Hector, um ex-soldado marcado por cicatrizes do passado, sobreviveu a um desastre em sua terra natal. Perdido entre lembranças amargas e a vastidão do espaço, ele embarca em uma jornada solitária, guiado apenas pela necessidade de seguir em frente...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Hector S.
A casa parecia cada vez mais vazia, mesmo com a presença de tantos estranhos. Ao passar pela porta de metal, fui tomado por um silêncio denso, uma quietude que trouxe um alívio raro — quase esquecido desde minha chegada. Aproveitando o momento, segui até a cozinha e abri a geladeira.
Para minha surpresa, ela estava repleta de alimentos exóticos que eu nunca vira em nenhum outro planeta. Meu olhar foi atraído por algo peculiar: uma fruta oval, de casca dura e azulada, com cerca de um palmo de comprimento. Suas folhas retorcidas pareciam lâminas afiadas. Segurei-a com firmeza e tentei abri-la, forçando as mãos para lados opostos. A casca cedeu com um estalo, revelando um interior branco translúcido, com sementes azul-escuras incrustadas na polpa. Hesitei por um segundo, depois levei um pedaço à boca. A textura era macia, o sabor surpreendentemente doce, com um fundo ácido que fazia a língua formigar levemente.
— Assaltando a geladeira a essa hora? — A voz de Najenda ecoou atrás de mim. Antes que eu pudesse reagir, suas mãos quentes pousaram firmes nos meus braços.
O susto me fez engasgar violentamente, e comecei a tossir feito um cachorro sufocado.
Najenda tentou ajudar, mas os tapas vigorosos em minhas costas tiveram o efeito oposto.
— Assim você só piora tudo! — resmunguei, ainda tentando recuperar o fôlego.
— Não tenho culpa se você é fraco. — Ela deu de ombros, o olhar brilhando com provocação.
Antes que eu pudesse responder, ela inclinou a cabeça para o lado, analisando o hematoma no meu rosto com um interesse incomum.
— Eu... fraco?
— Sim, fraco. — Ela piscou, maliciosa, antes de puxar um banco e se sentar diante de mim. Cruzou as pernas devagar, o sorriso cheio de desafio. — Não posso acreditar que você deixou aquele idiota te bater. Agora todos no acampamento sabem...
Suspirei e deixei a fruta sobre a mesa. Enquanto limpava as mãos, escolhi minhas palavras com cuidado.
— Eu poderia ter acabado com ele, mas isso só pioraria a situação.
Najenda arqueou uma sobrancelha, como se esperasse uma resposta melhor.
— E daí? Se fosse comigo, ele já estaria no chão. Você precisa aprender a se defender, Hector. Ou prefere ser visto como um covarde?
Meu olhar endureceu.
— As coisas não funcionam assim, bravinha.
O apelido a fez corar levemente, mas seu semblante endureceu num piscar de olhos. Antes que eu percebesse, ela pressionou meu adutor com o polegar, forçando meu braço para o lado. Droga. Ela era forte — ridiculamente forte.