sinistro: Tu tinha sumido, tava nem indo mais lá na favela. Minha mãe encheu meu saco por conta de você. - fiz careta, e ela deu um sorrisinho de lado, quase que não deu pra ver.

Jade: Eu tinha várias paradas pra resolver por aí, não deu pra ir lá, e se eu fosse iria só por conta da tua mãe mesmo.

Sinistro: Ala, já entendi que tu não quer ficar perto, euem. - bufei cruzando a braços. - Mas tu não esquece que tu me atende três vezes na semana.

Jade: Eu sei caralho, agora da pra vcs calar a porra da boca?

Na moral, tive vontade de mandar ela tomar no cu serinho ali, mas fiquei quieto e na minha.

Se ela tá puta, irritada com algum bagulho, não tem que vir descontar em mim não, porque quando é ao contrário, ela vem igual a uma otária botando moral.

O resto do caminho até o presídio foi no silêncio mesmo. Nem queria olhar na cara dessa porra não, fiquei de boa na minha ali no canto.

Quando chegamos lá, os caras já vieram me algemando, e a minha felicidade sem as algemas tinha acabado ali mesmo.

Fomos indo direto para a sala daquela diretor, e assim que entramos ele estava ali sentado no cadeira fumando, com dois seguranças do lado.

Juliano: Olá, Sinistro, bem vindo de volta. - ele sorriu, e eu só tive vontade de bater a cabeça dele ali na mesa. Gosto desse maluco não! - Como foi lá, Jade?

Olhei pra ela, com a sombracelha arqueada, e ela engoliu em seco.

Jade: Tudo tranquilo! O detento não deu nenhum problema, ou tentou algo para fugir. - sorriu, e de longe percebi que aquele sorriso era falso. - Fiquei alguns dias sem acompanhar ele por lá, pois eu tinha alguns problemas para resolver, mas os policiais não saíram da frente da favela.

Ele balançou a cabeça concordando, e mandou os caras me levarem de volta para a cela. Antes de sair da sala, eu olhei pra cara da Jade, negando com a cabeça, mas ela nem se quer me olhou de volta, sempre olhando para o chão.

Os caras foram me levando, e quando parou na frente da cela, eu já ouvi o grito do Magrão.

Na moral, não queria admitir, mas lá na favela tava sentindo uma falta do caralho as palhaçadas do Magrão.

Assim que me jogaram dentro da cela, depois de tirarem minhas algemas, só senti o Magrão praticamente pulando em cima de mim.

Magrão: Aí, mó saudade de tu, putão, na boa mesmo. - me apertou, e eu fiz careta pra ele.

Sinistro: É, tava até sentindo uma falta de tu também. - admiti, e ele me olhou na hora com os olhos arregalados.

Magrão: Ih, esse não é o Sinistro não, roubaram o antigo e deixaram outro aqui, ala, maior sacanagem mesmo.

Sinistro: Tomar no teu cu, maluco. - dei um tapa na nuca dele, que deu risada.

Magrão: Mas e aí, como foi lá?

Comecei a falar as paradas pra ele, lógico que omitindo aquela noite com a Jade.

Menor só ficou rindo da minha cara quando eu falava das paradas que Rafaelly metia pra cima de mim. Ala, maior cuzão do caralho mesmo.

Magrão: Pensei que tu nem ia voltar, que ia meter fulga e ficar por lá com a tua família.

Sinistro: Eu até pensei nisso, tá ligado? Mas também pensei na minha mãe, e ela não iria querer isso não.

Magrão: Tá certinho! Mas já, já tu tá aí solto na pista, com a liberdade cantando, junto com a tua família na maior paz, cê é louco...

Diário de um DetentoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora