Hector, um ex-soldado marcado por cicatrizes do passado, sobreviveu a um desastre em sua terra natal. Perdido entre lembranças amargas e a vastidão do espaço, ele embarca em uma jornada solitária, guiado apenas pela necessidade de seguir em frente...
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Hector S.
E aqui estou eu novamente, vagando pelo vasto vazio do espaço, em uma jornada interminável em busca de um planeta habitável. Duas semanas se passaram, e os problemas que antes eram apenas preocupações distantes agora se tornaram ameaças iminentes. A constatação de que alguns componentes cruciais estavam faltando vinha corroendo minha sanidade lentamente. Foi descuido? Talvez. Desde a minha saída de Glódia, a minha vida se transformou em uma espiral de complicações, beirando o insuportável.
A busca por suprimentos tornou-se uma constante. Cada recurso, cada gota de combustível para alimentar minha nave, era uma batalha que exigia cautela extrema. Com a escassez crescente, as viagens se tornaram arriscadas, quase suicidas. A única vantagem que possuo é o meu conhecimento das rotas menos vigiadas, um trunfo que me permite evitar aqueles lunáticos que infestam as galáxias.
Enquanto meus pensamentos se perdiam nas memórias do passado — uma mistura de nostalgia e arrependimento —, o som robótico e impassível de Alix, minha fiel assistente vitalícia, ecoou pela cabine.
"Planeta com sinais de vida inteligente detectados. Distância: aproximadamente 5 anos-luz. Planeta com sinais de vida inteligente detectados. Distância: aproximadamente 5 anos-luz."
Minha atenção foi imediatamente capturada. A voz de Alix, sempre metódica e precisa, era uma âncora em meio ao caos que se tornara minha existência.
— Alix, envie-me as coordenadas, por favor. — Minha voz soou firme, mas havia uma ponta de esperança nela, uma emoção que eu não ousava admitir.
Assim que o comando foi dado, feixes de luz suaves se acenderam ao meu redor, e um holograma emergiu diante da minha mesa. As imagens projetadas revelavam detalhes geográficos do planeta Lápizia. Era promissor. As formações, os tons vibrantes e as anomalias indicavam um ambiente que poderia ser mais do que apenas habitável.
— Mantenha as informações disponíveis enquanto eu ajusto a rota.
Enquanto iniciava as manobras necessárias, minha mente oscilava entre ceticismo e entusiasmo. Será que este planeta poderia ser o refúgio que tanto busquei? Ou seria apenas mais uma parada em minha jornada solitária, repleta de desilusões?
Lápizia estava à frente, e com ele, um vislumbre de possibilidade em meio ao infinito vazio.
"Lápizia é um planeta renomado na Via Láctea, conhecido por ser um destino turístico popular e lar de diversas raças e formas de vida. Com aproximadamente 2,5 bilhões de anos de evolução geológica, Lápizia desenvolveu ecossistemas variados e complexos. Governado por uma espécie nativa desconhecida, o planeta preserva grande parte de sua natureza, mantendo interações controladas com visitantes externos. O planeta possui 55% de água doce, 19,42% de água salgada e 25% de terra. O clima é temperado, com estações definidas e variações moderadas, enquanto a atmosfera é composta por 76% de nitrogênio, 22% de oxigênio e 1% de dióxido de carbono. Lápizia orbita a estrela Epsilon Indi a uma distância de 0,9 UA, com um período orbital de 400 dias terrestres e um dia planetário de 28 horas terrestres. A lua Nyx estabiliza o eixo do planeta e influencia as marés. Atualmente, Lápizia encontra-se a 5 anos-luz de distância. Deseja iniciar o Salto Espaço-Temporal?"
— Já pesquisei muitos lugares assim antes, mas, Lápizia? É desconhecido para mim.
Antes que eu pudesse responder à pergunta dela, um incidente inesperado abalou toda a nave. Fui lançado do assento, completamente desorientado. Alix começou a emitir um som estridente, mais robótico do que de costume, o que chamou minha atenção para a parte danificada. Instintivamente, agarrei-me a uma alavanca próxima, enquanto minha mente processava a possibilidade de um ataque. Levantei-me com esforço, acionei o piloto automático e me preparei para lidar com a situação, consciente de que tentar controlar a nave manualmente em tais condições poderia ser desastroso. Aliás, havia ainda a previsão de uma chuva de meteoros a ser analisada.
Um som ensurdecedor irrompeu no ambiente. As camadas da nave brilharam em tons vermelhos cintilantes, pulsando sem cessar, como um alerta inescapável. De repente, a porta magnética deslizou com um zumbido, revelando a silhueta de figuras estranhas que adentraram o compartimento. Vestiam uniformes impecáveis e estavam armados até os dentes, com um arsenal que parecia invencível.
— Você está sendo preso por invasão de área restrita. Esse é um crime gravíssimo. — Uma voz fria e perturbadora ecoou pelo ambiente, enquanto os soldados se afastavam para dar passagem a um homem de aparência peculiar. Ele aparentava estar acima da meia-idade, com a pele arroxeada e uma presença que exalava autoridade.
— Se fosse realmente restrita, eu já teria sido bombardeado há muito tempo. — Retruquei, em um tom que misturava provocação e cautela, tentando arrancar alguma reação daquele estranho que me encarava fixamente. Mas, para minha perplexidade, o mistério maior era como eu conseguia compreender suas palavras.
O homem ajustou a postura com dignidade, então fez um sinal para um dos soldados e os dois iniciaram uma conversa em um idioma indecifrável.
— Ary it ih ency. (Levem-no daqui.) — Ordenou, com um timbre de voz firme.
O soldado avançou sem hesitação, desferindo um soco violento contra o meu estômago. O impacto me lançou ao chão como um boneco de pano, arrancando de meus pulmões um gemido de dor. Em segundos, senti um líquido quente e metálico escorrer pela boca — sangue. Minha visão começou a se turvar, enquanto a respiração se tornava pesada e irregular. A escuridão finalmente tomou conta de mim.