Capítulo 8

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Marina

Saio do meu torpor quando Guilherme chama pelo nome de Daniel. Deus, eu estava  quase o beijando e mais uma vez me deixei levar pelo momento. Definitivamente, comigo não é assim. Eu sempre sei o que estou fazendo, sempre estou consciente dos meus atos, principalmente tudo relacionado a homens. Amo sexo, mas isso pra mim é sempre tudo muito programado, preto no branco. Sabia exatamente onde estava me metendo, mas com Daniel eu perco o controle totalmente. Eu queria que ele me beijasse, que me tomasse, não me pergunte o porque disso tudo, mas a simples presença dele me inflama. O mais estranho é que é a minha segunda vez que o vejo, mais a sensação é de que eu já o conheço há anos, como se fôssemos de alguma maneira interligados. Agora estamos aqui, sentados, e mesmo com várias pessoas ao redor os olhos dele estão fixados intensamente sobre mim acompanhado com um sorriso debochado que me irrita. Daniel me olha como se conseguisse ver dentro de mim, o que me deixa totalmente desconfortável, eu preciso sair daqui, não consigo respirar com este homem tão próximo a mim.

Digo a Manuela que vou ao banheiro, mas a grande verdade é que não consigo mais ficar aqui diante desses olhos. Quero ir pra casa, preciso respirar e pensar, já que com essa proximidade, será impossível. Levanto-me e sigo em direção ao banheiro sem olhar na direção do Daniel. Caminho a passos largos desviando das pessoas e me dirijo em direção a saída. Olho para trás para ter certeza de que ninguém está me seguindo e quando me viro bato com meu corpo com força em peito que mais parece uma muralha. Levanto minha cabeça lentamente e vejo que a muralha tem nome e se chama Daniel. Já estava na porta de saída. Como ele conseguiu ser mais rápido que eu?

- Fugindo? - Ele me pergunta com aquela expressão inquisidora.

- Não que seja da sua conta, mas não estou me sentindo bem e vou para casa.. Até mais!

- Espere. - Ele diz segurando meu braço com força e ao mesmo tempo delicadeza. Oh não!  De novo esse arrepio?

- Eu te levo. - ele diz com seus olhos fixos nos meus.

- Não precisa, eu pego um táxi... - tento me desvencilhar, mas ele me segura com mais urgência.

- Olha, Marina. - ele parece um pouco nervoso -  Eu sei que pode parecer meio louco, mas você não pode negar essa atração entre nós, desde que te conheci você não sai da minha cabeça... - engulo em seco e eu não imaginaria que ele fosse confessar o que sente.

- Não sei do que você está falando. - Minto na maior cara lavada. - Não vou negar que fiquei atraída por você, mas não passa disso.

- Não se engane, você sabe exatamente do que estou falando.- Ele diz aproximando seu corpo do meu. - Você não pode negar isso. - ele respira profundamente. - Existe algo aqui, Marina e é muito mais do que um simples atração, não me negue isso. Aliás, não negue isso a você. - ele diz como se me conhecesse há anos. Isso me deixa aflita. Esse homem mexe comigo de uma forma inexplicável.

- Você não sabe nada sobre mim. Quem pensa que é para me dizer o que eu sinto ou o que deixo de ... - Sem me dar chance de terminar a frase ele toma meus lábios nos seus. Tento me soltar, mas é inútil. Seu beijo consegue ser ainda melhor que da ultima vez e em questão de segundos, estou perdida em seus braços. Ao seu lado, meu corpo parece ter vontade própria e eu me entrego a ele. O beijo é intenso, urgente e aos poucos nos separamos e meu coração parece que vai explodir no meu peito.

-  Deixa eu te levar pra casa? - ele pede com seu olhar intenso sobre mim. Respiro profundamente.

- Daniel, eu simplesmente não faço isso. Não tenho tempo para relacionamento. Quer transar? Quer aliviar essa tensão? tudo bem, eu topo, mas não me peça intimidade, eu não posso e não quero isso.

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