Capitulo 75

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Amelia digitava rápido, os olhos fixos no código na tela.
Nat se aproximou e apoiou as mãos na mesa.
— O telefone que você pegou dela... conseguiu alguma coisa sobre ele?
— Pouca coisa ainda — Amelia respondeu, sem desviar o olhar.

Nat puxou uma cadeira, sentando ao lado dela. Em segundos, seus dedos começaram a correr pelo teclado.
— Que pasta é essa? — Amelia perguntou, franzindo o cenho.
Nat clicou, abrindo uma sequência de arquivos criptografados.
Silêncio.
As linhas começaram a se desenhar na tela, e Amelia prendeu a respiração.

— Oh, meu Deus... — murmurou.
Nat virou para ela.
— O que foi?
Amelia levou a mão à boca.
— Ele não tá planejando só te matar, Nat.
— Como assim?
— Ele quer repetir o que fizeram com o Bucky. Não só com a gente, mas com todos os Vingadores. Ele precisa começar por você... e depois, a Wanda.

Nat estreitou o olhar.
— Por quê? De onde vem isso?
Amelia girou o monitor para ela.
— Porque talvez ele esteja tentando reerguer a Hydra. Olha esses arquivos. Ele conhecia Dreykov. Isso começou com você por um motivo.

A tela mostrava fotos, relatórios, datas, gravações — e rostos conhecidos.
Todos os Vingadores.
Cada fraqueza. Cada segredo.

Nat recostou na cadeira, o olhar perdido por um instante.
— Ele sabe tudo sobre nós... cada erro, cada limite.
Amelia assentiu, a voz mais baixa.
— E começar por você é simbólico. Você foi a mais treinada, a que sobreviveu a tudo. Matar a mulher que ele mais amou seria a coroação perfeita pra ele.

O silêncio se tornou pesado.
Até que Amelia murmurou:
— E tem outra coisa...
— Fala.
— Se eles conseguirem pegar a Wanda... acabou.
Nat entendeu na hora.
— Manipulação mental. — Ela se levantou, já pegando a jaqueta. — Eu vou pra sede. Conto tudo pro resto.
— Eu fico e tento rastrear ele. Vai com cuidado.

Nat apenas assentiu.

Minutos depois, o motor do carro rugiu na garagem.
A cidade ainda estava meio vazia, o sol começando a nascer.
Ela respirou fundo, tentando processar tudo — até que um som seco ecoou.

O carro estremeceu.
Um dos pneus explodiu.
O volante girou com força, o carro derrapou e capotou várias vezes, o mundo girando em flashes de luz e metal.

E então, silêncio.

A fumaça subiu devagar, cobrindo tudo.

Nat respirava com dificuldade, as mãos trêmulas ainda no volante retorcido, o metal cortando sua pele. O sangue escorria pelas costas de sua mão, formando gotas vermelhas que pingavam no chão. Ela empurrou a porta do carro com força, sentindo uma pontada de dor no ombro, e saiu do veículo amassado, o som de metal se arrastando ecoando pelo ar.

Um corte fino, mas profundo, marcava sua testa, sangue escorrendo pela face, se misturando com o suor. Ela levou a mão até o ferimento, sentindo a umidade quente, e ao erguer o olhar, o viu. Do outro lado da rua, Bucky Barnes, seu olhar frio e desumano, a arma apontada diretamente para ela.

— Droga, James... — sussurrou, a voz falhando, o coração batendo acelerado no peito.

Num movimento rápido, ela lançou os Widow's Bites. As faíscas elétricas cortaram o ar, forçando Bucky a se proteger, mas não antes que uma delas acertasse seu braço, deixando uma marca vermelha e queimada. Nat aproveitou o segundo de distração para correr, se jogando atrás de um carro destruído, sentindo cada impacto no chão reverberar por seu corpo dolorido.

Pegou o celular, os dedos tremendo, o sangue escorrendo e manchando a tela.

— Por favor, me diz que você não tá ocupada — murmurou, apertando o botão de ligação, a voz carregada de desespero.

Uma outra realidadeOnde histórias criam vida. Descubra agora