Kloe pov
Eu estava quase chegando à casa quando percebi um farol fraco atrás de mim. Ou não... acho que foi coisa da minha cabeça. Um carro não apareceria do nada no meio da estrada.
Chego à casa e logo pego a pequena mochila que eu havia trazido com algumas coisas úteis: lanterna, água, casaco, algumas guloseimas, meu celular e mais algumas coisas.
Desço do carro, pisando naquela grama um pouco alta, indo em direção à porta. Coloco a mão na maçaneta e escuto um grito.
— Mas que merda vocês estão fazendo aqui?! — pergunto, brava.
— Nós estávamos preocupados com você e decidimos cuidar de você, mas o que VOCÊ tá fazendo aqui? — pergunta Lily.
— Isso não é da conta de vocês. Vão embora — digo, olhando para eles e percebendo agora que Jessy e Jake também estavam ali.
— Vamos embora, e você também! — diz Dan.
— Você está louca tentando entrar aí? Você se esqueceu do que te contamos? Você vai ficar doida se entrar aí — diz Cléo.
— Vão embora, por favor — digo, olhando para eles.
— Não vamos deixar você entrar aí. Esse lugar é assombrado, tem algo muito errado nessa casa, Kloe. Não são lendas, são histórias! As pessoas que moram aqui há anos lembram dessa família! — diz Jessy.
— Não me interessa. Vocês não mandam em mim. Eu sei o que estou fazendo — digo, me virando para a porta novamente e abrindo-a.
No momento em que coloco um pé dentro da casa, todos gritam um "não". Após entrar, ligo minha lanterna e me viro para a porta, vendo meus amigos correndo até ali, quando, de repente, a porta bate sozinha.
Franzo o cenho ao perceber que a porta havia se fechado sozinha e vou até ela, tentando abri-la, mas parecia estar trancada. Logo olho em volta e vejo que a casa estava em perfeito estado. As meninas disseram que fazia uns dez anos que ninguém morava ali, mas eu poderia jurar que alguém ainda vivia ali pelo estado impecável do lugar.
Começo a andar pela casa, indo em direção ao que parecia ser a sala. As paredes e o piso estavam em ótimo estado, mas os móveis estavam rasgados, quebrados e tudo muito bagunçado, como se a última pessoa que morou ali tivesse saído sem olhar para trás. Lembro que as meninas também disseram que os donos não deixavam ninguém trocar os móveis ou entrar no quarto da garotinha. Esse lugar me parecia cada vez mais familiar, e isso me assustava.
Escuto um barulho, como se algo tivesse caído no que parecia ser a cozinha. Olho em direção ao local e vejo algo preto correndo... talvez um vulto?
— Olá? Tem alguém aí? — pergunto, indo em direção ao lugar.
Nada nem ninguém responde. Percebo então que o que havia caído era uma pedra com um bilhete enrolado. Pego-o e leio:
"Você não sabe o quanto estamos felizes por você estar de volta, querida. Esperamos anos para finalmente ver você novamente. Estávamos com saudades, pequena Olívia... ou Kloe, se preferir.
Te esperamos em seu quarto.
Ass: Amigo"
— Mas que merda é essa? — digo ao terminar de ler o bilhete.
Saio da cozinha e vejo um corredor com uma escada. Espera... eu já vi essa escada antes. Subo e então tenho certeza: aquela era a casa do pesadelo que tive há algumas semanas.
Vou até a porta que lembro ser o quarto da garotinha, no caso, eu. Caminho até ela e coloco a mão na maçaneta, com um pouco de medo do que encontraria lá dentro.
Abro a porta e vejo que havia três cadeiras ali, além de toda a decoração idêntica à do sonho. Entro no quarto, passando pelas cadeiras e observando cada detalhe.
Escuto a porta ranger e presumo que tenha fechado por causa do vento, mas, quando me viro, tenho certeza de que não foi o vento.
