Selma 👯
Eu invadi a casa vendo Sandra mexendo em algumas coisas na sala e ela me encarou sorrindo
Sandra: oi filha - me abraçou
Selma: olha, eu quero que você vá embora - ela me encarou sem entender - você não merece morrer mas minha mãe merece muito menos e você estando aqui vai acabar acontecendo com uma das duas
Sandra: já entendi, você prefere a Sara do que a mim - abaixou a cabeça e eu continuei calada, a resposta é obvia - o que você quer que eu faça?
Selma: primeiro peça perdão para a Sara, por tudo como você disse que ia fazer, depois só saia do morro
Sandra: você vai me visitar?
Selma: vou tentar
Sandra: ok
Selma: as coisas são complicadas entende? Ver minha mãe daquele jeito tá me matando - solucei sentindo as lágrimas quentes nas minhas bochechas
Sandra: eu já entendi minha filha, Sara é uma pessoa maravilhosa - me abraçou - ela vai cuidar bem de você como sempre cuidou
Selma: eu queria te dar uma chance mas o que você fez pra minha mãe eu não consigo reverter
Sandra: você fez o possível, não precisa se culpar
Selma: eu não posso ser ingrata com ela, ela é minha mãe - Sandra suspirou
Sandra: eu sei
Selma: então vamos? - limpei o rosto me levantando
O caminho até o postinho foi como se eu estivesse caminhando no Alasca, parecia estar congelando e nem consegui respirar direito, só quero que tudo volte ao normal
Assim que chegamos no postinho eu senti minhas pernas tremerem, estremeci e abri a porta do quarto
Sandra: oi - todos que estão no quarto olhou pra ela
Meu pai me encarou de cara feia e eu me encolhi, ver minha mãe naquela cama sem eu conseguir fazer nada por ela tá me matando e eu preciso colocar um fim nisso
Selma: mãe, ela só quer te dizer uma coisa e ja vai embora do morro - minha mãe não esboçou nada e a Sandra se aproximou - eu prometo que é a última vez
Sandra: eu não quero confusão Sara - tentou se aproximar mas Caio sentou a encarando feio
Sara: saiam do quarto - eu olhei
Coringa: eu não vou sair - bateu o pé
Selma: eu também não
Sara: sai agora - rosnou
Caio e Carol saíram andando e Caio me puxou, meu pai veio atrás e ficou me olhando como se tentasse me entender, eu me aproximei dele e o abracei
Apesar de todos os erros que cometi, ele ainda sim me apertou de volta e cheirou meus cabelos, como sempre
Selma: eu não quero matar minha mãe - comecei a chorar
Coringa: você fodeu muito a Sara mas ela te ama - beijou minha cabeça o que serviu apenas para me fazer chorar ainda mais - ela sabe que você tá confusa e vai resolver tudo - sussurrou
Eu fiquei bons minutos chorando, não ouvi quase nenhum barulho vindo do quarto, fiquei preocupada
Quando cansei de esperar, abri a porta um pouquinho e senti meu corpo estremecer
A primeira reação que tive foi a que qualquer um teria
Eu puxei a arma da minha mãe que está por cima da cômoda ao lado da porta e mirei atirando nas costas de Sandra
Sandra que antes sufocava minha mãe com um travesseiro mirou contra mim e atirou em meu braço, doeu pra um caralho mas eu não parei e atirei mais duas vezes em seu peito a fazendo cair
Assim que a adrenalina passou e eu raciocinei de imediato caí no chão de dor, o ar parecia não se dar bem com meus pulmões, as lágrimas incontroláveis enquanto ouço passos rápidos
Minha mãe se debruça sobre mim e pela primeira vez em muito tempo a vejo desesperada
Ela aperta meu braço, eu não consigo desviar o olhar do rosto dela enquanto paro para pensar o quão linda ela é, quando vi o choro já estava bem pior
Sara: tá doendo muito? O que tá sentindo filha?
Selma: eu te amo demais, me perdoa - murmurei embolado e ela sorriu apoiando sua testa na minha - você tava certa de tudo, eu sou uma decepção - ela começou a chorar me abraçando
Sara: eu sempre vou te perdoar, você é minha filha - tentei apertar ela - você não é uma decepção, eu te amo e sempre vou te amar minha filha - beijou meu rosto
Selma: obrigado por não desistir de mim mãe - segurei a mão dela beijando seus pulsos - promete que não vai mais fazer isso?
Sara: prometo - sorriu beijando minha testa
Selma: agora chama uma enfermeira pelo amor de Deus, eu acho que tô morrendo - ela se levantou e correu
Eu me levantei aos poucos e sentei na cama encarando o corpo no chão, eu não senti nada
Acho que quando ela disse que queria pedir perdão pra minha mãe eu me empolguei demais e deixei me levar
Agora vejo o quão suja Sandra era, quis se aproximar só por interesse de matar minha mãe e tomar o morro, tudo um plano
Uma enfermeira chegou um tempo depois e fez os bagulho pra tirar a bala, minha mãe deitou do meu lado na cama e nós ficamos trocando umas idéias
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FELIZ AGORA!
Aksi"Não encontram a felicidade aqueles que não passaram pela tristeza profunda"
