12. begging middle end

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Sinto meu coração acelerar e minha cabeça girar. Tento respirar fundo, mas é quase impossível me aliviar e não voltar a chorar.

Olho para a figura à minha frente ainda tão confuso com todas as revelações que passo a pensar que estou sonhando, porém não, é real, é de verdade e está acontecendo mesmo.

- E agora? - Questiono, aos prantos.

- Agora precisarei partir. Minha missão, apesar de tudo, foi finalizada com êxito. Deve ser um pouco chocante, ter se envolvido tanto, prestes a finalmente avançar com algo e de repente isso acontecer, mas você é forte, Jungkook. O amor é poderoso e vai te transformar mais uma vez, tenha certeza! - Assinto, sorrindo em direção à figura angelical.

Apesar do vazio instaurado dentro de mim provocado pelas revelações, estou me sentindo completo e pronto para seguir a minha vida da melhor forma que eu puder.

A figura de Jimin, que em seu interior é Taehyung, se aproxima de mim e me dá um selinho breve e intenso.

- Adeus meu amor. Se apaixone, viva, seja você. Viva intensamente. - Uma lágrima escorre por minha bochecha e sinto o toque em minha pele, enxugando-a. Fecho os olhos por um instante.

- Adeus amor.

Abro os olhos e não vejo mais ninguém. Sento-me novamente no banco e volto a chorar sem parar.

Não me sinto mal pela partida de Jimin, somente me sinto perdido. Me apaixonei e ao mesmo tempo tenho que lidar com toda essa situação.

Não tenho forças para caminhar e voltar para a minha casa. Estou abalado demais para fazer qualquer coisa nesse momento. Ouço o barulho de passos se aproximando de mim e ergo meu rosto, encontrando um jovem, talvez da mesma idade que a minha, olhando para mim, desolado. Seus olhos são bonitos e toda a sua expressão parece muito fofa. Já o seu cabelo é preto e seu estilo é marcante.

- Olá, você está bem? - Seu tom de voz é rouco e me arrepio por isso.

- Oi, eu vou ficar, obrigado. - Ele assentiu.

- Posso me sentar ao seu lado? - Balanço a cabeça, afirmando. - Meu nome é Jung Hoseok e o seu?

- Jeon Jungkook. - Ele sorriu.

- Muito prazer, Jeon Jungkook! Você parece um pouco atortoado, tem certeza que vai ficar bem? - Assinto.

- Sim, sim, não se preocupe.

- Posso te pagar um café? Alguma coisa que possa te deixar bem? - Sorrio, meu coração acelera.

- Sim, pode. - Ele ri e eu me junto a ele.

Jung Hoseok é um cara muito legal. Tagarelou o caminho todo, tentando arrancar um riso meu. Ele contou sobre sua vida pessoal e disse que tem sua própria marca de roupas e trabalha com a criatividade dia e noite. Então contei sobre mim, o que faço e acho que nunca me senti tão bem fazendo isso.

- Jungkook você é certamente o cara mais legal que já conheci em Busan, posso ter o seu contato? - Meu coração se aquece, tanto quanto o café quentinho que me preenche nesse dia ameno.

- Sim, definitivamente. - Sorrio a ele e pego o seu telefone de suas mãos para anotar o meu contato.

Hoseok prometeu se encontrar comigo mais uma vez naquela semana e então nos despedimos.

Incrível como em um único dia pude ter uma partida e uma chegada tão bem-vinda. Sou sortudo demais ou isso tudo é obra do destino, quem sabe até de algo ou alguém maior? Eu não sei, mas agradeço para onde e o que for.

Chego em casa e meu irmãozinho corre para me abraçar.

- Ei! Já falei pra não correr. - Falo, fazendo carinho em seu cabelo e ele sorri travesso.

Minha mãe se aproxima de mim, junto de meu pai.

- Achei que não daria sinal de vida por hoje. - Minha mãe comenta. Passara muitas horas depois de tudo aquilo, já era de noite.

- Jimin partiu. - Meus pais e inclusive meu irmão me olham profundamente.

- Ele o quê? - Minha mãe indaga.

- Jimin partiu, avisou hoje rapidamente que iria embora, foi pra outro país, Canadá. Decidiu se mudar, encontrar novos ares. Tudo o que tivemos foi muito bom e extremamente significativo. - Engulo seco. - Mas seguir em frente também faz parte do processo e ele me ensinou isso com maestria. Não estou magoado, chateado, sei que jamais iremos nos esquecer um outro.

Meu irmão veio me abraçar novamente, envolvendo seus braços ao redor do meu corpo.

- Nao fica triste, Kook! Vamos jogar uma partida de videogame? Diz que sim! - Dou risada.

- É claro que sim, dongsaeng¹! - Meus pais sorriram na nossa direção.

- Fique bem, filho! - Meu pai disse para mim antes que eu fosse para o quarto do meu irmão. Assinto, respirando fundo.

Fazia muito tempo desde que eu não me sentia tão próximo do meu irmão caçula. Nessa noite ele fez rir, me irritou, me abraçou. Me senti bem pelo dia ter acabado  da melhor forma possível.

Com uma significativa partida, ganhei tantos aprendizados.

Naquela semana contei para Seokjin e Namjoon o que tinha ocorrido e me demonstrei muito forte com toda aquela situação.

E tinha Jung Hoseok, o cara legal do parque de sorriso leve e olhar brilhante que me levou à cafeteria e me mandava mensagens durante o dia. Ele me convidou pra sair em um jantar, em outro dia para o cinema e em outro para a sua casa. Naquele dia nos beijamos e foi muito bom.

E foi muito bom porque foi real, sincero e espontâneo, como a minha chance de seguir em frente apareceu para mim em um encontrão no meio da rua.

FIM

¹dongsaeng: irmão mais novo.

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