Kloe POV
Estava dirigindo havia cerca de quinze minutos quando finalmente cheguei ao hospital. Estacionei um pouco mais afastado, conferi a peruca no retrovisor e coloquei os óculos escuros. Meu reflexo não parecia comigo — perfeito.
Desci do carro com passos firmes.
— Olá — disse à recepcionista. — Vim visitar meu amigo, Richy.
Entreguei a identidade.
— Boa tarde, Hanna Donfort — ela leu, sorrindo. — O quarto dele é o 32, no último andar.
Agradeci, peguei o crachá de visitante e segui até o elevador. Apertei o botão do segundo andar.
As portas se abriram.
O corredor estava movimentado demais. Esperei. Observei. Só entrei na área da lavanderia quando tive certeza de que ninguém estava olhando. Lá dentro, o cheiro de produtos fortes quase me fez recuar, mas ignorei. Peguei um jaleco pendurado mais ao fundo.
Dr. Miranda.
Vesti-o rapidamente e saí com a cabeça baixa, como se aquele lugar também fosse meu.
No subsolo, ele já me esperava.
— Você trouxe o que combinamos? — perguntei, sem rodeios.
— Sim — respondeu, estendendo uma pequena bolsa térmica. — Sedativo potente. Vai apagar em segundos. Não mata.
Olhei para ele, séria.
— Ótimo.
— As câmeras? — perguntei em seguida.
— Desligadas no último andar, no segundo e no elevador. Mas só por trinta minutos.
— É mais do que suficiente.
Entreguei o pacote com o dinheiro.
Não trocamos mais nenhuma palavra.
Voltei ao elevador.
O quarto 32 estava silencioso demais.
Richy dormia. A respiração era lenta, regular. Por um segundo — apenas um — hesitei. Não por culpa. Por cálculo.
Passei os dedos por seu rosto.
— Se tivesse ficado quieto, nada disso seria necessário — murmurei.
Preparei a medicação com cuidado e a injetei no acesso do soro. Em poucos segundos, o corpo dele relaxou completamente.
Richy não estava morto.
Estava fora do jogo.
Quando ele abriu os olhos, já era tarde.
— Doutora...? — murmurou, confuso.
Aproximei-me.
— Não — respondi calmamente. — Não sou doutora.
Ele tentou falar de novo, mas o corpo não obedeceu.
— Você vai dormir, Richy — continuei. — E quando acordar... nada será como antes.
Saí do quarto sem olhar para trás.
Deixei o jaleco dobrado em um carrinho no corredor e segui para fora. Quando entrei no carro, vi outro veículo estacionando mais à frente.
O de Jessy.
Sorri.
O tempo estava perfeito.
Jessy POV
Depois de mais de meia hora esperando, finalmente nos deixaram subir.
— O quarto dele é o 32, no último andar — disse a recepcionista.
Meu coração estava acelerado. Eu estava nervosa, feliz, com medo — tudo ao mesmo tempo.
O corredor parecia diferente. Silencioso demais.
Quando nos aproximamos do quarto, vimos médicos saindo às pressas. Um deles falava baixo com outro, o rosto sério.
— O que está acontecendo? — perguntei, mas ninguém respondeu.
Entramos.
A cama estava vazia.
— Onde ele está?! — gritei.
Um médico respirou fundo antes de responder:
— Ele foi transferido. O quadro oscilou de repente. Precisamos agir rápido.
— Transferido para onde?! — Lily perguntou, desesperada.
— Ainda estamos apurando — respondeu ele. — Por favor, aguardem.
Meu estômago se revirou.
Nada fazia sentido.
Richy tinha acabado de voltar... e agora tinha sumido de novo.
Kloe POV
— O que você fez com ele? — perguntou Hanna assim que entrei no bunker.
Fui até a mesinha com calma e me servi de uma dose de gin.
— Exatamente o que precisava ser feito.
Ela suspirou, tremendo, e se sentou.
— Isso já passou de todos os limites... — murmurou. — Eu não aguento mais.
Aproximei-me e a abracei.
— Vai acabar — prometi. — Mas não agora. Ainda não.
Ela chorou em silêncio, apoiando a cabeça em meu colo.
— Confia em mim — sussurrei, acariciando seus cabelos. — Está tudo sob controle.
E estava.
☆
Eita que apareci do nada, juro povo comecei a ler alguns comentários de vcs na fic e me deu saudade de escrever kkkkk
Talvez eu volte ainda essa semana, vou tentar fazer mais uns dois ou três caps para terminar a fic, mas não prometo nada kkkkk
É isso, até lá amores🤍
VOCÊ ESTÁ LENDO
I NEED YOU-duskwood
Fiksi PenggemarEm uma cidade pequena demais para guardar segredos, desaparecimentos começam a se acumular, amizades se rompem e verdades são distorcidas até não restar nada além de versões convenientes. Enquanto todos procuram por um culpado, uma mente fria observ...
