Matteo Balsano.
Renascer. Me senti revigorado quando vi Luna na minha frente, sorri, e comecei a martelar na minha cabeça que ela poderia estar na minha sala de aula, ou melhor, na minha turma, pois eu ainda não tinha visto a folha de chamada no bloco da direção. Meu pensar estava cheio de esperanças e, quando nos abraçamos, senti que o coração dela e o meu batiam mais fortemente. Todavia, o único problema foi a chegada da irmã dela, que parecia que SEMPRE iria nos atrapalhar. Ela já havia sido empecilho no aeroporto, no quiosque, e agora, na escola. E, na hora em que ela chegou, revirei meus olhos.
- Bom dia para você também, Lavínia. Seu nome é este, sim? - perguntei em tom irônico.
- Com certeza. Não há nome mais bonito do que o meu, não acha? - ela respondeu no mesmo tom.
- Tem sim. "Luna", o nome de sua irmã. - trepliquei.
Ela fez uma expressão estranha de semicerrar os olhos, mas não me importei. Estava muito mais preocupado em estar com a dona dos meus pensamentos. Continuamos abraçados, mas, com a irmã dela nos observando. Por um tempo, pensei que a vida sempre preparou coincidências, mas, aquelas que estavam ocorrendo nas últimas semanas eram mais do que isso. Muito mais! Acreditava, inclusive, que tudo aquilo era um sinal dos céus para dizer que Luna e eu teríamos alguma coisa muito profunda.
Logo descobrimos que estaríamos na mesma turma. Aproveitei para dizer:
- Bom, já que vamos fazer parte de uma turma só, poderemos ser bons colegas, e quem sabe... quando tivermos algum trabalho em dupla... fazemos juntos. - Eu a observava com um sorriso no rosto, que me era devolvido com um "sim" na forma de balançar a cabeça.
- Vai ser maravilhoso... mas, eu não imaginava mesmo que nós fôssemos estudar no mesmo lugar, mas, já percebi que teremos mais tempo... - interrompi, deixando que a minha aguçada curiosidade pudesse "falar mais alto", isto é, prevalecer.
- Mais tempo... para quê?
- Para conversar, estudar, ter mais diversão... - ela me olhou de forma rápida e continuou - Eu gostei de você, e acho que vamos nos dar muito bem.
- A verdade é: quem não gosta de mim? - fiz uma expressão de bastante deboche, em que eu parecia um garoto mimado - Eu sou maravilhoso. E posso bancar todos os meus amigos, hein?
Ela escutou atentamente o que falei sobre "bancar meus amigos" - embora não fizesse questão alguma de esbanjar, uma vez que não tinha necessidade alguma e nem desejava ser ou parecer esnobe - parou de andar e me olhou de uma forma que ainda não tinha feito, mas que - na primeira vez - me marcou extremamente. Seus olhos pareciam fogo, não para me queimar, mas, para responder à ironia. Mantive a expressão e ela logo disse:
- Você é um mauricinho! - Gargalhei junto à ela, e até sua irmã riu e concordou, embora estivesse um tanto fora da conversa.
Logo que entramos no bloco do ensino médio, sentimos um forte cheiro de água sanitária e vimos que uma cadela havia acabado de parir ali. Eram os vira-latas mais lindos que eu já tinha visto, e sua mamãe os protegia de todos os cliques e possíveis aproximações. Assim que me aproximei, cheio de cautela, passei uma das mãos sobre os pelos da cadela, e ela sequer se moveu. Fiz bastante carinho e Luna logo se aproximou, com um certo receio, e até com mais cuidado do que eu. Logo vimos um velho senhor se aproximar, com seu fardamento que indicava seu nome e sua função na escola: "Firmino - Serviços Gerais". Ele puxou conversa rapidamente.
- Parece que a nossa mascote gostou de vocês. Ela é muito dócil, mas, valente quando tocam em algo que é dela. - ria.
- Quantos anos ela tem? - Luna perguntou antes de mim.
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Doce Deleite
Romance"Uma vida é feita de altos e baixos, ainda mais quando se tem uma irmã igual a você, e seus pais passam anos as comparando." Com esta premissa, inicia-se a história de "Doce Deleite", na qual, duas irmãs gêmeas passam a descobrir que não tem pratica...