Vejo todas as criaturas daquele pesadelo e outras que eu tinha a impressão de já ter visto antes. Eu estava paralisada enquanto todos me encaravam. Por algum motivo, eu não sentia medo, apenas um choque profundo. Nas três cadeiras estavam sentados o ser que apareceu na poltrona no meu sonho, o provável demônio que surgiu no quarto comigo e outro no meio, o monstro com o qual eu sonhei durante anos. Sempre que algo muito bom ou muito triste acontecia, eu sonhava com ele, mas desde que comecei a falar com o pessoal de Duskwood, nunca mais tive esses sonhos.
— Não precisa ter medo. Não faremos absolutamente nada com você, pequena Kloe — diz o ser que acabei de descrever.
— Somos todos seus amigos, querida. Cuidamos de você há anos. Esperamos você voltar por muito tempo. Você não sabe o quanto estamos felizes por você estar de volta ao seu verdadeiro lar — diz o monstro da poltrona.
— Isso é loucura... eu devo estar sonhando de novo ou enlouquecendo — digo, me beliscando.
— Você não está louca. Só tem um dom que a maioria das pessoas não tem. Isso não te torna louca, te torna especial — diz o provável demônio.
— Sente-se, querida, e contaremos tudo o que quiser saber — diz o monstro da poltrona.
Sento-me na cama e eles começam a contar tudo o que já me aconteceu. Conforme falavam, eu ia me lembrando de tudo. Não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Então quer dizer que eu tenho o dom de ver assombrações? Mas por que eu?
— Por que eu esqueci de tudo isso? — pergunto, confusa.
— Achamos que seria melhor fazer você esquecer. Você ficou muito traumatizada e se sentiu culpada pela morte de Jennifer. Não queríamos que você carregasse isso — explica o lobo, ou cachorro, do sonho.
— Eu acho que entendi — completo, ainda processando tudo o que descobri e lembrei.
— Onde estavam os meus amigos? Eles não eram nossos amigos também? — pergunto, curiosa.
Eles se entreolham com pena, e o monstro com quem sonhei durante anos, a quem eu chamava de "Amigo", diz:
— Eles não gostavam de você. Jéssica e o hacker eram os únicos que não moravam aqui naquela época. Os outros te achavam esquisita antes mesmo do incidente. Hanna e Amy passaram a sentir medo de você por ser tão nova e já ter um plano para se safar de um assassinato. Após o incidente, seus atuais amigos começaram a dizer que você tinha matado Jennifer, sem sequer saber a verdadeira história. Tudo isso foi pesado demais para uma criança, então decidimos livrar você disso.
Meus amigos não são assim... ou são?
— Eu... eu me lembro — digo, enquanto todas as vezes em que eles me zoaram e me machucaram surgem na minha cabeça. Eles me causaram muitos traumas.
Não acho que tenha sido uma boa ideia lembrar dessa parte, porque todo o ódio que eu sentia quando era mais nova voltou.
Após mais alguns minutos conversando, decido ir embora e prometo que voltaria outro dia.
Quando saio da casa, vejo que meus "amigos" ainda estavam ali.
— São 3:20 da manhã. Por que vocês ainda estão aqui?
— Ai, meu Deus, você tá bem? — pergunta Cléo, vindo me abraçar.
— Eu tô ótima. Vamos embora logo.
Fomos embora e, no caminho, ouvi várias perguntas, das quais não respondi nem metade.
Por mais que essas lembranças sejam de anos atrás, eu estou sentindo agora o ódio que não tive a chance de sentir antes.
☆
"O quê te faz acreditar
Ser melhor que alguém
Só porque você
Erra diferente?"
☆
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I NEED YOU-duskwood
FanfictionEm uma cidade pequena demais para guardar segredos, desaparecimentos começam a se acumular, amizades se rompem e verdades são distorcidas até não restar nada além de versões convenientes. Enquanto todos procuram por um culpado, uma mente fria observ...
