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São Paulo, dia 26 de julho de 2016.
14 hrs.
Soltei a fumaça, logo deixando o vento levar, e olhei para o Magrão que riscava aquela parede enorme com um pedaço de gesso que tinha caído ali dentro. Devia ser dessas paredes velha aí.
Ele escrevia algumas paradas lá, que eu nem prestava a atenção, só ficava fumando e olhando tudo ao redor daquele pátio.
Alguns manos jogavam bola, outros conversam em rodas, ou ficavam no canto observando tudo também.
Estranhei pra porra por não ver o filho da puta do GG a dias no banho de som. Tava estranho isso pô! Do nada o cara some? Ih, sei não.
Outra que sumiu foi a Jade, desde aquela nossa última consulta que voltamos a ficar de boa, não tive mais nenhuma com ela, e nem se quer saia da cela pra ter consulta com outro psicólogo.
Não fazia a mínima ideia do que tinha acontecido, e nos primeiros dias sem consulta até fiquei de boa, achando que ela estava com algum problema em casa, e que não estava vindo por conta disso.
Mas já passou quase dois meses pô, e isso já tá me deixando meio assim, preocupado mesmo.
Se ela me largou, quando eu sair daqui vou cobrar ela serinho pô, sem caô mesmo. Mas uma parte de mim insistia em pensar que tinha rolado uma parada mais séria, não sei.
Já tinha pedido para o Neguinho ir atrás dela, ou tentar saber aonde é que ela estava, mas o cara não encontrou porra nenhuma.
Que essa merda toda estava estranha...estava até demais!
Magrão: Olha só...- cutucou meu braço, e eu bufei olhando pra cara dele. - Olha pô.
Ele apontou com a cabeça pra parede e eu olhei, vendo um coração enorme ali, com o meu vulgo e o dele no meio, cheio de corações pequenos em volta.
Olhei pra cara dele outra vez, serinho mesmo, mas acabei dando risada, negando com a cabeça.
Esse menor é uma comédia mesmo, cada coisa pô.
Magrão: Lindão, pô. - sorriu. - Sinistro, mais Magrão, aff, sou boiola mesmo. - fez careta, jogando o gesso no chão.
Sinistro: Boiola pra caralho, mané.
Joguei a bituca de cigarro no chão, e pisei em cima, apagando aquilo. Me encostei no muro outra vez, cruzando meus braços.
Magrão: Aí, meu advogado veio aqui hoje cedo né, e disse que talvez não vou poder ter a saidinha no natal e no ano novo, pô. Que ódio mesmo.
Sinistro: Ih, ala, porque pô?
Magrão: Nem ele sabe. A justiça não queria liberar não, maior sacanagem pô. Bando de filhos da puta mesmo! - bufou, negando com a cabeça.
Sinistro: O sistema limita nossa vida de tal forma, que chega a ser foda conviver nesse país.
Magrão: Aí, avisa pra porra desse sistema que a única lei que nós respeita é a de Deus, pô. - falou gritando.
Alguns dos caras olhou pra ele, assoviando e querendo mostrar que concordam com o que o Magrão tinha acabado de dizer.
Eu dei risada, negando com a cabeça outra vez, e fiquei na minha. Cara malucão mesmo, ala.
Magrão: Aí putão, tu ficou sabendo que o ML tava se pegando de madrugada com o Gogó na cela deles? Maior parada, fi. - deu risada, se encostando ao meu lado. - Acharam que ninguém tava vendo, ou escutando, se foderam legal. - fez careta.
Alguns caras daqui não aceitavam esse bagulho não, e amassavam mesmo, sem dó pô.
Magrão: Pra mim isso é normal, os caras se pegam e foda se, pô. Se gostam de pirocada, quem é a gente pra falar alguma coisa? Euem, maior parada feia bater nos caras, na moral.
Balancei a cabeça concordando com ele, e sabia que ele não tava errado nessa parada não.
Vários caras aqui já ficaram um com o outro, rolando a maior trocação nas celas, e não apanharam. Mas tem alguns que rola, e eles amassam demais.
Não entendo isso não, mas também nem falo nada, se não quem sai apanhando é eu!
Continuei ali com o Magrão, com ele me contando as fofocas que tinha ouvido hoje aqui no banho de sol com os caras.
Fofoqueiro maior que esse, tem não pô!
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Diário de um Detento
FanfictionLadrão sangue bom tem moral na quebrada, mas pro Estado é só um número, mais nada.
