Um mês se passara desde que tudo acontecera. O ar da casa parecia sempre carregar um resquício de silêncio tenso, como se as paredes soubessem mais do que permitiam revelar. Amelia falava com sua madrinha e com Emma todos os dias pelo telefone, mas ninguém — ninguém — havia tido a coragem de contar a ela sobre a suposta profecia que Cora mencionara.
Na sala, a voz grave de Natasha cortou o ar abafado.
— Precisamos contar pra ela.
Amelia, a caminho da cozinha, estacou no corredor. O chão frio pareceu vibrar sob seus pés descalços. Ela se encostou na parede, o coração batendo forte demais, cada pulsação ecoando no ouvido como um tambor distante.
Wanda respondeu, a voz quase um sussurro, mas carregada de tensão.
— Não podemos. Nem sabemos se o que aquela bruxa falou é real. Ela ainda tem vinte e quatro anos... temos tempo pra descobrir, sem que ela saiba.
O som suave da geladeira ao fundo contrastava com o peso das palavras. Amelia sentiu a respiração acelerar. Um gosto metálico se formou em sua boca.
Tony soltou um suspiro cansado, o timbre rouco soando como ferrugem.
— Ela tá certa, Nat... Ela passou por muita coisa. Precisa de uma folga.
Natasha lançou um olhar que Amelia não pôde ver, mas que parecia cortar o ar.
— Não posso mentir pra ela. É da vida dela que estamos falando.
— Nat... — Wanda murmurou, a hesitação tremendo na voz.
— Não, eu não vou mentir pra ela. — O tom de Natasha soou como uma lâmina, afiada e irredutível.
— Ela não tá estável o suficiente pra isso agora, Natasha. — A voz de Wanda vacilou, como se cada palavra pesasse toneladas. — Ela ainda tem machucados cicatrizando... tem pesadelos, crises de pânico.
Natasha inspirou fundo, a respiração lenta, pesada.
— Eu sei disso. Afinal, quem acalma ela sou eu.
Um silêncio quase palpável caiu sobre a sala. Amelia conseguia sentir o calor do próprio sangue fervendo. As duas se encararam; o ar parecia eletrizado. Wanda suspirou, um som de exaustão e medo.
— Natasha... — foi tudo o que ela conseguiu dizer.
— Eu não vou mentir pra ela. Se você quiser esconder e fingir que não sabe de nada, boa sorte. Eu conto pra ela hoje. Já se passou um mês.
Nesse instante, o telefone de Natasha vibrou na mesa, quebrando o momento como um estilhaço de vidro. Ela suspirou.
— É a Cordelia. Preciso atualizar ela que Amelia tá bem.
Sem mais uma palavra, Natasha deixou o cômodo. O som firme de seus passos reverberou pelo corredor. Wanda soltou outro suspiro, longo e frustrado.
Amelia, imóvel atrás da parede, sentiu o ódio subir como uma onda quente, queimando-lhe o peito. O ar parecia mais denso, difícil de respirar. Eles estavam escondendo coisas dela. Sem fazer barulho, ela se virou e subiu para o quarto, trocando de roupa com movimentos rápidos e trêmulos.
Na sala, Wanda quebrou o silêncio.
— E agora?
Tony apoiou os cotovelos nos joelhos, a voz baixa, resignada.
— Você não consegue controlar a Nat...
— Disso eu sei. — O murmúrio de Wanda carregava uma fadiga amarga. — Eu só acho que não devíamos contar se não temos certeza.
Tony olhou para o relógio, o tique-taque parecendo mais alto do que deveria.
— Tá na hora da última dose das injeções dela. Quer ir lá?
Ele estendeu o frasco, e Wanda pegou-o com um suspiro que parecia carregar todo o peso da noite. Ela se levantou, passos lentos, o coração apertado, levando consigo o frasco que brilhava sob a luz fria da cozinha.
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Uma outra realidade
FanfictionUma menina de uma realidade totalmente diferente chega em NY. Amelia é a filha mais nova da branca de neve e do príncipe encantado, Amelia é irmã de Emma e Neal e assim como Emma nasceu com poderes muito fortes porém por ser a mais nova e a princesi...
