**Capítulo 77**

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• Rafaelly •

Neguinho passou na casa do Fábio, e o mesmo entrou já me olhando toda toda por conta do Neguinho estar levando a gente.

Fábio: E aí, rei delas...- já começou, e eu segurei a risada.

Wellington olhou pra cara do Fábio na hora, fazendo uma careta, mas não disse nada. Deu partida outra e foi saindo dali da favela.

Eu, o Fábio e mais algumas amigas nossas iríamos passar a tarde em um shopping lá na zona sul. Estávamos planejando esse encontro faz tempo, mas como as meninas moram meio longe dali da favela, era sempre difícil da gente se ver constantemente.

E depois do que rolou ontem, o que eu mais precisava, era relaxar!

Me meti em uma briga horrorosa, e quase perdi meu cabelo, por conta de uma garota sem noção, chamada Lídia.

Essa menina é uma escrota, otária. Me desculpe feminismo, mas essa garota é uma vagabunda.

Me irritou, debochou de mim, me xingou, e eu lá me segurando, mas quando ela abriu a boca pra falar da minha mãe...olha, eu não me aguentei!

Parti pra cima dela mesmo, dei uma surra que ela nunca vai esquecer na vida, e o que a piranha fez?

Chamou o primo dela que é bandidinho da CDL pra resolver seu caô, querendo me cobrar. Ala, nunca vi isso não, pô.

Menina arranja caô, e não sustenta sozinha! Cuzona do caralho!

Mas, sai bem plena da situação toda, já que meu irmão deu a ordem de não encostarem em mim, se não, o bagulho ia ficar outro.

Recebi várias ameaças do NK, mas nem dei bola. Aquele cara se acha o pá, mas não é porra nenhuma dentro do comando. Euem.

Fui o caminho todo falando para o Neguinho aonde que era pra ele ir, e ele só ficava calado.

Rafaelly: Mas e aí, meu irmão tá bem?

Neguinho: Tá de boa, pô. Tranquilinho mesmo.

Rafaelly: Hm, e a Jade em? Nunca mais tive notícias dela, aff. - fiz bico, cruzando os braços, e ele engoliu em seco. Ai tem coisa!

Neguinho: Não sei, pô. Ela sumiu, largou o posto de psicológa lá do presídio, e sumiu.

Nem respondi, até porque não tinha o que falar, né. Sabia que Neguinho estava escondendo bagulho sério de mim e da minha mãe, mas não queria falar, e eu também não insistia não. Euem.

Fábio: Aí Neguinho, tá solteiro, pô? - se apoiou atrás do meu banco, olhando para o Neguinho.

Neguinho: Tô, mas nem vem em...nada contra, mas não gosto de homem nesse sentido não!

Fábio: Infelizmente, né?! Aff. Mas ó, Rafinha tá aí...

Olhei pra trás de olhos arregalados, e o Fábio deu risada. Quis matar esse menino ali mesmo!

Neguinho: Ih ala, sai fora! Tenho ela como irmã, e outra, ela é muito nova pra mim, tenho idade pra ser pai dela.

Fábio: Mas, olha só que legal...você não é o pai dela! - continuou, e eu besliquei o braço dele com força, fazendo ele dar um gritinho. - Aí bicha, beslica o olho do teu cu, pô.

Rafaelly: Fábio, cala a boca...- murmurei pra ele, querendo enfiar minha cabeça em um buraco. - Neguinho, liga pra essa bicha mal amada não em, malucona mesmo!

Neguinho deu risada, balançando a cabeça, e continuou dirigindo calado. Assim que ele parou em frente ao shopping que eu tinha passado pra ele, desci do carro junto com o Fábio, arrumando minha saia.

Rafaelly: Aí Neguinho, valeu mesmo em. Nunca te critiquei! - deu um sorriso falso, e ele revirou os olhos. - Fé pra tu, em.

Neguinho: Fé.

Fechei a porta, e ele já saiu dali indo a milhão. Olhei para o Fábio, e na hora deu maior tapão no braço dele.

Rafaelly: Tu não tem vergonha na cara não né, Fábio? - cruzei os braços. - Caralho, olha os bagulhos que tu fala, menor.

Fábio: Querida, só estava dando algumas hipóteses de vocês dois...

Rafaelly: Não existe nós dois entre eu e ele não. Credo, Fábio, eu e o Neguinho? Nunca pô.

Fábio: Ih, tô até vendo um dia você pagando com a língua...enquanto paga um boquetão pra ele. - deu risada, e eu revirei os olhos.

Fábio era um sem noção nessa parada de achar que eu e o Wellington combina. Euem, credo!

Tenho maldade com o Neguinho não, pô. E sei que ele também não tem comigo, então...nada haver!

Diário de um DetentoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora