Capítulo VIII

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Hector S

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Hector S.

A lua pairava em um azul-índigo profundo, derramando sua luz pálida sobre o campo isolado. O silêncio era quase sufocante, quebrado apenas pelo farfalhar da brisa noturna. Havia urgência em meus passos, um desejo de acabar logo com aquilo e sair dali.

Liderava o caminho até as barracas pré-construídas, onde os equipamentos de pesquisa estavam instalados. De vez em quando, olhava para o céu, admirando as estrelas. Testemunhas silenciosas de algo que ninguém mais parecia ver.

Dentro das barracas, o único ponto de luz naquele deserto sombrio, fui direto aos computadores. As telas mostravam o avanço implacável da onda vermelha, engolindo terras inteiras. Dados piscavam em vermelho, números despencavam. Ninguém sabia o que era, nem como detê-la. Só sabíamos que, onde ela passava, as transmissões falhavam, a vida se tornava instável... e, às vezes, desaparecia.

Um vídeo mostrava a onda se aproximando. O horizonte tremulava, distorcido. Então — estática. A imagem congelou, depois dissolveu-se em um chiado branco. Conexão perdida.

Meu peito apertou. Virei o olhar, tentando me distrair, e meus olhos recaíram sobre ela. Os mesmos olhos de antes, no laboratório.

Baixa, mas de presença marcante, sua pele tinha um tom amarelo-acastanhado, como areia do deserto. Não era exatamente uma Glodiana, mas também não se parecia com ninguém que eu já tivesse visto. Segurava uma prancheta, falando rapidamente em um fone de ouvido. Seus olhos não paravam, e sua postura dizia que já estava sempre dois passos à frente dos outros.

— Kazuha — murmurou Vorl, me cutucando.

— O quê?

— O nome dela. Kazuha.

— Tá. E daí?

— Nada. Só achei que depois de tanto tempo trancado num laboratório, você poderia... sei lá, notar uma mulher bonita.

Revirei os olhos e voltei a encarar os dados. Ele continuou falando, mas eu já não ouvia mais. Minha cabeça estava em outro lugar. Beatrice. O único nome que realmente importava.

Eu precisava de uma bebida forte. E de menos problemas. Mas ultimamente, parecia que só conseguia o contrário.

Antes que eu pudesse sair daquela situação incômoda, senti um puxão firme no braço. Meu corpo enrijeceu no reflexo, e quando virei para ver quem era, fui surpreendido. Ela. A mulher que Vorl não parava de mencionar.

De perto, Kazuha parecia... normal. Frágil, até. Diferente dos outros alienígenas, sua pele tinha um tom quente e macio ao toque. Um arrepio percorreu meu corpo. Isso era... estranho.

— Finalmente te encontrei! — exclamou ela, entrelaçando seu braço ao meu.

— O quê...? Quem é você?

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