Capítulo 11

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 POV Toni Topaz

 Acordei com Cheryl se remexendo muito.

 -Não, não... – ela sussurrava enquanto dormia. – Por favor, não faz isso.

 -Hey, Cheryl. – Balanço seu corpo, tentando acorda-la. – Acorda.

 A ruiva abre os olhos e me encara com os olhos cheios de lágrimas, sentando na cama. Imito seu movimento e me posiciono atrás dela, puxando-a para meus braços. Senti ela começar a chorar baixinho.

 -Shh, está tudo bem. Foi só um pesadelo, já passou. – Eu digo acariciando seus fios de cabelo.

 -D-desculpe. – Ela sussurrava. – Você não precisa fazer isso.

 -Não se desculpe, estou aqui por que me importo.

 -Obrigada, Toni.

 -Provavelmente foi o episódio de mais cedo, deve ter abalado teu psicológico.

 -Pode ser, mas o pesadelo é o mesmo de sempre...

 -Que seria?

 Ela negou com a cabeça, então eu sabia que ela não queria falar do assunto.

 -Que horas são?

 -08:30. – Respondo olhando para o despertador ao seu lado. – Ainda está cedo, Cherry, volte a dormir.

 Beijo sua cabeça e a aperto contra meu corpo.

 -Gostei desse apelido. – Ela diz baixo, se ajeitando em meu corpo e me encarando, seus olhinhos quase fechando. Sorrio com sua resposta e sua imagem. - Estou exausta, minha cabeça dói.

 Me levanto e pego um remédio, assim como a garrafinha de água que havia no frigobar. Ela agradece e eu me sento em sua cama, observando-a. Cheryl era apenas uma menina frágil, vulnerável, me fazia esquecer o sobrenome que carregava consigo. O sobrenome Blossom rondou meus pensamentos, me causando um frio na espinha e um enjoo repentino. Fechei meus olhos e respirei diversas vezes, quando voltei a abri-los, Cheryl já dormia, então fui até o banheiro e coloquei tudo para fora. Senti meus olhos marejando e meu peito apertar, revivendo aquele fatídico dia. Deixo as lágrimas banharem meu rosto, sentindo meu peito apertar ainda mais com as lembranças, eu conseguia ouvir tudo como se estivesse acontecendo naquele momento e, se eu fechasse os olhos, enxergaria tudo novamente, com todos os detalhes, mesmo tendo se passado 6 anos. Abri a última gaveta do armário do banheiro, onde eu deixava uma caixinha bem ao fundo. Retirei meu estilete de dentro e arremanguei minha manga do pijama comprido, cortando minha pele com a lâmina. Eu sentia a dor em meu peito diminuir, mas minhas lágrimas embaçavam minha visão. Olhei para meu braço, que agora escorria sangue sobre as outras marcas que me acompanhavam há dois anos. Eu via o sangue escorrer lentamente, chegando até meu pulso, o qual encarei fixamente antes de olhar para a lâmina novamente.

 -Eu não posso... – falo sussurrando, sentindo as lágrimas descerem mais rápido por meu rosto. – Não posso te deixar, pai.

 Limpo meu sangue e seco minhas lágrimas, lavo meu rosto e volto para o quarto, me sentando em minha cama. Fico encarando o rosto da ruiva, que agora dormia tranquilamente e acabo sorrindo. Cheryl era a garota mais linda que meus olhos já viram, eu não tinha dúvidas disso, mas não era apenas isso, ela exalava pureza e calmaria, eu enxergava em seus olhos a linda alma que ela tinha, então a beleza exterior se tornava apenas um detalhe.

 Suspirei pesadamente e balancei a cabeça, tentando ignorar meus pensamentos. Eu não me permitiria abaixar a guarda novamente, eu já tenho muito com que me preocupar, já carrego várias dores, me deixar vulnerável para que quebrem meu coração novamente não seria inteligente de minha parte.

Before YouOnde histórias criam vida. Descubra agora