Wang Yibo abriu os olhos inchados e ardidos e encarou, taciturno, o teto de madeira da sala de Fan.
Ele havia dormido mais horas do que o habitual, e mesmo assim sentia-se cansado e sonolento, como se tivesse passado a noite em claro - ainda que não tivesse trabalhado naquele dia ou ido ao ensaio.
Após um longo e afadigado bocejo, ele se sentou e deslizou os dedos pelo emaranhado de cabelo empurrando-o para trás. A casa estava silenciosa, o que indicava que Fan já havia saído para o trabalho.
Cada nervo em seu cérebro latejava dolorosamente. Ele agradeceu por não ter ninguém para conversar naquele momento, pois em seu estado de mau humor atual não seria uma companhia agradável.
Quando não estava sob o efeito dos comprimidos, Yibo se sentia péssimo. Parecia uma montanha russa, subindo e descendo constantemente do paraíso ao inferno.
A sensação depois de tomar um comprimido era semelhante àquela quando se está sentado no carrinho e ele começa a subir os trilhos, então você se arrepende de ter ido, mas percebe que não há nada o que possa fazer.
Enquanto a adrenalina está a mil, você chega ao topo da montanha e se vê prestes a cair. Ai vem aquele êxtase e o frio na barriga. E, no final da queda, você fica feliz por ter arriscado.
Entretanto, a "felicidade" encapsulada não é uma felicidade duradoura.
Inseguro, Wang Yibo pegou a pequena caixinha que Adam lhe dera, confirmando que só restavam dois comprimidos. Ele sabia que deveria guarda-los para situações extremas em que realmente necessitasse, mas ele estava tão mal que pensou "por que não?".
Não era como se ele estivesse cometendo algum crime ou erro grave, aquilo não afetaria ninguém além de si mesmo. No entanto, ele só tinha dois e, a menos que conseguisse mais, precisaria economizar.
Talvez devesse ligar para Adam?
Ele deixou a caixinha aberta em cima da mesinha de centro e ficou encarando-a, conforme sua mente começava a criar diálogos internos e travar debates contra a sua consciência.
Foi então que a campainha tocou dispersando sua atenção e Yibo se obrigou a levantar do sofá e se arrastar até a porta para atendê-la. Ele precisou abaixar o olhar para encontrar o rosto do visitante.
"Acordou agora?" perguntou Gun, após uma breve avaliação.
"Bem, sim" a voz de Yibo ainda continha resquícios da rouquidão matinal. Ele abriu mais a porta para que o amigo entrasse.
Sem demora, Gun entrou no apartamento. Ele tirou o casaco de lã e imediatamente explicou: "Fan-ge disse que você ficou muito doente, só queria saber como estava."
Yibo revirou os olhos. "Não foi nada demais. Aposto que ele exagerou e fez toda uma dramatização para contar."
"Na verdade, ele parecia um pouco preocupado."
"Exagero" reforçou Yibo, em seguida girou a chave na fechadura e seguiu Gun de volta a sala. "Eu estou melhor, você não precisava ter vindo até aqui. Eu sei que tem estado ocupado com as aulas de ballet e tudo mais."
"Oh, esqueça" Gun abanou as mãos com certa indolência. "Eu estou livre hoje, isso não é um problema. Além do mais, eu queria mesmo falar com você... Nosso último encontro foi meio estranho."
Desconcertado, Wang Yibo coçou a nuca e mirou os pés descalços. Ele havia se esquecido desse detalhe, da cena ridícula causada por Off e ele no jantar de comemoração de Gun.
Fosse certo ou errado, ele ainda achava que Off tinha se excedido ao reagir daquela forma, como se ele tivesse feito algo terrível e merecesse ser duramente repreendido. Sério, até parecia o seu pai.
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FROST
Hayran KurguWang Yibo já foi uma promessa no mundo da patinação, até decidir pendurar os patins antes mesmo de competir nas grandes ligas. Anos depois, ele leva uma vida tranquila (e sem tombos) até que uma visita ao rinque reacende velhos sonhos... e o interes...
