40. Katsuki Bakugou

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P.O.V BAKUGOU

A primeira vez que vi o Izuku foi no início desse ano. Ele parecia ter acabado de se mudar e vivia andando com a sua mãe pelo bairro onde eu moro (deduzi que fosse sua mãe pela cor dos cabelos dela).

Depois de um tempo perdi a conta de quantas vezes o vi andando de bicicleta por ali, meio que sem rumo até.

As aulas começaram e nossos encontros eram mais raros. Até que, depois de um tempo, pude avistar ele junto com outro garoto, que tinha o cabelo metade vermelho e metade branco - no caso era o Shoto.

Com o passar do tempo os via cada vez com mais frequência mas 3 encontros me marcaram de forma intensa e pura.

O primeiro deles foi quando os vi pela primeira vez. De alguma forma os sorrisos e brincadeiras que faziam entre eles antes de chegar na casa de Izuku me prenderam. Meus olhos ficaram grudados naquela imagem e aquela imagem, por fim, grudou na minha cabeça. Ela é nítida demais, consigo visualizar agora mesmo toda a cena.

Eles riam de alguma coisa besta e cobravam ao mesmo tempo, se aproximavam conforme caminhavam e suas mãos se tocavam de forma simples e gentil. Emanavam tanto amor que me senti salvo, de alguma forma.

A segunda vez os vi dentro do metrô. Estavam sentados e Izuku apoiava sua cabeça no ombro de Shoto. Eles estavam escutando alguma música e cantarolavam bem baixinho, trocavam olhares as vezes e Izuku voltava a se apoiar em sue ombro. Enquanto isso, rabiscava na palma da mão de Shoto alguma coisa com as pontas dos dedos. O meio a meio sentia cócegas e ria um pouco. Mais uma vez eu fui salvo.

E então a terceira vez. Eu costumava ir com frequência a uma galeria próxima da onde morava. Nela tinham alguns restaurantes, quiosques, lojas e na parte de trás dela tinha acesso a um parque ele não era gigantesco nem tinha nada de muito especial, mas era mais reservado que os outros. Apesar disso muitas pessoas o frequentavam.

Assim que peguei um lanche qualquer fui pra esse parque, costumava ficar na praça de alimentação mas nesse dia minhas pernas caminharam até a grama sem que eu percebesse. Cheguei próximo de uma árvore que tinha uma boa sombra e me sentei. Logo que comecei a observar todas as pessoas que passavam por ali pude sentir meu olhar ficando em câmera lenta e vi Izuku e Shoto, mais uma vez, juntos.

Eles tinham acabado de descer da bicicleta e procuravam um lugar para se acomodar. Enquanto o esverdeado se atrapalhava um pouco com sua mochila enroscada na blusa e na bicicleta, Shoto tentava ajudar servindo de apoio.

Continuavam rindo e não paravam de conversar. Izuku sempre com um sorriso estampada no rosto e Shoto mais sério mas tinham um semblante de felicidade. Logo de sentaram aonde não tinha sol mesmo e se esticaram na grama. Izuku rolou um pouco por ele até bater em Shoto, que comi resposta apenas fez um cafuné rápido e voltou a admirar o céu. Mais uma vez, eles me salvaram.

Essas lembranças são vívidas demais, consigo sentir o cheiro da grama e consigo sentir aquela felicidade toda.

Quando cheguei no torneio e me deparei com um Izuku triste meu mundo simplesmente parou. Não queria ver essa expressão em seu rosto, não queria sentir aquele vento frio que ele transmitia. Seu calor combinava muito mais com ele.

Quando vi Shoto senti a mesma coisa. Tudo que ele emanava era tristeza e sofrimento. Era diferente daquele menino que vi há uns meses atrás rindo com seu namorado fazendo besteiras.

Antes que eu pudesse perceber já nutria sentimentos por eles, de forma platônica claro. Afinal, eles já tinham encontrado sua alma gêmea e eu estava apenas sobrando por ali. Mas, apesar disso, queria vê-los juntos mais uma vez, queria que eles continuassem transmitindo o amor deles mesmo que em coisas mínimas. Sei que eles não precisavam de mim para se acertar, mas me sentir parte dessa situação fez com que eu me sentisse incluído, mesmo que por pouco tempo.

Então, antes que eu percebesse eles estavam novamente unidos. Eu queria isso, mas quando vi que meu tempo ao lado deles de fato não existiria, senti um vazio gigantesco.

Os dias no torneio foram passando e a cada minuto que compartilhava com eles pude sentir um turbilhão de emoções.

Como eu faço agora? Como eu vou embora e guardo essas memórias?

Quando eu tentava responder elas para mim mesmo, ouvia suas vozes me chamando e me trazendo pra perto do que eu tanto admirava. Almoço, jogos, conversas a toa.. tudo que eu participei já estava mais do que gravado em mim.

E então, quando perdi o jogo e vi ambos comemorando juntos e felizes com sua turma toda, senti que já estava na hora de deixar de lado qualquer sentimento no qual eu tenha me apegado.

O estranho foi que, desde o começo eu mostrei meu pior lado em todos os momentos, mas em troca eu tive um espaço que jamais pensei que ocuparia.

Enquanto ocupava minha cabeça com esses pensamentos, Shoto e Izuku me seguiam para o banheiro. Em meio a brincadeiras sobre Shoto estar com ciúmes de nós dois juntos (eu e Izuku), ele soltou a seguinte frase:

"Bravo? Quem disse que eu me incomodei de ver isso? O ciúmes foi por não estar participando também..."

Pude sentir meu corpo estremecer, da cabeça aos pés. Meus olhos que até então seguiam eles, estavam fixados em algum lugar qualquer do corredor.

O resto de suas palavras ficaram confusos, meu coração batia tão alto que não pude ouvir direito o que diziam. Quando me dei conta eles continuaram a andar e eu só consigo dizer:

"- Ei - ... - vocês poderiam... Me esperar?"

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