11. Verdade ou desafio?

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A fogueira foi um momento tranquilo do dia. Por ser um local cercado de árvores fazia bastante frio então foi aconchegante estar ali com toda a turma. Me senti confortável.

Os monitores falaram algumas frases motivacionais para as equipes com menos pontos, falando que amanhã poderiam correr atrás do prejuízo mas acho que ninguém estava ligando muito para isso.

Começamos a nos dirigir para os chalés e já havíamos decidido que seria no que eu estava. Também tínhamos mais 3 lugares reserva, caso fosse necessário. Nesse caminho todos ficaram mandando mensagens pra combinar o melhor horário.

Foi combinado que entraríamos no chalé e iríamos espionar os professores e os monitores até que tivesse mais tranquilo. Todos os chalés estavam com as luzes apagadas. Demorou cerca de 40 minutos até tudo ficar tranquilo.

Cada um que chegava no chalé avisava para os próximos virem, foi uma missão secreta que deu certo.

O chalé era grande. Como eram duas beliches, antes de sair para a fogueira empurramos para o canto para abrir espaço e todos ficarem lá dentro. Todos chegaram e trouxeram as bebidas, hora de começar os jogos.

- eai galeraaa, eu e minhas amigas aqui pesquisamos várias brincadeiras interessantes pra hoje, principalmente para que todo mundo se conheça bem - Mina olhou para seu grupo e todas sorriram de forma maliciosa - mas antes de começar, todos vão dar um shot para esquentar os corpos - deu uma piscadinha enquanto sorria.

Esse lado delas me assustava um pouco, mas estava empolgado. Será que vou conseguir me aproximar de Shoto em uma dessas brincadeiras?

- Muito bem galera, podem conversar entre si mas vamos fazer um círculo e pegar uma garrafa. Tá na hora de jogar verdade ou desafio. Vou explicar as regras.
1° não pode pedir a mesma coisa 2x, ou seja se pediu verdade a próxima vez que cair em você deverá ser desafio.
2° se não cumprir o desafio deverá tomar a quantidade de shot estabelecida pela pessoa que te desafiou
3° não vale nada que as pessoas corram risco de vida, então se controlem

Não podíamos fazer muito barulho mas todos ficaram em êxtase e logo se arrumaram. Sentei de Shinso e Shoto estava quase que na minha frente, senti uma tensão mas não me importei. Além do primeiro shot eu já estava bebendo outras coisas.

Mineta foi o primeiro a desafiar Momo.
- Desafio você a tirar sua camiseta - esse garoto era simplesmente o maior tarado que eu já conheci na vida.
- Claro - Momo tirou a camiseta e começou a sorrir - Aiai garotos, vocês acharam mesmo que a gente tava tão animada a toa? Viemos preparadas pra ganhar de vocês nesse jogo - todas estavam usando várias peças de roupa por baixo, ou seja, elas planejaram deixar todos os meninos despidos?? Geniais.

-...Ma-mas... - Mineta estava em meio a lágrimas.

Desafiaram Uraraka a beijar Tsuy, o que fizeram com uma naturalidade incomum. Todos olharam surpresos mas o jogo seguiu.

Desafiaram um garoto da turma de Shinso a beijar Jiro, houve uma resistência mas saiu um selinho. Como não foi exatamente o desafio ela teve que beber 8 shots.

A garrafa girou e Shoto deveria me perguntar algo ou me desafiar.

- Quero verdade - sorri e o encarei. Poucas pessoas pediram verdade, afinal os desafios eram um jeito de descobrir sobre elas também, mas queria saber se ele se perguntava sobre mim.

-...- senti uma expressão séria, meio que com medo de perguntar - hm.. é verdade que você é Gay?

Todo mundo parou e me encarou.

-...- sorri e me levantei - veja bem, não sou gay. Sou... Bissexual com algum tipo de preferência, o que é bem melhor não acha? - olhei diretamente para Shoto fazendo com que ele entendesse que de fato eu estava flertando com ele.

O silêncio ficou por mais alguns segundos e Shinso puxou a garrafa e a girou, dando continuidade no jogo. Aproveitei que estava de pé e fui pegar mais bebida. Nessa hora Uraraka veio atrás de mim.

- Izuku, tudo bem tudo isso pra você? - disse com uma cara de preocupada.

- Isso? Não foi nada Uraraka, nem se preocupe. Vocês planejaram as brincadeiras e eu o meu jogo. Não se preocupe que eu estou ótimo - sorri e passei a mão no seu cabelo. Ela era uma boa amiga, só estava preocupada porque vivemos num lugar meio conservador mas isso não me atingia.

Voltamos para a roda e as coisas estavam ficando mais quentes. Quando nos sentamos metade dos meninos da nossa turma estavam só de cueca. As meninas estavam com várias roupas então não tinha como saber se tinham sido desafiadas ou não.

- Sero, quero que vá ao meio da roda e faça uma dança sensual tirando a camiseta - disse Mina enquanto sorria apontando para o último alvo dela.

Ele tomou um shot, se levantou e cumpriu o desafio. Minha turma foi com tudo para esses jogos.

Depois de mais algumas rodadas começaram os beijos triplos, sair do chalé e ir se beijar no meio da floresta, estrelinhas e cambalhotas depois de beber... Todo tipo de coisa saiu dali.

Trouxeram aquele Twister também, resolvi dar uma chance. Estava bêbado já, o máximo que rolaria era eu passar alguma vergonha. Que seja.

Chamei Shoto para jogar comigo, ele estava todo tenso logo depois do que perguntou. Tenho certeza que ele foi a pessoa que viu eu e Shinso aos beijos mais cedo.

Tsuy veio para ficar falando quais posições deveríamos colocar os pés/mãos/etc do jogo. Esse jogo no meio de bêbados é pedir para dar errado. Shoto aceitou porque também estava bêbado. E confuso.

- hm, Shoto pé esquerdo no amarelo... izuku mão direta no vermelho... - fomos seguindo todas as instruções e acabamos em uma situação embaraçosa. Ele estava por cima do meu corpo, como se fosse um casulo. Nessa hora eu ri e me desequilibrei fazendo com que os dois caíssem. Demos algumas risadas, Tsuy pulou em cima de nós e ficamos ali até Shoto se levantar e ir ao banheiro quase que correndo.

Tomei mais alguma coisa e fui em sua direção. Não sei se foi por querer mas ele deixou a porta aberta e só eu tinha visto ele ir naquela direção. Entrei no banheiro e ele estava de pé com as duas mãos apoiadas no box, sua cabeça estava pra baixo e ele estava ofegante.

Tranquei a porta e continuei encarando ele, esperando que ele se virasse para mim, mas ele continuou de costas.

- Shoto, olhe para mim. Está tudo bem? - ele continuava de costas, mas dava pra ouvir sua respiração e seu corpo tremia dos pés a cabeça.

Continuou me ignorando, então peguei um de seus braços e o joguei pro lado fazendo com que suas costas encostassem na parede e eu ficasse frente a frente com ele.

- Você não quer olhar nos meus olhos porque, Shoto? - levei minhas mãos até seu queixo e levantei seu rosto, fazendo com que nossos olhares colidissem - Isso é porque você enxerga, não é mesmo Shoto? Você enxerga com clareza todas as coisas sujas que eu penso em fazer com você e todas as coisas sujas que já fiz pensando em você, não é Shoto? Isso que desperta sua curiosidade e desejo de estar aqui comigo?

Nessa hora a cara de afirmação e desespero dele é a que mais me alucina, saber que desconsertei ele com meia dúzia de palavras me excita. Me aproximei e encostei nossos lábios. Seu corpo não me afastava, ele me buscava. Nossas línguas se encontraram e ambas pediam passagem e conheciam a boca um do outro. Mas logo isso acabou.

Como uma resposta involuntária ele me empurrou e deu um tapa na minha cara, forte o suficiente pra machucar minha boca fazendo com que algumas gotas de sangue respingassem.
Nessa hora, em meio a sorrisos respondo:

- Ah, Shoto... Você com certeza viu que essa era uma das coisas, não é mesmo? - sorrio com malícia, quero provocar mais ele. Quero saber até onde posso ir, não consigo parar de jogar quando ele corresponde a todas as minhas investidas e se entrega.

Apesar de meus esforços ele sai rápido do banheiro, sem dizer uma palavra sequer. Fico triste porque queria ir além, mas não posso exigir mais de um cara que ainda acredita ser hétero, mesmo seu corpo provando que não.

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