Elas entraram na lojinha silenciosa, o cheiro de café velho e prateleiras cheias de produtos baratos enchendo o ar. Amelia ficou perto da frente, olhando distraidamente as bebidas, enquanto Nat e Yelena se dirigiam para os fundos em busca de remédios para dor.
— Você tá bem? — Yelena perguntou, a voz baixa, quase um sussurro, enquanto segurava uma caixa de comprimidos. — Aquela convulsão... foi feia.
— Eu tô bem... — Nat respondeu, a respiração ainda irregular, o peito subindo e descendo com cada palavra.
— Quantas vezes isso aconteceu? — Yelena insistiu, aproximando-se mais, os olhos atentos a qualquer tremor.
Nat suspirou, lento, pesado, como se cada fôlego arrastasse lembranças do passado:
— Algumas vezes... — a voz saiu arrastada, carregada de cansaço e alerta.
Amelia permaneceu olhando as cervejas na frente da loja, mas cada som, cada passo, parecia amplificado na cabeça de Nat. O coração dela ainda martelava, a tensão nas costas e nos ombros lembrando o quanto ela precisava manter o controle.
— A Sala Vermelha ainda existe. Onde fica? — Nat perguntou, a voz quase tremendo, olhos fixos em Yelena.
— Não tenho ideia — Yelena respondeu, erguendo a caixa. — Ele sempre muda a localização. Toda viúva é sedada na entrada e na saída. Segurança total.
Nat franziu o cenho, a mandíbula apertada. — Difícil acreditar que ele tenha ficado fora do meu radar, que não tenha vindo atrás de mim...
Yelena olhou para ela, um sorriso cruel brincando nos lábios, segurando a caixa como se fosse um peso literal:
— Não é inteligente atacar uma vingadora se quiser ficar escondido. Quer dizer, o nome já diz tudo. Se Dreykov te matar, um dos grandões virá se vingar... e aposto que ele sabe que você namora a bruxinha ali.
Nat piscou, confusa. — Espera... que grandões?
— Bem... duvido que o deus que veio do espaço precise de ibuprofeno depois de uma briga — Yelena respondeu, e a risada curta ecoou na loja, cortando o ar.
Nat desviou o olhar, indo até a pia lavar o rosto, sentindo o frio da água como um breve alívio contra o calor do pânico que ainda morava no peito.
— Onde você achou que eu estava esse tempo todo? — Yelena perguntou, a voz mais séria agora, acompanhada de um olhar penetrante.
— Achei que você tinha saído... vivendo sua vida — Nat disse, e seu tom era contido, mas pesado, a culpa apertando o peito.
— E você simplesmente nunca mais fez contato? — Yelena insistiu, os olhos brilhando de desdém e curiosidade.
Nat suspirou, olhando seu reflexo no espelho atrás da pia, a própria imagem parecendo estranha, distante, como se fosse outra pessoa olhando de volta:
— Honestamente? Achei que você não queria me ver.
Yelena soltou uma risada seca e se afastou, indo para a parte da frente da loja, deixando Nat com a sensação de frio correndo pela espinha:
— Mentirosa. Você não queria sua irmãzinha colada em você enquanto salvava o mundo com a galera legal — disse, a voz misturando reprovação e ironia.
Amelia continuou silenciosa, colocando as cervejas no caixa, cada palavra das duas perfurando sua mente como lâminas. Nat desviou o olhar, a culpa queimando em cada batida do coração.
— Você não era minha irmã de verdade — Nat disse, a voz baixa, quase quebrando.
Yelena olhou para ela, olhos carregados de tristeza e acusação:
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Uma outra realidade
FanfictionUma menina de uma realidade totalmente diferente chega em NY. Amelia é a filha mais nova da branca de neve e do príncipe encantado, Amelia é irmã de Emma e Neal e assim como Emma nasceu com poderes muito fortes porém por ser a mais nova e a princesi...
