"Baby, angels like you can't fly down hell with me. I'm everything they said I would be."
- Angels like you by Miley Cyrus.
Inglaterra, 2021-12:00 A.M.
Louis descansou o corpo de Harry rente ao topo dos três degraus da varanda e, em seguida, respirou fundo para não ter um colapso nervoso com a série de eventos recentes e o peso das asas em suas costas– Como penas podem pesar tanto? Por Deus.
— Você só precisa curvar suas omoplatas e imaginar que elas estão guardadas.- Styles murmurou ainda deitado no piso de madeira, algumas folhas grudavam em seus cabelos, mas ele não podia se importar menos. As íris verdes brilhavam. Louis nunca recebeu um olhar tão feliz e ingênuo quanto aquele. Harry o olhava como se dentro dele houvesse a resposta para a paz mundial e a felicidade.
Está declarado. Louis Tomlinson vai surtar em cinco, quatro...
— Cacete, você está sangrando!- sua voz sai esganiçada e seus joelhos automaticamente cedem ao lado de Harry ao avistar as asas brancas manchadas pelo vermelho escuro.
Ok, definitivamente seu surto pode ficar pra depois.
Suas mãos passearam por sua blusa ensopada de sangue e, cautelosamente, os dedos trêmulos tocaram sua asa ferida. Ele espera a permissão de Styles que nunca vem, mas ele também não se afasta, apenas desvia o olhar para um ponto qualquer atrás do menor. Louis sabe o que significa o ato e entende as lágrimas inundando a paisagem de seus olhos, porém resolve examinar a região machucada antes de pensar em como, de repente, deixou de ser o personagem secundário dessa história.
— Está bem feio, há algo que eu possa fazer?- pergunta reunindo as forças que lhe restam para agir com tamanha naturalidade diante da situação em que se encontra.
— Tem, mas você não precisa...
— Harry.- o repreendeu suspirando, estava exausto pelo turbilhão de emoções que logo teria que enfrentar e ver alguém que gosta sangrando não estava fazendo muito bem para o seu ânimo inexistente.
— Séculos atrás você...- Louis o fitou alarmado, sentindo seu batimento cardíaco na ponta dos dedos. Harry engoliu em seco, não imaginando como as coisas podem estar complicadas para seu amado.— me contou que para um anjo curar alguém só é necessário uma pena e sua lágrima.
Ele podia fazer isso, claro que sim.
Sem dar tempo para sofrer por antecipação, arrancou uma pena de sua asa e concentrou o incômodo nas suas glândulas lacrimais, liberando uma de suas gotas salgadas. Louis a colocou sobre o machucado de Harry e se afastou, assustado, ao que um clarão saiu da região lesionada– Ele diria que o brilho poderia cegá-lo, mas nessa altura do campeonato ele não sabe de mais nada sobre sua própria existência.
— Obrigado, angelus.- sorriu sincero, porém tímido, com uma única covinha aparecendo de relance. Antes que Louis tenha a chance de respondê-lo, a porta da frente se abre e Madelyn os encara com os lábios franzidos, mãos para trás das costas e postura ereta.
— Azrael, Asmodeus, entrem.- pediu antes de se virar e os deixarem sozinhos novamente com o farfalhar das folhas secas e o canto das cigarras.
Louis o olhou de relance, claramente desconfiado, Harry encolheu os ombros, se pondo de pé logo em seguida.
— Não me olhe assim, eu estou tão confuso quanto você.
Uma lufada de ar quente atingiu seu rosto corado pelo sereno ao entrar no chalé e, mentalmente, agradeceu pela senhora ter se lembrado de acender a lareira. Ele sentia suas mãos geladas pelo nervosismo e o enjoo eminente, seus passos vacilaram no piso de madeira e ele não previu que ao tentar segurar um vaso de cerâmica que bambeou em cima da mesa de canto, suas asas iriam derrubar o quadro de valor inestimável de Monet– cujo, para seu completo horror, caiu diretamente no guardador pontudo dos materiais de limpeza da lareira–.
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a little death {lwt+hes}
FanfictionQuando Louis sofre um acidente e morre por alguns segundos, antes de ser ressuscitado, ele acaba parando em uma orgia no inferno, onde tem um encontro quente com Harry, um dos sete pecados capitais, o demônio da luxúria. Mas ao voltar a vida, pensan...
