Respire fundo.
Ele respirou fundo.
Passava das três da madrugada quando Jimin estava na entrada do hospital. O lugar estava silencioso e vazio, os pacientes se encontravam dormindo e os enfermeiros, ocupados.
Jimin era o único naquele lugar, além dele.
Ele estava parado no fundo do corredor, parecia esperar que Jimin fizesse algo. Mas ele não fazia. Estava tomando coragem, por isso, respirou fundo.
Deu alguns passos para trás, fechou os olhos, se concentrou. Tentou voltar sua mente para o dia do acidente. Conseguiu ouvir a agitação do hospital. Naquela época, o hospital da lua era completamente diferente, estava sempre cheio, atendia emergências a todo momento, já que o grande hospital da cidade ainda não estava pronto.
Pessoas andavam para todos os lados, pacientes chegavam e saíam a todo momento, alguns conseguiam resistir, outros não, e esse era o dia a dia do lugar. Mas isso mudou quando a diretora Kim assumiu o comando: funcionários foram transferidos para longe, o número de pacientes diminuiu, junto a toda aquela agitação.
Talvez essa fosse a única coisa pela qual Jimin era grato, voltar ao hospital e ver que não era tão horrível e assustador quanto antes. Mas não era o hospital que o assustava, eram suas lembranças. E ele precisaria trazer todas elas à tona nesse momento.
Respirou fundo.
Com essas memórias em mente, ouviu pessoas correndo para o lado e para o outro. O ambiente não estava mais escuro e silencioso. Ouvia sirenes, via luzes vermelhas e brancas em seu rosto. Não sabia como tinha chegado ali, mas via pessoas ao seu redor, sua cabeça girava.
Percebeu que estavam o carregando para algum lugar, adultos o carregavam, adultos que falavam coisas que não faziam sentido para um menino de treze anos.
Olhou para o lado, ainda tonto. Era a diretora Kim, na época, enfermeira Kim. Ela parecia assustada. Assustada como Jimin nunca havia visto antes, estava completamente apavorada. Suas mãos estavam manchadas de sangue e tremiam enquanto segurava em sua mão.
Olhou em seus olhos naquele momento, tentando desvendar seus sentimentos, mas na mesma hora, uma luz invadiu seu rosto, Jimin parou de andar. Acordou de suas lembranças de repente, percebendo que ainda estava no escuro hospital, um zumbido surgiu, sua cabeça começou a doer. Ele ainda estava ali.
Respirou fundo. Suas memórias surgiram, muitas de uma vez, mas nada fazia sentido, tantas coisas, como peças embaralhadas de um quebra-cabeça enorme que Jimin não conseguia montar. Sua cabeça doeu, mas ele não podia parar agora que suas memórias estavam finalmente surgindo.
Suas mãos seguravam as suas. Eram tão pequenas quanto as dele, estavam tão feridas quanto as dele, mas ainda assim, as apertou forte.
Mais um som, sua cabeça parecia querer explodir, como as explosões daquele dia. Como no dia que viu o carro de sua mãe voar no ar com os dois dentro dele. Explosões.
Ele não podia impedir as memórias. Ele chegou mais perto.
Abriu seus olhos, olhando mais uma vez para o hospital claro, para as luzes brancas e vermelhas, olhou para o lado, um corpo era coberto, dois corpos eram cobertos.
Jimin estava tonto, fazia seu máximo para se manter de pé, não podia cair agora.
— Mantenha-se calma, senhora.
— Como espera que eu me mantenha calma? Isso tudo foi culpa daquele monstro!
Quem está falando? Quem é essa voz? Cada vez mais peças surgiam, cada vez mais desalinhadas. Ele estava na sua frente, seu corpo tremia da cabeça aos pés, mas ele não se movia.
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YOUR MASK - jikook
FanfictionApós um acidente, Jimin teve seu rosto desfigurado, usando uma máscara desde então. De repente, ele é obrigado a voltar para a cidade do acidente, fazendo suas lembranças começarem a voltar. Enquanto isso, Jungkook retorna a sua cidade natal com o...
