capítulo vinte e quatro.

474 36 3
                                        

Sara 👑

Charles me encarou enquanto limpava minhas mãos e eu abracei ele ignorando a dor dos meus músculos

Coringa: esquece a Sandra amor, ela não vai fugir com a Selma

Sara: ela é louca Charles, sabe lá o que ela vai fazer com a Selma se continuar viva

Coringa: vai matar sua irmã? Você não é a Sara de vinte anos atrás - suspirei

Sara: eu tenho que fazer isso, não posso correr o risco de perder a Selma - ele bufou - você sabe que ela é doida Charles

Coringa: pode ser diferente agora

Sara: não é nada diferente, para de defender ela por medo de eu voltar a ser aquela Sara - ele segurou meu rosto

Coringa: eu não quero te ver mal, Sandra desperta aquilo em você

Sara: eu juro que não vai acontecer nada, eu não posso deixar ela estragar nossa família

Coringa: ela pode estar só querendo um tempo com a Selma, vamos pensar nisso

Sara: ela tinha que ter pensado melhor antes de tentar trocar uma criança inocente por um comando - rebati - eu não vou deixar ela acabar com a nossa família

Coringa: pensa bem amor

Sara: ela é gananciosa, vai tentar manipular todo mundo que for possível pra se aproximar, vai fazer promessas de mudança, mas no fim sabemos que isso não vai acabar bem

Coringa: você tá tirando conclusões precipitadas, ela só deve tá surtada por causa de filhos

Sara: ela não sequestraria a Selma por isso, além disso ela deixou a Selma voltar pra casa no mesmo dia, é tudo um plano pra fazer a cabeça da Selma e ficar próxima da gente

Coringa: a Selma não vai deixar isso acontecer

Sara: ela vai porque Sandra é boa, assim que ficar próxima vai arrumar um jeito de me matar

Coringa: vamos fazer um teste - neguei

Sara: eu não vou dar brecha pra teste

Eu me levantei e fui andando até a sala que Sandra tá e quase dei um treco quando vi Selma conversando com ela

Sara: que porra é essa Selma? - ela me encarou

Selma: eu tinha que perguntar uma coisa - sorriu

Sara: você não tem que perguntar nada! - puxei ela - vai pra casa agora!

Selma: não machuca mais ela mãe, por favor - ri - só escuta o que ela tem pra dizer

Sara: não vou machucar ela, eu vou matar ela - rosnei

Selma: não! - falou alto e eu a encarei puta - será que você pode pelo menos uma vez fazer uma coisa por mim?

Sara: eu não vou deixar ela impune Selma, nem que você implore - apontei a arma pra Sandra que se encolheu - ela tá te manipulando pra você ficar contra mim, vai pra casa que eu cuido disso

Selma: eu não vou permitir! - entrou na frente da Sandra - ela também é minha mãe e você tem que ouvir ela

Eu ouvi aquilo incrédula, quando vi minha mão ardia pelo tapa dado no rosto de Selma que me encarou incrédula
Charles que ouvia tudo se aproximou e colocou a mão no meu ombro

Sara: eu sei que ela te disse coisas mas...chamar ela de mãe? - falei com a voz fraca

Selma: mãe! Eu amo você mas...- a interrompi

Sara: não - sussurrei forçando um riso por cima do choro - mãe a gente só tem uma e se você tá entrando na frente de uma bala por essa daí, significa que não sou eu, afinal, você saiu dela né - abaixei a arma

Coringa: sem estresse Sara - sussurrou

Selma: certamente saí dela, mas você que me criou, seu sangue tá em mim - a encarei com raiva e segurei seu maxilar

Sara: depois de tudo que eu fiz por você... espero que essa sua loucura valha a pena - falei com decepção - enquanto você tiver do lado dela, pode esquecer de quem sou eu

Selma: não precisa disso mãe, eu só quero que você me escute, por favor - neguei

Sara: tudo que ela disse é mentira, ela só tá dizendo o que você quer ouvir porque sabe que assim vai sair viva mas ela não te quer Selma, ela quer o comando, ela quer poder - apertei o rosto dela - abre os olhos, eu não te criei pra passar de otária

Selma: me solta - a soltei com desgosto - que assim seja! - falou cuspindo no chão e eu senti sua voz carregada de raiva

Eu me dirigi para fora daquela sala e nem senti a presença de Charles, guiei pra casa e fiquei na área da piscina me olhando pelo reflexo da água

Olha o que me tornei, uma imbecil que faz tudo pra levar uma facada nas costas, ainda mais da minha própria filha

Eu encarei meu reflexo enquanto me sentia destruída por dentro e senti meu corpo formigar, talvez pela quantidade de cocaína que inalei antes de entrar naquela sala e o efeito está chegando agora

Senti meu corpo amolecer como se eu estivesse deitada no colchão mais macio do mundo e logo a água azul tomou minha visão

FELIZ AGORA!Histórias para pegar e não largar. Descubra agora