Doom

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O ano de 1944 estava passando mais rápido do que o esperado. Após o jantar temático de Halloween, todos os outros estudantes da escola tiveram conhecimento sobre o novo casal: Ilka e Tom.

Durante a primeira semana após a descoberta ambos foram bastante abordados pelos amigos, mas a comoção geral logo passou e aparentemente todos se acostumaram bem rapidamente com os dois mais juntos que o comum, andando sempre com a companhia do outro pelos corredores de Hogwarts, fazendo as refeições lado a lado e até mesmo trocando algumas carícias em público vez ou outra.

O recesso de natal e ano novo se aproximava e Ilka não queria voltar para casa. Não se sentia mais tão confortável reprimindo sua tia Batilda e forçando sua estadia na casa dela. Em contrapartida, não sabia se desejava passar o feriado em Hogwarts com Tom. Ela gostava sim do garoto, apreciava muito sua companhia, mas eles já passavam todos os dias juntos, e a garota sentia falta de um tempo a sós.

Pensou na possibilidade de tentar contato com seu pai, mas ele provavelmente estava bastante ocupado com todo o movimento que estava criando, com os bruxos que estava mobilizando, e seus próximos planos a serem colocados em prática.

Tinha medo de incomodá-lo, pois era assim que se sentia sempre que tentava se aproximar dele enquanto ele trabalhava: um estorvo.

— Um galeão pelos seus pensamentos – disse uma voz masculina, se aproximando da garota.

Ilka estava sentada, em um banco do longo corredor do térreo, sozinha. Possuía em mãos um livro, o qual não havia se dado o trabalho de sequer ler o título, pois na verdade estava distraída com os próprios pensamentos.

O livro era somente para que não ficasse tão estranho ela ali, sentada sozinha, olhando para o nada. A garota levantou a sua cabeça, para identificar quem quer que estivesse falando com ela. Leonard Sprout estava ali, de pé bem em frente a ela. Usava o uniforme do time de quadribol da Lufa-lufa, e parecia cansado, provavelmente acabara de sair do treino. A camisa estava úmida ao redor do pescoço, e seus cabelos estavam grudados na testa, provavelmente devido ao suor.

— Vai desperdiçar o seu dinheiro, não estou pensando em nada – respondeu, enquanto fechava o livro em suas mãos.

— Mentirosa, ninguém consegue ficar tanto tempo parada pensando em nada – retrucou o garoto. – Posso? – Perguntou, fazendo menção a se sentar no espaço vago do banco ao lado de Ilka.

Ela concordou com a cabeça e ele logo se sentou.

— Eu não estava parada, não vê? – Contra-atacou a garota, mostrando a capa do livro que carregava.

A conspiração dos trouxas, de Sinistra Lowe. Não se recordava de quando havia pego o livro, mas sabia que já o lera anteriormente. Era uma obra extremamente preconceituosa, onde a autora deixava claro a superioridade por parte de bruxos considerados de sangue puro, e como os mestiços e nascidos-trouxa eram a escória da sociedade.

— Você não estava lendo, Ilka, admita. Eu vim de lá – ele disse e apontou para a ponta oposta a que estavam no corredor, mostrando que era um longo percurso para se caminhar. – E desde lá eu te vi, você nem sequer passou a página, está aí feito uma estátua olhando para o nada. Tem algo acontecendo?

— Não que eu saiba, por quê? Você viu algo? Devo me preocupar?

— O que eu teria visto, Ilka? – Questionou, cruzando os braços contra o peito e escorando as costas na parede. – Pensei que teria algo a dizer, afinal, você parece estar tendo uma rotina bem agitada nesses últimos dias, não? Até começou um relacionamento... Você e Riddle, quem diria. Poderia ter me avisado antes, assim eu evitava ter o meu coração despedaçado.

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