Capítulo 50

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 POV Cheryl Blossom

 Toni pilotava a moto pelas ruas de Riverdale calmamente. Ela estava quieta desde o momento que saímos de casa, eu estava ansiosa para conhecer o pai de minha namorada.

 Depois de alguns minutos, Toni parou com a moto no estacionamento do hospital da região. Um frio percorreu minha espinha e eu respirei fundo. A de mechas rosas pegou em minha mão e me guiou para a entrada do local.

 -Seu pai é médico aqui?

 Ela se limitou a sorrir, mas não me respondeu, apenas continuou me guiando pelas salas geladas. Ela parou na frente do quarto 528 e respirou fundo antes de entrar. Acompanhei ela e notei um corpo imóvel na maca. Senti minhas pernas ficarem fracas e me apoiei na cadeira ao lado, olhando para Toni que tinha um olhar triste direcionado ao homem.

 -Cheryl, esse é meu pai. Pai, essa é a Cheryl que eu te contei da última vez que vim aqui, é a minha namorada.

 Eu não conseguia dizer nada, era como se meu corpo estivesse congelado, nenhuma palavra deixava minha boca.

 A de cabelo rosa caminhou pelo quarto e se sentou na cadeira ao lado da cama, puxando-a para ficar mais perto e tocou na mão do homem.

 -Toni...

 -Acidente de carro há dois anos. Nenhum sinal de progresso, ele apenas está na mesma. – Ela diz e pude ver algumas lágrimas caindo por seu rosto. – Mas ele vai melhorar. Logo ele acorda e vamos ser uma família novamente. Não é, pai?

 Eu segurava as lágrimas, ver Toni assim tão vulnerável só me fez querer cuidar ainda mais da menor.

 -Por que nunca me contou?

 -É uma situação complicada, Cherry. Não gosto de tocar nesse assunto, é delicado. No dia do acidente eu havia tirado a maior nota da minha turma de redação sobre quem te inspirava a ser alguém melhor. Eu tinha escrito sobre ele, o homem que sempre esteve ao meu lado. Queria que ele soubesse disso, que tudo que ele fez me inspira até hoje, que eu o amo mais que qualquer pessoa, que minha vida é diretamente ligada a dele. Eu lembro que peguei o primeiro ônibus de volta a Riverdale no final das aulas, queria ler para ele minha redação, queria que ele ficasse orgulhoso de mim e percebesse tudo que ele faz por mim, mas assim que eu pisei em casa, minha avó contou do acidente e disse que ele estava passando por uma cirurgia. Eu corri até esse hospital, repassando cada momento nosso, nossa última conversa havia sido uma discussão, eu saí de casa rapidamente, sem olhar para trás, não havia me desculpado. Esse foi só mais um dos motivos para eu escrever sobre ele naquela redação, era um pedido de desculpas, mas não consegui me desculpar a tempo.

 Me aproximei da mais baixa e a abracei de lado.

 -Foi nesse dia que eu também comecei a me automutilar, queria passar a dor que rasgava em meu peito para a dor física, rasgando minha pele. Eu odeio ter começado com isso, pois é vicioso, eu não sei como parar. Eu juro que estou tentando, por você eu estou tentando, mas é difícil. Quando eu vejo, estou com o estilete na mão, me preparando para mais uma cicatriz. Sei que sou fraca por não conseguir parar, sei que não deve ser fácil para você namorar com uma bomba relógio que a qualquer momento pode explodir, mas...

 Pressiono meu dedo indicador contra seus lábios, a impedido de prosseguir.

 -Você não é fraca, Toni. Muito pelo contrário. Eu sinto muito por tudo isso. Você passa por tanta coisa e mesmo assim consegue ser essa garota sensacional que você é. Tenho certeza que seu pai tem muito orgulho da filha dele, eu tenho muito orgulho de você. E acima de tudo isso, eu te amo.

 -Também amo você, babe. – Ela me puxa e eu sento de lado em seu colo. – Sabe, um dos meus maiores sonhos é construir uma família.

 A olho espantada, isso com certeza não era algo que eu imaginava escutar de Toni.

Before YouOnde histórias criam vida. Descubra agora