Estou andando de um lado para o outro em frente à lanchonete esperando que o Mit responda a minha mensagem. Fiquei responsável por fechar a lanchonete mais uma vez, e agora que estou sozinha aqui ele simplesmente sumiu do mapa.
Deixo um recado de voz em sua caixa postal, esperando que ele ao menos receba a notificação. Minha preocupação se esvai quando ele estaciona na minha frente, sorrindo quando eu reviro os olhos.
— Demorei? — eu coloco a minha cabeça para o lado e ele já sabe a resposta. — Foi mal, eu estava ocupado.
— Tudo bem, só não faça isso de novo. Você sabe que as câmeras de segurança daqui estão com problemas e eu tenho medo de ficar sozinha nesse lugar — ele abre a boca para falar algo, mas se cala quando eu subo na moto e me agarro à cintura dele.
A volta até a minha casa parece ser a mais rápida de toda a minha vida. Desço da moto com cuidado para não cair e abro a porta rapidamente, deixando com que Mitsuya a feche quando entrar.
Vou correndo para o banheiro, deixando a água gelada cair sobre o meu corpo enquanto penso sobre o dia de hoje.
Meus pensamentos são guiados para o convite do Mikey, o que me faz lembrar que eu não tenho o que vestir. Não sei o que falar, o que fazer ou o que esperar disso tudo.
Suspiro de insatisfação e afasto esses pensamentos, me lembrando de conversar com o Mit sobre isso assim que terminar o meu banho.
Pego o meu pijama de sempre e o visto, colocando uma presilha para segurar as pontas do meu cabelo. Passo o meu creme de pele e saio do quarto.
— Cheirosa! — Mit comenta quando eu sento ao lado dele no sofá, eu deixo um soquinho no peito dele, sorrindo com o elogio.
— Escuta, o que você costuma fazer em encontros? Tipo, o que as pessoas fazem? — ele arqueia as sobrancelhas, se virando completamente para mim.
— Está insinuando algo com essas perguntas?
— Claro que não! Só fiquei curiosa — finjo indiferença com o assunto e Mit chega mais perto de mim, como se conseguisse ler através dos meus olhos.
— Nada envolvendo um cara loiro que deve dar no seu ombro e é fascinado por bandeirinhas? — eu o encaro, fazendo com que ele dê risada da minha careta. — Tudo bem, Flora. O que quer saber?
— O Mikey me convidou para um encontro — digo de uma vez, sabendo que não consigo esconder nada do meu melhor amigo.
— O baixinho não perde tempo! — Mit ri da sua própria piada. Pelo menos eu não achei tão engraçado assim.
— É sério, Mit. Eu não sei o que fazer. O pior é que eu aceitei. Eu devia ter aceitado?
— Claro que devia, Flora. Pelo amor de Deus. O que te faz pensar que devia ter recusado? Tudo bem que vocês se conheceram a dois dias e não sabem nada um do outro, mas vocês podem se conhecer melhor nesse encontro. Prometo que o Mikey não vai te fazer nada de ruim, eu o mataria se isso acontecesse.
— Sei que sim — encosto a minha cabeça no sofá, em um conflito interno sobre ir ou não a esse encontro.
— Se quiser uma dica, eu acho que você deve ir. Falando sério agora. Pode ser divertido para você, e se não tiver mais gostando, pode me ligar na hora que eu vou te buscar nem que seja em outro país.
— Obrigada, Mit! — eu mexo no cabelo dele, o bagunçando levemente.
Nós sorrimos e eu o abraço, deitando a minha cabeça sobre o peito dele. Eu sou grata por ter o Mit na minha vida. Ele é a única pessoa que eu posso contar depois que os meus pais morreram. Ele é a única família que tenho agora.
[...]
— Bom dia! Como dormiu? Tive uma péssima noite de sono. Você acredita que a minha melhor amiga dormiu sobre mim na noite passada e eu tive que carregá-la até o quarto porque ela simplesmente não acordou? — dou uma risada falsa para o Mit e passo a minha mão pelo meu olho. — Brincadeira, gatinha! Você não costuma me dar trabalho.
Depois da minha conversa sobre o meu "encontro" com o Mit eu acabei pegando no sono sobre o peito dele e nem mesmo reparei. Quando acordei nesta manhã, eu estava na minha cama, completamente embrulhada e com a cabeça sobre o travesseiro.
— Já que você não trabalha pela manhã na terça-feira eu planejei fazer uma prova de roupas com você, o que acha? — eu bebo mais um pouco do meu café e me viro para ele.
— Por quê?
— E-N-C-O-N-T-R-O — eu dou risada pela maneira que ele pronuncia a palavra, terminando o meu café e deixando a minha caneca na pia para que eu possa lavá-la mais tarde.
— Sua modelo favorita está mais do que pronta — digo, o seguindo até o seu "ateliê particular", já que é assim que ele denominou o quarto que o ofereci para confeccionar as suas roupas. Como tinha um quarto sobrando na minha casa, decidi que era melhor ele costurar aqui do que em um quarto junto com suas duas irmãs.
— Que cor quer usar? — eu abro a boca para responder, mas ele me cala antes. — Que não seja amarelo — faço uma careta e ele percebe. — O quê? Amarelo não é sexy.
Eu reviro os olhos com o comentário dele, que usa seus piores argumentos para dizer que a minha cor favorita é patética.
Na minha defesa, amarelo é uma cor alegre e bem bonita. Isso basta para mim.
— Que tal vermelho? — ele me mostra um vestido com um tom de vermelho vivo e eu nego.
— Muito vulgar. Que tal esse? — tiro o vestido rosa claro do cabide e Mit analisa todo o vestido em questão de segundos.
— Sabe que qualquer coisa é melhor que amarelo, não sabe? — reviro os olhos pela centésima vez hoje e ele sorri pelo que parece ser a milionésima vez. — Tudo bem. Essa cor combina com você.
Eu concordo e me sento em uma cadeira no canto, esperando que o Mit faça todos os ajustes necessários para que eu possa experimentar o vestido.
[...]
— Então, o que achou? — sou surpreendida quando me olho no espelho, vendo o Mit segurar o tecido na minha cintura para que possa ajusta-lo.
— Eu amei! Será que não estou muito simples?
— Você está perfeita. Ficará mais ainda quando se arrumar por completo — eu concordo, deixando com que o Mit abaixe o zíper do vestido para que eu possa ir até o meu quarto e tirá-lo.
— Sabe de uma coisa? Eu não sei o que eu faria sem você — ele sorri convencido, dando de ombros com o meu comentário.
Eu vou até o meu quarto e tiro o meu vestido com cuidado, me enrolando em uma toalha. Mit tomou bastante do meu tempo e eu já estou quase na hora de ir trabalhar, por isso me apreço para tomar um banho rápido e procurar a minha calça jeans e a camiseta vermelha da lanchonete.
— Eu te deixo lá — Mit se levanta do sofá quando eu fecho a porta do meu quarto, pegando a chave da moto para poder me levar até o meu trabalho.
— Você sempre me leva — brinco, trancando a porta da casa. Solto um suspiro pesado, me preparando para o corrido dia que terei hoje.
Se cuidem <3
1.232 palavras
24/07/2021
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Seu sorriso {Mikey}
FanfictionFlora Takahashi é uma boa moça de 18 anos que trabalha em uma aconchegante lanchonete no centro de Tóquio. Sem muitos amigos e após perder os pais em um acidente de carro quando adolescente, Flora se tornou uma menina extremamente sonhadora e bondos...