Capitulo 61

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Elas saíram do banho enroladas nas toalhas, o vapor ainda dançando no ar e o cheiro de sabão misturado à pele quente preenchendo o quarto. Natasha se sentou na beira da cama, o cabelo pingando sobre os ombros, enquanto Amelia procurava uma roupa dentro da mala aberta.

— Quer me explicar como vai fazer? — perguntou Nat, ainda com a voz sonolenta, mas o olhar atento.

Amelia soltou o ar devagar, como quem se preparava para dizer algo que soava absurdo até para si mesma.

— Bem... é meio louco, mas pra dar certo tem que ser feito no passado, na lua cheia — começou, ajustando a toalha ao redor do corpo. — O que foi ontem, no caso. E eu preciso que você saia com a Malévola pra que eu possa invadir o cofre dela e roubar a poção pros ajustes finais do feitiço.

Nat arqueou uma sobrancelha, deixando escapar uma risada curta.

— O que foi? — perguntou Amelia, franzindo o cenho enquanto vestia uma camiseta.

— Nada. É só que... você é ciumenta e tá me pedindo pra sair com outra mulher — respondeu Nat, ainda rindo, cruzando os braços.

— Vai se ferrar. — Amelia tentou parecer séria, mas o canto da boca denunciava o riso contido.

Natasha terminou de vestir a calça jeans, fechando os botões com calma.

— Como você vai voltar no tempo?

— Com outro feitiço... — respondeu Amelia, prendendo o cabelo em um coque rápido. — A Zoe vai me ajudar com esse.

— Tem certeza que não vai exigir muito de você? — perguntou Nat, agora num tom mais baixo, o olhar cheio de preocupação.

Amelia parou, hesitante. Por um momento, a confiança habitual pareceu estremecer.

— Você acha que eu não consigo? — disse ela, em voz baixa, tentando esconder a insegurança.

— Eu acho que você consegue... — respondeu Nat com firmeza. — Mas a que custo?

O silêncio entre as duas pesou por alguns segundos. Amelia suspirou e, por um instante, o brilho dos olhos dela pareceu quebrar.

— Eu prometo pra você que depois disso eu tiro umas férias — disse, aproximando-se dela. — A gente viaja, fica um tempo só nós duas, sem pensar em trabalho, em profecia, em nada que não seja nós duas. Okay? Mas me deixa fazer isso... eu quero deixar ela feliz.

Natasha olhou pra ela, séria.

— Você promete?

Amelia sorriu e estendeu a mão, o mindinho erguido como quando eram adolescentes.

— De dedinho.

Nat deu uma risadinha e entrelaçou o mindinho no dela.

— De dedinho, então.

— Agora vamos tomar café — disse Amelia, tentando soar leve.

— Acabei de tomar faz cinco minutos — retrucou Nat, divertida.

— Problema seu. — Amelia riu, saindo do quarto e descendo as escadas.

Na cozinha, Regina e Emma já estavam sentadas. O aroma de café fresco preenchia o ambiente.

— Bom dia — disse Amelia, abrindo um sorriso.

— Eu senti saudade — respondeu Regina, levantando-se para abraçá-la.

— Eu também, dinda — disse Amelia, apertando o abraço.

Nat entrou logo depois, pegando uma caneca de café.

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