Tempos

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O tempo é relativo. Já dizia certo alguém. O tempo passa de maneira diferente de acordo com nossas subjetividades e nossos contextos. Do tédio ao ânimo, horas podem parecer minutos e minutos podem ser simplesmente intermináveis. É a magia sacana da existência. Nada é tão exato a ponto de ser sentido igualmente por todos nós.

Como o tempo passa rápido quando escutamos nossas canções favoritas, ou quando estamos com aquela pessoa que tanto estimamos. Preciso tocar sempre de novo e do novo Vérité, da Clarie Laffut, porque acaba tão rápido e parece que eu não aproveitei direito sua voz dentro da minha cabeça. E eu repito a música, incalculavelmente. O tempo passa e não nos damos conta, estamos mais perto da morte a cada vez que sentimos o tempo passar mais rapidamente. Cada vez mais velhos, cada vez mais próximos do inevitável fim, comum a todos os vivos.

E quando estamos naquele momento de pré-morte? Ou de extremo desafio? Parece que a Madame do Tempo faz de propósito, e faz com que esse momento vire uma eternidade, com o tempo estático, fazendo com que nós ansiamos para que tudo simplesmente acabe, a ponto de preferirmos morrer do que prosseguir do jeito que as coisas estão. A maldição do tempo é real, e estamos engolindo à força cada pequenino segundo eterno dentro de nossas mentes. O tempo não passa. Não termina. Não existe passatempo que faça o tempo acelerar. Simplesmente não há escapatória.

Deus, como eu odeio fazer exercício aeróbico. 

Desalinhos e TormentosOnde histórias criam vida. Descubra agora