Capitulo 88

204 22 65
                                        


O incêndio ainda lambia as tábuas quando Regina irrompeu pelo portal, o rosto duro como pedra. Seus olhos vasculharam a casa em chamas até pousarem numa figura — Malevola — que se mantinha ereta, soberba, como se o mundo inteiro fosse seu trampolim.

— Onde está a Mary Margaret? — Regina exigiu, a voz rígida de comando.

Malevola soltou apenas um riso frio, o som raspando na fumaça.
— Você nunca vai saber. — A resposta foi um sopro de desprezo.

Regina não esperou. Um gesto curto e a magia a lançou contra uma pilastra chamuscada; Malevola cambaleou, mas manteve a arrogância no rosto.
— Você não pode me matar — provocou ela, recobrando a postura com sarcasmo cruel — porque, se me matar, seu lado negro volta.

As palavras caíram como lama. Regina ficou imóvel por um segundo, a respiração controlada, o olhar queimando de promessa. Era um aviso — e um risco.

Amelia emergiu da casa tossindo, o cabelo grudado às faces sujas, os olhos flamejando de ódio e exaustão. A fumaça ainda raspava sua garganta, mas havia algo mais forte que o cansaço: uma decisão cristalina.
— Ela não pode... — murmurou Amelia, mas a frase morreu na fumaça.

E então, com um impulso que parecia arrancado do céu, Amelia elevou-se. A magia tratou-na como um cabo de aço — sua forma tremia, mas subiu, pegando Malevola pelo ar como se fosse uma boneca que precisava ser estendida para averiguação. A vilã arfou, o ar faltando em seu peito enquanto Amelia a segurava suspensa, olhos ardendo.
— Me diga onde minha mãe está! — Amelia rugiu, as palavras queimando como brasas.

Malevola cuspiu fogo e desdém. — Nunca. — A palavra veio seca, como um desafio.

Natasha apoiou-se encostada num pedaço de muro que ainda tremia com a conflagração, o bebê aninhado contra o peito, o pequeno corpo tremendo nas suas mãos. Ela observava, cada músculo em alerta, pronta a intervir. A raiva dela era um aço frio, contido — preparado para cortar.

— Temos sua filha, Malevola. — A voz de Nat saiu baixa, dura como ferro. — Se você não falar, nós a matamos.

Malevola ergueu a cabeça, os olhos estreitos. Duvidou, zombeteira.
— Você está mentindo.

Amelia arremessou a acusação na garganta do demônio:
— Eu sei que você enviou alguém para me machucar. Nós a prendemos. Então escolha: ou você diz onde está minha mãe, ou eu mato a criança na sua frente.

O mundo pareceu encolher naquele instante — os gritos abafados das chamas, o crepitar da madeira. Malevola, por um relance, mostrou um fio de surpresa. Amelia, movida por um impulso que misturava desespero e raiva, lançou a bruxa contra o chão com força, pressionou o pé no pescoço dela; a lâmina da decisão tinha o cheiro de sangue e de promessas quebradas.

— Onde ela está? — Amelia repetiu, a voz uma linha cortante.

Malevola arfou, a resistência murchando por um momento. — No subterrâneo. Pelo mesmo elevador da biblioteca. — As palavras foram cuspidelas, como se cada sílaba a corrompesse mais.

Amelia ergueu a cabeça para Regina, olhos pedindo confirmação.
— Vai — ordenou ela sem cerimônia. — Eu termino aqui.

Regina nem hesitou. Num lampejo, teleportou-se para o local indicado, deixando o campo livre. Amelia apertou o pé com mais força, a raiva pulsando até os dedos. A vilã gemeu, o corpo tremeu sob o peso da escolha.

Natasha aproximou-se num passo que era metade fúria, metade conciliação. Pegou o rosto de Amelia entre as mãos, a pressão tão firme quanto suave, como se tentasse ancorar-a.
— Amy — disse ela, voz baixa e urgente — não. Não faça isso. É exatamente o que ela quer: que você a mate.

Uma outra realidadeOnde histórias criam vida. Descubra agora