— Aconteceu algo? — pergunta a segunda, desconfiada.
— São vocês que estão ameaçando a Lola? — pergunto, dando mais um gole na bebida.
— É claro que não. Por que iríamos ameaçar a Lola? — pergunta a primeira, franzindo a testa.
— Eu não sei. Ela me ligou dizendo que alguém que me conhecia estava a perseguindo.
— Ela merece algo bem horrível. Tomara que essa pessoa saiba exatamente o que está fazendo — diz a primeira, com um sorriso frio.
— Que horror... — murmura a outra, claramente incomodada com o comentário da colega.
— Enfim, não foi só por isso que eu vim aqui — digo, abrindo minha bolsa e tirando a pista. Jogo o papel sobre a mesinha de centro que separava o sofá da poltrona.
— O que é isso? — pergunta a primeira, se inclinando para frente.
— É a pista sobre o sequestrado que encontramos na antiga casa do seu pai, Jheniffer — respondo.
As duas se entreolham imediatamente.
— O quê? Nós não deixamos nada lá. Tomamos muito cuidado para não esquecer nada — diz ela, me encarando.
— É, mas esqueceram — respondo, revirando os olhos. — A sorte de vocês é que só eu vi isso. Eles sabem que encontrei algo, mas fiz questão de analisar sozinha.
— Droga... será que não esquecemos mais nada? E se eles encontraram algo também e resolveram analisar sozinhos, Kloe? — diz a segunda, se levantando nervosa.
Me levanto no mesmo instante e lhe dou um tapa seco no rosto.
— Se controla, Hanna — digo, firme.
Ela respira fundo e se senta novamente.
— Valeu... — murmura, passando a mão no rosto.
— Quanto a isso, Hanna, não — continuo. — Eles não encontraram mais nada. Se tivessem encontrado, com certeza teriam comentado.
— Se você diz... — responde Jheniffer, dando de ombros.
Conversamos por mais alguns minutos, até que olho o relógio.
— Já é quase uma e meia. Eu vou indo — digo, pegando minha bolsa.
— Ah, Kloe, fica mais um pouco — pede Hanna. — Você está aqui há três semanas, e essa é só a segunda vez que vem.
— Quem sabe outro dia, Hanninha — respondo, sorrindo de leve.
— Até mais — digo, saindo.
Sigo em direção às casas antes da floresta para conseguir chamar um Uber. Alguns minutos depois, o carro chega, e logo estou a caminho de "casa".
Agora vocês devem estar bem confusos. Pensando como assim? ou o que está acontecendo?
Então, vou explicar.
Há mais ou menos dois anos, recebi uma ligação de uma mulher que eu não fazia ideia de quem era. Conversamos por algumas semanas, até que resolvemos nos encontrar. Foi então que ela me contou tudo.
Essa mulher era Jheniffer. A "garota morta".
Ela me contou que, numa tarde, levou nós três para passear. Eu deixei meu brinquedo cair, ela voltou para pegar... e foi atropelada. O hospital de Duskwood cometeu um erro grotesco: declarou sua morte enquanto ela ainda estava viva.
Jheniffer acordou em um lugar escuro, sem conseguir respirar direito. Sua sorte foi ter sido enterrada com o celular, já que era um objeto importante para ela. Assim que conseguiu, ligou para sua melhor amiga, que foi até o cemitério e pediu ajuda aos guardas para abrir a cova.
Jheniffer pagou uma quantia em dinheiro para que os funcionários não contassem nada e pediu à amiga que também mantivesse segredo.
Até hoje, não sei exatamente por que ela fez isso.
Segundo ela, ficou em choque ao ouvir a história que a amiga contou. Algumas partes nós mentimos, e ela percebeu. Com apenas 16 anos, achou que aquela era a oportunidade perfeita para desaparecer.
Ela disse que aquela fase da vida era complicada, que já havia pensado várias vezes em desistir de tudo. Então, quando aquilo aconteceu, ela viu uma chance de recomeçar.
Anos depois, ela me encontrou em uma rede social. Sentiu uma tristeza profunda por ter abandonado tudo e veio atrás de mim em busca de respostas.
Por que mentimos?
Por que nunca mais nos falamos?
Por que eu não me lembrava dela?
Ela me contou algumas coisas sobre a minha infância, mas não tudo. A maior parte só fui descobrir quando entrei naquela casa.
Não sei exatamente como chegamos até aqui. Hanna nos procurou dizendo que estava cansada e precisava da nossa ajuda. Minha dívida com Jheniffer? Ainda não sei explicar.
Aceitamos ajudá-la.
Durante um ano e três meses, bolamos o plano perfeito. Mas tudo acabou se tornando pessoal. Uma vingança minha... além da de Hanna.
Digamos que eu sou boa em entrar na mente das pessoas. Convencê-las não foi difícil.
No começo, os ataques eram apenas diversão para as duas. Hanna amava tudo aquilo. Dizia que aquelas férias com os amigos estavam sendo ótimas. Segundo ela, eles foram péssimos amigos, então mereciam.
Vai entender.
Chego em casa às duas da manhã e vou direto me deitar. Afinal, amanhã marquei de sair com meus "amigos".
☆
"Sim
É possível
Amar e odiar alguém
ao mesmo tempo
É o que faço comigo mesma
Todo dia"
☆
Por essa nem a autora esperava povo, nem a autora kkkkk
Dois em uma noite pq sou MT legal e vocês merecem kkkkkk
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I NEED YOU-duskwood
FanficEm uma cidade pequena demais para guardar segredos, desaparecimentos começam a se acumular, amizades se rompem e verdades são distorcidas até não restar nada além de versões convenientes. Enquanto todos procuram por um culpado, uma mente fria observ...
