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Fiquei mais uma cota ali pensando em altas paradas em relação a morte do meu pai.
Foi uma parada que me abalou pra caralho quando aconteceu, mas que hoje em dia só me faz sentir ódio de alguns fardados.
Sei que não é todos que são filhos da puta, mas a maioria é, e faz parecer que todos são, fazendo essa faixa de assassinos cair em cima de até quem não tem culpa de porra nenhuma.
Muito policial já matou gente pra caralho, acho que até mais do que alguns bandidos por aí, mas quem disse que tá aqui trancado pagando pelos pecados? Tá nada, pô, continua lá na rua matando cada vez mais gente e a porra do sistema faz caralho nenhum, e é isso que me deixa puto mesmo.
Vários trabalhadores honestos presos injustamente, e diversos bandidos da "lei", na rua fazendo maldade com gente do bem.
Esse país é uma merda mesmo, na moral.
Jade: Quando meu pai morreu, eu acho que senti o mesmo ódio de policiais de como tu deve ter sentido, só que com o tempo esse ódio sumiu, até porque não é todos os fardados que são ruins.
Balancei a cabeça concordando, e só fiquei ouvindo ela falar ali. Mulher tava dando palestra até sobre o povo ruim, e o povo do bem que ainda tem na policia, na justiça e nos caralhos tudo.
Já tava ligado em tudo o que ela estava falando ali, mas eu nem disse nada, só fiquei ouvindo e prestando a atenção mesmo.
Quando ela parou de falar, eu suspirei alto, e do nada veio o GG na minha mente e ali eu já lembrei do que eu tinha que fazer com ele.
Sinistro: Se eu matar mais um cara aqui dentro, minha pena aumenta pra caralho? - perguntei mais para mim mesmo, do que pra ela.
Jade arregalou os olhos na hora, e ficou me olhando de um jeito estranho.
Jade: Você...quer matar alguém de novo?
Sinistro: Sim, e dessa vez não é um inocente, é um cara filho de uma puta que já tentou me matar diversas vezes. Ele chegou aqui na cadeia alguns dias antes de eu sair pra saidinha.
Jade: Eu só acho melhor você ficar na tua e de boa, porque isso pode dar uma merda do caralho no teu processo. - fez careta.
Sinistro: Jade, se eu não matar ele, quem morre é eu!
Vi ela engolindo em seco na hora em que eu falei, e eu já sorri de lado.
Sinistro: Eu tô ligado que você não quer me ver morto e pá, então eu tenho que matar ele!
Ela revirou os olhos dando de ombros, e a filha da puta voltou a atenção dela para aquele caderno dos infernos.
Não sei o que ela tanto faz nessa porra. Deve ser um diário, ou sei lá, pô.
Sinistro: Que isso aí? Um diário?
Jade: Não, eu só anoto alguns negócios aqui sobre as consultas. - falou baixo, batendo a caneta no caderno. - Mas você deveria ter um diário, anotar as paradas que você vê, que tu ouve e pá, uma ótima maneiro de expressar teus sentimentos tanto bons, quanto ruins que rola aqui nessa cadeia.
Sinistro: Diário de um detento?
Jade: Sim. - ela riu baixo. - Esse pode até ser o nome.
Sinistro: Sei não, vou pensar nessa parada aí.
Jade: Ok, na próxima consulta eu te trago um caderno e uma caneta pra você começar com teu diário.
Eu só balancei a cabeça, ficando quieto outra vez. O resto da consulta ninguém falou nada, e quando os guardinhas bateram na porta, eu me levantei e antes de sair da salinha, eu olhei bem pra cara da Jade, e resolvi falar:
Sinistro: Jade...- chamei, e ela me olhou. - Nas próximas consultas tenta colocar o profissionalismo na frente da vida pessoa, pô. Só tenta mesmo!
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Diário de um Detento
FanfictionLadrão sangue bom tem moral na quebrada, mas pro Estado é só um número, mais nada.
