capítulo vinte e seis.

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Selma 👯

Eu invadi a casa vendo Sandra mexendo em algumas coisas na sala e ela me encarou sorrindo

Sandra: oi filha - me abraçou

Selma: olha, eu quero que você vá embora - ela me encarou sem entender - você não merece morrer mas minha mãe merece muito menos e você estando aqui vai acabar acontecendo com uma das duas

Sandra: já entendi, você prefere a Sara do que a mim - abaixou a cabeça e eu continuei calada, a resposta é obvia - o que você quer que eu faça?

Selma: primeiro peça perdão para a Sara, por tudo como você disse que ia fazer, depois só saia do morro

Sandra: você vai me visitar?

Selma: vou tentar

Sandra: ok

Selma: as coisas são complicadas entende? Ver minha mãe daquele jeito tá me matando - solucei sentindo as lágrimas quentes nas minhas bochechas

Sandra: eu já entendi minha filha, Sara é uma pessoa maravilhosa - me abraçou - ela vai cuidar bem de você como sempre cuidou

Selma: eu queria te dar uma chance mas o que você fez pra minha mãe eu não consigo reverter

Sandra: você fez o possível, não precisa se culpar

Selma: eu não posso ser ingrata com ela, ela é minha mãe - Sandra suspirou

Sandra: eu sei

Selma: então vamos? - limpei o rosto me levantando

O caminho até o postinho foi como se eu estivesse caminhando no Alasca, parecia estar congelando e nem consegui respirar direito, só quero que tudo volte ao normal

Assim que chegamos no postinho eu senti minhas pernas tremerem, estremeci e abri a porta do quarto

Sandra: oi - todos que estão no quarto olhou pra ela

Meu pai me encarou de cara feia e eu me encolhi, ver minha mãe naquela cama sem eu conseguir fazer nada por ela tá me matando e eu preciso colocar um fim nisso

Selma: mãe, ela só quer te dizer uma coisa e ja vai embora do morro - minha mãe não esboçou nada e a Sandra se aproximou - eu prometo que é a última vez

Sandra: eu não quero confusão Sara - tentou se aproximar mas Caio sentou a encarando feio

Sara: saiam do quarto - eu olhei

Coringa: eu não vou sair - bateu o pé

Selma: eu também não

Sara: sai agora - rosnou

Caio e Carol saíram andando e Caio me puxou, meu pai veio atrás e ficou me olhando como se tentasse me entender, eu me aproximei dele e o abracei

Apesar de todos os erros que cometi, ele ainda sim me apertou de volta e cheirou meus cabelos, como sempre

Selma: eu não quero matar minha mãe - comecei a chorar

Coringa: você fodeu muito a Sara mas ela te ama - beijou minha cabeça o que serviu apenas para me fazer chorar ainda mais - ela sabe que você tá confusa e vai resolver tudo - sussurrou

Eu fiquei bons minutos chorando, não ouvi quase nenhum barulho vindo do quarto, fiquei preocupada

Quando cansei de esperar, abri a porta um pouquinho e senti meu corpo estremecer
A primeira reação que tive foi a que qualquer um teria

Eu puxei a arma da minha mãe que está por cima da cômoda ao lado da porta e mirei atirando nas costas de Sandra

Sandra que antes sufocava minha mãe com um travesseiro mirou contra mim e atirou em meu braço, doeu pra um caralho mas eu não parei e atirei mais duas vezes em seu peito a fazendo cair

Assim que a adrenalina passou e eu raciocinei de imediato caí no chão de dor, o ar parecia não se dar bem com meus pulmões, as lágrimas incontroláveis enquanto ouço passos rápidos

Minha mãe se debruça sobre mim e pela primeira vez em muito tempo a vejo desesperada

Ela aperta meu braço, eu não consigo desviar o olhar do rosto dela enquanto paro para pensar o quão linda ela é, quando vi o choro já estava bem pior

Sara: tá doendo muito? O que tá sentindo filha?

Selma: eu te amo demais, me perdoa - murmurei embolado e ela sorriu apoiando sua testa na minha - você tava certa de tudo, eu sou uma decepção - ela começou a chorar me abraçando

Sara: eu sempre vou te perdoar, você é minha filha - tentei apertar ela - você não é uma decepção, eu te amo e sempre vou te amar minha filha - beijou meu rosto

Selma: obrigado por não desistir de mim mãe - segurei a mão dela beijando seus pulsos - promete que não vai mais fazer isso?

Sara: prometo - sorriu beijando minha testa

Selma: agora chama uma enfermeira pelo amor de Deus, eu acho que tô morrendo - ela se levantou e correu

Eu me levantei aos poucos e sentei na cama encarando o corpo no chão, eu não senti nada

Acho que quando ela disse que queria pedir perdão pra minha mãe eu me empolguei demais e deixei me levar

Agora vejo o quão suja Sandra era, quis se aproximar só por interesse de matar minha mãe e tomar o morro, tudo um plano

Uma enfermeira chegou um tempo depois e fez os bagulho pra tirar a bala, minha mãe deitou do meu lado na cama e nós ficamos trocando umas idéias

FELIZ AGORA!Histórias para pegar e não largar. Descubra agora