Possibilidades

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 Madara

Ela não me olhou. Passou por mim como se eu fosse nada além de brisa, e aquilo... aquilo me queimou mais do que qualquer ferida que um oponente já tenha me infligido. Mahina sempre reagia — com raiva, com gritos, com aquele olhar de fúria que tanto me excitava — mas agora... o silêncio dela foi um veneno. Um desprezo calculado, frio, quase elegante. A porra do veneno mais doce e mais irritante que já provei. 

O que ela pensa que está fazendo? Fingir que pode se afastar, me ignorar, como se eu fosse descartável? Ela acha que pode me tratar assim e andar pela vila como se não fosse minha? Maldita... eu devia sorrir. Eu devia me divertir com o jogo. Mas não estou me divertindo. Eu estou furioso. Obcecado. Descontrolado. E pela primeira vez, não consigo decidir se quero quebrar o orgulho dela... ou me ajoelhar só pra fazê-la me olhar de novo.

Eu a segui. Claro que segui. Me escondi nas sombras como um maldito adolescente obcecado. E o pior? Ela sabia. Seus passos não vacilaram, mas seu corpo... ele sabia que eu estava atrás. O pescoço erguido demais. O queixo firme demais. Essa pose de rainha rebelde que ela adora fingir. Ela não pertence à nobreza. Ela pertence a mim.

Vi quando parou na varanda. A brisa noturna tocava o cabelo dela e me deu vontade de agarra ali mesmo, de lembrá-la de quem a ensinou a gozar gemendo meu nome. Mas então ela se virou — fria, intacta, distante.

— Está me seguindo agora, Madara? — ela perguntou, com uma calma irritante. Como se eu fosse só mais um incômodo.

— Você me ignora como se fosse superior. Isso me diverte. — menti. Minha voz saiu baixa, rouca, quase embriagada.

— Não. O que te diverte é pensar que me controla. — ela cruzou os braços. — Mas isso acabou.

— Acabou? — dei um passo à frente. — Você diz isso com esse corpo ainda tremendo dos meus dedos.

— O que eu senti foi fraqueza, não prazer. — ela cuspiu as palavras. — E eu me odeio por ter deixado você encostar em mim.

Senti. Aquilo. Um corte seco no orgulho. Ela nunca disse isso antes. Sempre odiava, sim, mas odiava depois. Agora... estava odiando na minha frente. Enfrentando-me como se não me temesse.

— Cuidado com suas palavras. — rosnei, a voz mais baixa do que eu pretendia. — Está tentando provocar uma fera, Mahina.

— Fera? — ela riu. Um riso seco, debochado. — Você é só um homem carente. Um covarde que precisa machucar pra se sentir desejado.

Eu a agarrei pelo braço, não com força — mas ela me olhou como se eu fosse lixo.

— Você quer me destruir, Madara? Faça isso. — ela sussurrou, olhos cravados nos meus. — Porque a verdade é que você não me assusta mais. O que me assusta é ter sido fraca o suficiente pra querer você.

O silêncio entre nós era uma corda esticada, prestes a arrebentar.

— Eu sou Madara Uchiha. Eu poderia esmagar sua existência com um gesto.

— E ainda assim... — ela inclinou o rosto, com aquele brilho venenoso nos olhos — não conseguiu manter meu olhar hoje à noite.

Eu quis bater na parede. Gritar. Rasgar o chão. Mas só fiquei ali, encarando ela escapar com o que restava da minha sanidade nos lábios. E pela primeira vez... eu me senti pequeno. Porque talvez, só talvez... ela estivesse certa.

Ficamos nos encarando por longos segundos, a raiva retorcendo minhas entranhas.
Eu soltei o braço dela dando um passo pra trás um sorriso sem humor esticando meus lábios.

— Está se divertindo? — perguntei, minha voz baixa, arrastada, cheia de raiva e algo que nem eu queria nomear. — Fingindo que é superior? Que está acima de tudo isso?

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⏰ Última atualização: Aug 15, 2025 ⏰

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𝐃𝐀𝐑𝐊 𝐑𝐄𝐃, 𝗠𝗮𝗱𝗮𝗿𝗮 𝗨𝗰𝗵𝗶𝗵𝗮Onde histórias criam vida. Descubra agora