Capítulo V

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Hector S

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Hector S.

Enquanto isso, nas proximidades das colinas, os soldados se alinhavam em formação. De onde eu estava, parecia que todos portavam algum tipo de arma laser. À frente, uma fileira de garrafas brilhava ao sol, penduradas em uma cerca improvisada a vários metros de distância. O cenário de treino era tão meticuloso quanto ela. Beatrice sempre foi impecável assim, pensei, irritado comigo mesmo por dedicar sequer um pensamento elogioso àquela mulher.

— Efra, mantenha o ângulo para 18 graus, um pouco à esquerda. Acerte. — Sua voz, como sempre, carregava aquela confiança natural, quase irritante.

Por que ela parecia sempre tão à vontade? Isso me incomodava mais do que deveria. Talvez fosse a lembrança do que aconteceu antes, daquele momento que eu ainda não sabia ao certo como interpretar, mas que parecia deixar um peso em cada conversa que tínhamos desde então.

— O que aconteceu com seu grupo? — perguntei, sem olhar diretamente para ela. Eu precisava parecer indiferente, mesmo que minha presença ali provasse o contrário.

— Elas estão bem. Só estou cuidando desse pequeno grupo por ordem de Balthazar. O líder deles está acamado... — respondeu com a calma que parecia uma extensão natural de sua personalidade.

O som de um disparo cortou o ar, e uma das garrafas à esquerda explodiu em estilhaços brilhantes. Efra, o garoto que ela havia orientado, vibrou de alegria, mas Beatrice permaneceu impassível. Seu olhar estava fixo em mim, como se estivesse avaliando algo que eu preferia não admitir.

— Parabéns, Efra. Da próxima vez, preste atenção nos ângulos e na posição em que segura a arma, ok? — Sua voz era firme, mas não severa, o que só parecia reforçar o controle que exercia sobre todos ao seu redor.

Ela era, de fato, impecável. Até os soldados mais inexperientes conseguiam resultados sob sua supervisão. Eu sabia disso, mas a ideia de verbalizar qualquer tipo de admiração me dava nos nervos.

— Você se esqueceu do forjador, não foi, Beatrice? — perguntei, com um tom que oscilava entre desinteresse e provocação.

Ela ergueu uma sobrancelha, mas sua expressão permaneceu tranquila.

— Hector, priorizei meu grupo primeiro. Isso não significa que esqueci o que combinamos. Mas tem algo que eu esqueci de mencionar... temos mecânicos que também trabalham na área da forja. Bem ali. — Ela apontou para uma barraca distante, maior e mais robusta que o padrão, o que só podia significar um centro de trabalho avançado.

— Então, você já tinha uma solução — retruquei, mais para mim do que para ela. O desconforto que senti foi como um soco no estômago, mas não podia deixar transparecer. Eu havia pedido que ela encontrasse um forjador como desculpa, uma forma de colocá-la em outra direção, longe de mim. E, no entanto, lá estava eu, assistindo-a com uma atenção que me irritava tanto quanto me fascinava.

— Agora, se me der licença, preciso terminar meu trabalho aqui. — Sua voz firme foi como um ponto final, deixando claro que ela não estava disposta a prolongar nossa conversa.

Voltei minha atenção para os soldados, mas meus pensamentos estavam em um lugar completamente diferente. A forma como ela lidava com todos, mantendo o controle absoluto, era tão irritante quanto admirável. Talvez fosse por isso que eu continuava voltando para perto dela, mesmo quando dizia a mim mesmo que devia me manter longe.

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