**Capítulo 49**

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São Paulo, dia 29 de março de 2016.
14 horas.

'A vida bandida é sem futuro
Sua cara fica branca desse lado do muro'

Acendi o cigarro, me encostando naquele muro branco enorme, aproveitando a sombra que tinha ali.

Estava no banho de sol, tranquilo mesmo, e hoje estava um sol do caralho, mas até essa madrugada caiu uma chuva forte pra porra mesmo.

Fumava meu cigarro de boa ali, enquanto olhava o Magrão trocar ideia com alguns caras ali sobre a partida de futebol que iria ter no sábado.

Iria jogar os caras do primeiro pavilhão, os "famosos". Vários advogados presos por estupro, seguranças por homicídios, ex- policiais por tráfico de drogas, e diversos outros casos que repercutiram pra caralho lá fora.

Os "famosos" que são presos por estupro são intocáveis. Nem os caras de patente alta podem se quer tentar matar eles, se não, acontecem o pior com eles, mesmo sendo forte lá fora.

É foda isso pô, porque querendo ou não, sendo "famoso" ou não, estupro é um bagulho serião, e todos aqui dentro deveriam pagar com a porra da vida.

Mas aqui tem seus previlegiados, e o resto que se foda!

Magrão: Aí Sinistro, lá para o final de setembro e começo de outubro vai ter um campeonato de futebol aqui. Sei que falta tempo ainda, mas os caras já estão organizando pra não dar bagunça. - começou a falar assim que parou ao meu lado. - Tu vai querer participar?

Sinistro: Sei não, pô. Nessas paradas só dá confusão. Os cara falam e falam que não vai ter bagunça, mas na primeira oportunidade já estão arrumando maior caô, não só para eles, mas pra todo o resto.

Magrão: Tô ligado, mas eu vou participar. Se tu quiser entrar, me da um toque, que eu desenrolo com os caras maneirin.

Ele disse e por fim saiu dali voltando para a rodinha dos caras ali.

Não gostava muito de participar dessas paradas não, porque como eu já disse, os caras sempre arrumam confusão um com os outros, e quem se fode é todo mundo!

Terminei de fumar meu cigarro sozinho ali mesmo, enquanto pensava em altas paradas.

Tava caçando o GG com o olhar, e quando achei ele, o cuzão tava trocando uma idéia com o irmão mais novo do Paulão – um dos patente alta do PCC, enquanto olhava pra minha cara, os dois.

Já fiquei meio assim, e senti logo a merda começando a feder legal pro meu lado. Mas na moral, tava nem com medo, até porque tinha os caras fortes aqui da CDL que eu sei que me ajudariam em qualquer caô, só eu dando um toque para o Tulião.

Então, eu tava suave, de boa mesmo.

Mas que eu ainda faço esse cara pagar, por tudo o que já tentou fazer comigo, ah, eu faço sim!

Nem que pra isso eu tenha que meter gente maior nesse rolo todo. Ainda vou cobrar ele legal, aqui dentro, ou lá fora mesmo.

Magrão: Pô, vai matar ele mermo? - brotou do meu lado do nada, e eu olhei estranho pra ele.

Sinistro: Já disse que esse cara não passa de Maio. Vai morrer pela minhas mãos, nem que eu pegue mais alguns anos aqui dentro.

Magrão: Tu tá vendo direito com quem ele tá falando, né Sinistro? Com a porra do irmão do Paulão, cara forte pra caralho no PCC lá fora. - falou negando com a cabeça.

Sinistro: Eu não tô nem ai, caralho. O cara vai ser cobrado por sempre tá de tróia pro meu lado, foda se com quem ele tá falando e metendo no meio.

Magrão: Ele é parceiro da Víbora, porra, da Víbora! Tu tem noção do quanto essa mulher pode foder com a tua vida apenas falando algumas palavras? Um telefonema e um sim, tu tá morto!

Eu revirei os olhos negando com a cabeça, e nem dei bola pra esse cara.

Não importa quem esteja do lado dele, a porra da cobrança sobre aquele cara vai vir, e quem irá trazer...vai ser eu!

Diário de um DetentoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora