38. Jogo de basquete pt2.

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Bebi um pouco de água e enxuguei o suor do meu rosto e voltei para o centro da quadra. Poucos segundos depois vi o restante do time se organizando para que fosse dado início a partida.

Observei a quadra e vi onde cada um do time adversário estava. Bakugo também estava concentrado, mas mesmo submerso nisso ele se comunicava e esbravejava com seus colegas de time.

Em um piscar de olhos o jogo iniciou. O pivô do time do Bakugou tinha vantagem e conseguiu pegar a bola. Começamos na defesa. Meu corpo hesitou por alguns segundos e senti o vento que cortava meu corpo devido a velocidade da jogada deles. Após esses segundos que hesitei, corri para a defesa.

Mesmo tentando marcar de forma individual acabamos levando esse ponto. Mas antes mesmo que o time do loiro se posicionasse na defesa saímos rapidamente do fundo de quadra. Eles são rápidos, mas nós também somos.

Rapidamente o ala do nosso time jogou a bola pra mim enquanto eu já cruzava o meio da quadra. No segundo que bati a bola pela primeira vez no chão, senti a marcação de Bakugou. Ele ainda estava se posicionando para me marcar, mas sua presença de jogo era tão grande que pude perceber no mesmo segundo.

Tive que fazer alguns dribles mas como se tratava ainda do início do jogo não queria gastar toda minha energia, passei a bola para nosso ala. Nessa jogada, após o ala receber a bola, o pivô corre para um corta-luz abrindo espaço para que eu entre no garrafão.

No momento que Bakugou percebeu a jogada a intensidade da marcação aumentou. Apesar de querer guardar energia eu não podia só pensar nisso, então driblei algumas vezes e antes de finalizar a cesta fiz uma finta nele. Antes que a bola passasse pela cesta eu já estava retornando para o meu lado da quadra e pude escutar um "TCH" bem alto.

O estilo de jogo dos nossos times eram parecidos. A velocidade era nossa mais forte aliada, as jogadas bem alinhadas com a equipe faziam com que todas as cestas facilmente acontecessem. A disputa iria começar a partir do momento que alguma das equipes focasse na defesa e fosse mais eficiente que o ataque da outra.

Enquanto nossos times tentavam se decifrar continuamos empatados. O fim do primeiro tempo foi de 22x20 para eles.

Enquanto minha respiração acalmava e o tipo terminou, recebemos algumas orientações do técnico e logo o jogo reiniciou.

O nosso time saiu com a bola e marcamos com o ala fazendo uma finta e finalizando uma cesta de 3. Voltamos rápido para fortalecer a defesa, que estávamos preparando desde o início do jogo.

Assim que o ataque chegou, tentou rodar a bola para o lado esquerdo, interceptei a recepção da bola e corri para o contra-ataque. Bakugou veio na mesma velocidade que eu e a única forma de conseguir virar esse ponto era com um passe com finta. Nosso ala veio correndo logo atrás, passei uma de minhas mãos para trás do meu corpo, como se fosse fazer um simples drible mas na verdade joguei a bola para o lado oposto, entregando-a na mão do meu ala e liberando um corredor pra ele, convertemos a cesta.

Com essas duas cestas no início do jogo o placar tinha virado a nosso favor, 25x22. Continuamos convertendo nossos contra ataques usando as fintas anexadas aos dribles. Nosso time treinava demais essa associação das técnicas o que facilitou nossa leitura de jogo.

Chegamos no final do último tempo com o placar 127x 115, para o meu time. Nesse momento, faltando poucos minutos para terminar, senti uma intensidade ainda maior no jogo de Bakugou. Eles mudaram para a marcação individual e interceptavam quase todos os passes.

A densidade do jogo fez com que meu time se atrapalhasse e quando me dei conta do que estava acontecendo pude escutar o Shoto da arquibancada:

"IZUKU, VOCÊ AINDA NÃO MOSTROU DO QUE É CAPAZ!"

Na mesma hora senti a necessidade de continuar a frase para meus companheiros de equipe:

"Vocês também não, então vamos com tudo agora".

Nesse momento a torcida da nossa escola começou a encher a quadra e nosso estado de tensão mudou completamente.
Nessa hora o placar estava mais acirrado, 131x125.

Nossos alas e pivôs começaram as jogadas entre eles e a marcação individual que fazíamos trocava a cada jogada, fazendo com que nosso oponente não tivesse tempo para se acostumar. Nosso ala direita é extremamente eficiente em cestas de 3 pontos, tentamos facilitar suas jogadas para aumentar a diferença no placar.

A cada jogada que fazíamos, sentia Bakugou firme em quadra chamando seus companheiros para interceptar e correr atrás do contra-ataque.

De forma insistente eles aproximaram o placar, ficando 137x132. Faltando alguns segundos, Bakugou lançou uma bola da linha de 3 e no momento que vi a cena já sabia o que viria em seguida: uma falta. Dessa forma eles teriam a cesta de 3 e o ponto do lance livre que, na realidade eles irão errar o lance para pegar o rebote e fazer uma cesta de dois pontos nos segundos finais. Dito e feito.

Cesta de 3 pontos de Bakugou, lance livre com erro, rebote e cesta de dois pontos. 137x137. Ouvi a risada de Bakugou mas no mesmo instante meu ala esquerda pegou a bola, saiu do fundo de quadra, me passou e eu finalizei com uma cesta de 3 pontos do meio da quadra. No momento que tocou o sinal finalizando a partida marcamos os 140 pontos antes mesmo que o time adversário pudesse tentar defender.

Eu não cheguei até aqui para perder qualquer jogo que fosse. Quando fiz a última cesta busquei Shoto com o olhar e quando o encontrei pude entender o que sua expressão dizia "finalmente você mostrou um pouco do seu talento, Izuku".

Eu sou uma pessoa simples, sei que tenho um grande dom para o basquete e treino muito para aperfeiçoa-lo, mas dificilmente jogo no meu máximo, às vezes por acabar se igualando com meu time afim de melhorar o trabalho em equipe e às vezes porque quero continuar jogando e me divertindo.

O barulho da torcida ecoava dentro da quadra, o time comemorava com sorrisos e choros e eu só observava tudo aquilo acontecendo simultaneamente. Procurei Bakugou e fui cumprimentá-lo.

- Obrigado pelo jogo, não esperava menos de você. Senti sua presença de jogo mesmo quando não estava me marcando. E suas cestas foram imp.. - fui interrompido.

- TCH, já falei pra você não vir com esse papo de merda pra cima de mim, seu esquisito. Não tenho tempo pra isso, tenho que ir - rosnava enquanto já ia embora da quadra.

Após a comemoração com o time, falei com Shoto e fui recebido de uma forma extremamente carinhosa. Shoto me abraçava e me beijava sem se importar com o suor. Isso fez com que eu entendesse que eu havia ganhado. Comecei a sorrir sem perceber e entrei na onda das tantas comemorações que estavam acontecendo por ali.

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