O bosque estava coberto por uma névoa densa, e cada galho que se quebrava sob os pés delas soava como um disparo no silêncio da noite. O frio mordia a pele, mas nenhuma das três parecia se importar. Nat caminhava à frente, o rosto endurecido, os olhos fixos em um ponto invisível adiante. O silêncio que ela carregava era mais pesado do que a escuridão ao redor.
Emma, que vinha logo atrás, não conseguia mais suportar a tensão.
— Nat... — chamou, a voz baixa, mas firme. — Por que você ainda está aqui?
Nat não olhou para trás. O capuz do casaco escondia metade do seu rosto, mas Emma percebeu o leve estremecer dos ombros. Nenhuma resposta. Apenas o som cadenciado das botas contra a terra úmida.
— Você não precisa ir junto — insistiu Emma, agora com uma ponta de impaciência. — É arriscado demais.
Nat parou tão abruptamente que Regina quase colidiu com ela. Virou-se devagar, os olhos brilhando como lâminas na escuridão.
— E acha que eu não sei? — a voz dela soou quase um sussurro, mas carregada de ferro. — Você acha que eu não sei que posso sair morta daqui?
Um músculo tremeu em sua mandíbula. — Eu não ligo. Eu ligo se a Amelia vai estar viva.
Respirou fundo, quase um rugido contido. — Podemos focar no que tem que ser focado agora?
O silêncio voltou, espesso. Regina avançou um passo, a capa roçando nas folhas secas. O olhar dela suavizou ao pousar em Nat.
— Amelia é um dos amores da minha vida — disse, a voz grave, mas repleta de calor. — Não a tenho só como afilhada, mas como filha também.
Fez uma pausa, o vento bagunçando uma mecha de cabelo escuro em seu rosto. — Eu sei que tem muita coisa errada nessa história... mas fico muito feliz em saber que Amelia encontrou o que sempre quis: amor verdadeiro.
Nat abaixou os olhos por um instante, como se aquelas palavras fossem ao mesmo tempo bálsamo e ferida. O ar ao redor pareceu se aquietar, apenas o bater distante de asas noturnas ecoava. Então, sem mais, ela se virou e continuou a caminhada. Emma e Regina trocaram um olhar rápido — uma mistura de apreensão e determinação — e seguiram logo atrás.
A trilha os levava cada vez mais fundo, para onde a escuridão parecia engolir a luz. Cada passo as aproximava não só de Cora, mas de algo maior e mais perigoso do que podiam prever.
A figura pendurada pela corda mal conseguia manter os olhos abertos, o corpo exausto e sem forças. Cada respiração era um esforço, cada batimento cardíaco um eco distante de vida.
— Posso pelo menos levar água para ela? — perguntou uma voz rouca, cheia de uma mistura de culpa e desespero. — Para matar ela em frente a Emma, ela pelo menos tem que estar viva.
Um aceno de cabeça foi a resposta, acompanhado por murmúrios de feitiços. Passos pesados desceram as escadas, e um copo de água foi estendido para a figura pendurada.
— Trouxe água pra você — disse a voz, suave, mas carregada de emoção.
A figura levantou a cabeça com dificuldade, os olhos turvos e cansados. Mesmo assim, tentou recuar, um instinto de autopreservação em meio ao desespero.
— É só água, ok? Se acalma — a voz insistiu, e uma mão gentil, mas firme, colocou o copo em seus lábios, inclinando-o lentamente.
A água desceu pela garganta, um alívio momentâneo em meio ao sofrimento. Um sussurro baixo, quase inaudível, escapou dos lábios rachados.
— Obrigada...
— Eu sinto muito, eu... — a voz começou, mas foi interrompida por passos decididos.
— Killian, pegue um balde com água — ordenou uma voz fria e autoritária.
Ele obedeceu, seus movimentos rápidos e eficientes. Voltou com um balde, a água gelada e cristalina refletindo a luz fraca.
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Uma outra realidade
FanfictionUma menina de uma realidade totalmente diferente chega em NY. Amelia é a filha mais nova da branca de neve e do príncipe encantado, Amelia é irmã de Emma e Neal e assim como Emma nasceu com poderes muito fortes porém por ser a mais nova e a princesi...
