Capítulo 27

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A morte é uma coisa engraçada, as pessoas nascem, crescem, se apegam umas as outras e de uma hora para outra morrem! Por que nos apegamos tanto uns aos outros mesmo sabendo que morreremos?

Tenho pensado em Lídia, mais do que o normal, me lembro que a última coisa que ela me disse foi para cuidar do nosso bebê. Eu achei que ela estava se referindo aquele momento, para não deixar nossos pais o machucarem enquanto ela descansava. Mas quando eu recebi a noticia que havia morrido, eu finalmente entendi, ela sabia que iria morrer.

Lídia foi a melhor pessoa com quem eu tive o prazer de viver, foi a pessoa por quem eu não hesitaria um segundo para proteger. E se naquela época eu soubesse do que eu sei tudo seria diferente.

Meu pai voltou, e junto com ele trouxe respostas que eu busco a anos.
Ele e Bryan parecem estar se dando bem, o pequeno está animado por de repente ter tantas pessoas por perto.

2 horas antes

Ouço alguém abrir a porta e vejo Lena entrando com algumas sacolas nas mãos.

– Bom dia – Sorri para mim pondo as sacolas ao meu lado.

– Bom dia? É isso que vai me dizer depois de ficar dias sumida? – Pergunto.

– Eu avisei que ia ficar uns dias fora! –Exclama com se isso resolvesse tudo

– Por mensagens, depois de me dizer que ia se encontrar com o maluco lá – Me levanto e a analiso, marcas roxeadas em seu pescoço me deixam preocupada. – Ele te machucou? Fez alguma coisa com você?

– Não – Murmura, ela cobre o local com as mãos percebendo que estou olhando para lá.

– Tem certeza, Helena? – Aponto para seu pescoço coberto pela sua mão e percebo leves marcas de corda em seus pulsos. – Você tem que me contar! Se ele estiver te machucando precisamos ir à polícia.

Ela abaixa a cabeça negando, essa é uma das primeiras vezes que vejo Lena envergonhada.

– O Sam não vai fazer nada para me machucar, não se preocupe com isso – Diz, tira as mãos do pescoço e caminha até mim...mancando.

– Tá legal! Não sei o que está acontecendo, mas claramente aconteceu alguma coisa. Se ele não te machucou o que aconteceu? – Pergunto, a encaro fixamente em busca de respostas. – Marcas de corda nos pulsos, seu pescoço está cheio de marcas roxas, e droga, você está mancando!

Ela me olha contendo uma risada e franzo o cenho.

– É fofo perceber que os gêmeos não acabaram com sua inocência, Lily – Murmura sorrindo. – Eu e ele temos uma trégua, e para selarmos nosso acordo fizemos um sexo de reconciliação... acontece que o Sam não é muito... convencional quando se trata disso.

A encaro chocada.

– Então você o perdoou? É isso?

– Não tinha o que perdoar, nos resolvemos tudo antes de eu voltar para casa – Explica. – Eu só estava brava com ele por... bem, o motivo não importa.

– Se você está feliz eu estou feliz – Sussurro a abraçando.

– Lily... ele quer vir jantar aqui, conosco – Murmura, me desvencilho do abraço e suspiro.

– Tudo bem – Dou de ombros.

– É sério? Não vai ficar irritada, nem nada? – Solto uma risada negando.

– Claro que não! Lena, o apartamento é seu, você tem o direito de receber quem quiser. Além do mais eu quero conhece-lo – Dou de ombros.

– O apartamento é nosso – Corrige. – E você é minha irmã e melhor amiga, sua opinião é importante para mim. Além do mais, será que você pode cozinhar? Ele é um ótimo cozinheiro, não quero que ninguém morra envenenado caso eu resolva cozinhar hoje.

– Fica tranquila, vou fazer o jantar e preparar os meninos para que eles não tentem o matar durante o jantar.

– Preciso ir, eu só passei para te avisar e deixar essas coisas aqui – Aponta para as sacolas. – Tem algumas coisas para vocês quatro.

Ela não me deixa falar, me abraça e corre desengonçadamente para o quarto. Suspiro e mexo nas sacolas vendo o que ela comprou dessa vez.

– Oi amor – Sinto beijos serem deixados em meu pescoço e mãos apertando minha bunda.

Me viro e vejo que Oli e Ethan chegaram, olho em volta e percebo que Lua e Bryan estão sentados no sofá do outro lado comendo um pacote de salgadinhos.

– Oi bebês – Murmuro sorrindo. – Quem foi que deixou as crianças comerem essa porcaria? Não são nem onze horas!

– Amor...

– Foi o Ethan – Oli dedura o irmão antes que ele tenha a chance de se explicar. – Eu disse que você ficaria brava, mas ele disse: Minha Lily nunca ficaria brava comigo.

Gargalho com a forma que Oli imitou a voz do irmão, quando na realidade são praticamente idênticas.

– Eu não falo assim! – Ethan reclama ofendido. – Minha voz é assim? Minha Lily?

Ouço Oli resmungar algo sobre irmãos, orfanato e lixeiras e sorrio.

– Não amor, sua voz é perfeita. Assim como você – Selo seus lábios macios.

Oli entra no meio de nos me separando de seu irmão, não estou entendendo-os, parece que tem ciúmes um do outro, mas quando estamos juntos, intimamente isso não acontece.

– Estou indo, beijos – Lena avisa passando por nós e beijando as crianças. 

– Oi Lena – Luana sorri acenando.

– Oi meu amor, estou um pouco atrasada agora, mas prometo te dar atenção mais tarde – Minha amiga promete  – Lily, vamos estar aqui as sete e meia, tudo bem?

– Tudo bem – Digo. – Ei! O que eu devo cozinhar?

– Comida – Murmura, mas eu espero uma resposta melhor. – Aí, eu não sei! Você sabe que se eu tiver que cozinhar morro de fome. Você pode decidir, só não faça algo muito pesado, ele é sensível para comida.

– Ele? – Oli e Ethan perguntam ao mesmo tempo, é engraçado que eles se entendem bem quando estão com ciúmes de outra pessoa.

– Um amigo dela, não sei quem é – Minto, acho melhor que ela diga a eles quando estiver pronta para rotular o que ela e ele são, além de pais.

– Foi só eu que reparei que ela estava mancando? – Ethan pergunta sorrindo malicioso. – Acho que essa deve ser uma boa amizade.

– Ele vai jantar aqui? Sabe quantos garotos Helena apresentou para a família? – Oli murmura – Nenhum.

– Aquela lá é terrível, já deve ter dormido com metade da cidade – Ethan diz.

– E você com a outra metade, não é mesmo – Percebo que eles se encaram de forma intensa. Tem alguma coisa acontecendo e eles não querem me contar.

– Esquece isso, Oliver – Ele resmunga, Ethan raramente fica sério. – É passado, não é?

– Isso não muda o fato que você dorm...

A campainha toca, eles param de discutir e me levanto indo abrir a porta, Bryan começa a chorar e o pego no colo abrindo a porta.

Meu coração para por um segundo antes que eu possa processar quem está a porta.

Pai? – Sussurro sem acreditar.

Bryan para de chorar na mesma hora, tudo fica no mais completo silêncio.

– Oi, Lily.

Meu mundo desaba.

♥♥♥

Our Sweet LilyHistórias para pegar e não largar. Descubra agora