- Te amo e quero tentar alguma coisa com você. - Arthur me abraçava, ao ouvir aquilo as minhas lágrimas não cessaram pelo contrário elas duplicaram. - Quando você me beijou ontem eu não sabia que aqueles eram os seus sentimentos em relação a mim. -
Nós nos levantamos e olhamos um para o outro, eu sentia tanta culpa por ter feito isso com ele, eu sei que não mereço o Arthur mas mesmo assim ele está aqui agora e não consigo deixar de me sentir feliz com isso, mas junto com a felicidade vem a culpa, culpa por não ter contado sobre o Do-Yun antes, por não ter contado do acidente que matou os meus pais, por ter esperado esse último mês passar sem dizer que eu tinha sentimento por ele, está tudo uma bagunça agora.
- Arthur nós precisamos conversar. - Limpei meu rosto com as mangas da camisa e peguei minhas coisas do chão.
- Claro que sim. - Arthur segurou na minha mão assim que virei de costas. - Eu não vou mais deixar você se sentir sozinho. -
Andamos até o carro e de lá ele perguntou se eu tinha algum lugar em mente, falei que um amigo tinha iria abrir um restaurante em um lugar no centro, e lá fomos. Durante todo o percurso não pude deixar de me sentir mal comigo mesmo, Arthur parecia feliz e agora que eu tenho certeza que ele me ama eu poderia apenas deixar toda essa merda de lado e viver com ele mas construir um relacionamento com base em uma mentira não funciona, foi assim com o Do-Yun e comigo...
Da janela do carro olhei para o céu, como eu amo olhar o céu, me ajuda a limpar a mente, eu só quero ser feliz com a pessoa que eu amo, mas eu amo os dois o Arthur já passou por uma situação parecida com essa no passado, não quero fazer ele passar por isso novamente, ainda mais agora que depois de anos sozinho ele conseguiu gostar de alguém e tive a sorte dessa pessoa ser eu.
- Chegamos. - Abri a porta do carro e coloquei o pé para fora mas o Arthur ficou em choque assim que viu aquele lugar. - Arthur? -
- Não acredito que esse lugar ainda existe. - Arthur desceu do carro e me esperou para atravessar a rua.
Os olhos dele brilharam quando ele viu o lugar mais de perto, era a cafeteria aonde o Rene trabalhou e a rua que atravessamos foi a mesma rua que o Rene foi baleado.
-Taichi! Que surpresa, você não disse que viria, e que traria visita. - Ha-jun estava tirando os móveis antigos de dentro da cafeteria.
- Olá Ha-jun, me desculpe por vir sem avisar é que eu queria te falar que aceito a sua oferta. - Ha-jun ficou surpreso.
- Mas assim do nada? - Ele soltou as caixas que estava segurando. - Quero dizer, isso é ótimo Taichi fico muito feliz que você tenha aceitado trabalhar aqui. -
Arthur olhou para mim e segurou minha mão.
- Obrigado Taichi. -
-Vamos entrando, ainda estamos arrumando mas vocês dois são bem vindos a qualquer momento, já temos algumas comidas preparadas para a inauguração na segunda, fiquem a vontade. - Ha-Jun abriu a porta para nós e nos mostrou uma mesa.
Nos sentamos na mesa e esperamos Ha-jun trazer o que ele disse que tinha. Sabia que esse lugar é muito importante para o Arthur, eu queria que eu soubesse que por mais que a vida tenha sido injusta com ele e com o Rene, eu vou fazer melhor. Ele olhava o lugar inteiro como se fosse a primeira vez que estivesse ali.
- Arthur, eu te trouxe aqui porque eu preciso contar tudo para você, eu quero contar tudo. - Respirei fundo e tomei coragem.
- Taichi... Você já se sente preparado para isso? - Ele se sentou na minha frente e colocou sua mão sobre a mesa.
- Sim, assim como você não conseguia falar do Rene antes eu também não conseguia falar do acidente, dos meus pais, da minha irmã, nem do Do-Yun, mas agora eu sei que por mais que isso possa criar um abismo entre nós eu preciso te contar a verdade para que um dia você possa me perdoar pelo que eu fiz. - Eu não conseguia olhar nos olhos dele, coloquei meus braços sobre a mesa e apertei minhas mãos de nervoso.
- Ei, eu já falei que vou ficar do teu lado. - Arthur colocou suas duas mãos por cima das minhas.
- Tudo bem, Minha família sempre foi pobre, nós vivíamos do salário do meu pai, eu, minha irmã mais nova, minha mãe e o gato o Dagui, meu pai trabalhava como auxiliar de limpeza numa empresa muito grande, o que ele ganhava dava para pagar o aluguel da nossa casa, comprar o básico de comida, e pagar a escola, um dia meu pai sofreu um acidente no trabalho, ele tropeçou no balde e escorregou na água, ele acabou dando um mal jeito na coluna ele não poderia mais trabalhar a empresa disse que pagaria um auxilio para ele mas o auxilio que eles estavam dispostos a pagar era menos do que o salário que meu pai recebia então, um dia minha mãe disse que iria falar com o chefe da empresa para pedir que a deixasse trabalhar no lugar do meu pai e receber o salário normal mas eu não deixei que ela se humilhasse daquela forma. - Arthur estava atento a cada detalhe que eu contava.
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Secret Lovers
RomancePessoas diferentes tem uma coisa incomum, todos tem um vício, algo que façam se sentir bem, algo que lhes de prazer, algo que por mais que parecer errado, algo que possa parecer "pecaminoso" mas gostam de fazer. Eu Taichi, não sou diferentes dessas...
