Hector, um ex-soldado marcado por cicatrizes do passado, sobreviveu a um desastre em sua terra natal. Perdido entre lembranças amargas e a vastidão do espaço, ele embarca em uma jornada solitária, guiado apenas pela necessidade de seguir em frente...
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Hector S.
"É hora de acordar, Hector..."
A voz começou a ecoar, lenta e insistente, forçando-me a abrir os olhos. No entanto, algo profundamente visceral me impedia de mover o corpo. Quando a voz soou novamente, mais agressiva, meus olhos se abriram por reflexo, revelando um cenário completamente desconhecido. Estava em uma sala fechada, sem janelas ou qualquer outro ponto de luz além de uma única porta lateral. O silêncio foi quebrado por passos distantes que, de repente, cessaram. Logo, uma voz baixa reverberou pela sala, chamando minha atenção.
Olhei ao redor, mas só avistei um pequeno interfone no canto superior. Minhas perguntas foram lançadas ao vazio enquanto lutava para desvendar as últimas memórias antes de perder a consciência na nave. Nada. Tudo parecia um borrão.
Tentei me levantar, mas o simples gesto de colocar os pés no chão trouxe um caos inesperado: minha cabeça latejou com intensidade e minha visão se tornou turva, quase indistinta.
— Et palient he ot tten sed ot uro planet. (O paciente não se acostumou ao nosso planeta) — ouvi alguém comentar, segurando uma seringa com um líquido alaranjado.
— Ige im he plii ot. (Aplique nele) — respondeu uma segunda voz.
O controle sobre o meu corpo parecia escapar. A linguagem estranha não fazia sentido, mas mesmo assim meu instinto permaneceu alerta. Sentei-me com dificuldade na cama metálica, o desconforto palpável. Foi quando senti algo perfurar meu braço. O que diabos era aquilo? Minha mente girava em círculos enquanto o efeito começava a dominar meus sentidos.
— Ainda está aí? — perguntou alguém, sacudindo-me levemente.
— Pare de mexer nele, Asbor. Nosso trabalho aqui é apenas administrar o antídoto — retrucou outro. — Se ele te atacar, não vou me responsabilizar. Vamos logo.
De repente, uma figura imponente entrou na sala. Um homem, similar aos anteriores, mas maior. Sua pele roxa parecia brilhar sob a luz artificial. Ele ostentava cabelos penteados para trás, uma barba desalinhada, e olhos brilhantes que transitavam entre o branco e o azul escuro. Sua presença dominava o espaço, e ele logo direcionou o olhar para mim.
— Os médicos aplicaram um antídoto em você — disse, fazendo um gesto de desdém aos demais, que se afastaram.
Enquanto ele se aproximava, não consegui conter o comentário sarcástico:
— Você é idêntico àquele velho baixinho que me repreendeu na nave!
O homem franziu a testa, aparentemente ofendido.
— Aquele "velho" é meu pai... — respondeu, irritado. Após um breve pigarro, continuou: — Izko, esclareça a situação para ele.
Foi então que um projetor no teto emitiu feixes de luz. Um holograma começou a tomar forma diante de mim: uma jovem albina com trajes luxuosos e postura rígida. Sua imagem era tão vívida que, por um momento, quase acreditei ser real, não fosse pelas pequenas falhas na projeção.