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Saio do esconderijo em silêncio, seguindo pela trilha quase invisível até a velha casa mal-assombrada. Faz tempo que não venho até aqui. Tempo demais. Mesmo assim, cada passo parece automático, como se meu corpo se lembrasse do caminho melhor do que minha mente.

Quando chego, a casa continua a mesma: imponente, escura, com aquele ar de abandono que assusta qualquer um... menos a mim.

Entro sem hesitar.

Vou direto para o quarto no andar de cima. Assim que empurro a porta, meu coração dá um salto — não de medo, mas de alerta.

Eles estão todos lá.

Meus "amigos".

Espalhados pelo cômodo, alguns sentados, outros encostados na parede, todos me observando com aquele olhar vazio que só os mortos conseguem ter.

— Eles sabem que você era a Olívia, querida — diz um deles, com um meio-sorriso torto.

O mundo parece parar por um segundo.

— O quê?! — minha voz sai mais alta do que eu gostaria. — Como?

Eles começam a falar todos ao mesmo tempo, vozes ecoando no quarto. Contam que os vivos entraram na casa, que mexeram nas coisas, que levaram as caixas. Em uma delas... a carta.

O bilhete.

O estômago afunda.

Isso é ruim. Muito ruim.

— Droga... — murmuro.

O plano não pode mais esperar.

Saio dali rapidamente e ligo para Jennifer.

— Precisamos fazer isso hoje — digo assim que ela atende. — Não dá mais pra adiar.

— Tem certeza, Kloe? — ela pergunta. — Isso muda tudo.

— Eu sei. Mas já fomos longe demais pra recuar agora.

Desligo.

O resto do dia passa lentamente, de forma cruel. Cada minuto parece durar uma eternidade. Meu celular não para de vibrar: mensagens, ligações perdidas, áudios desesperados.

Eles estão preocupados.

Perfeito.

Isso só confirma que o plano está funcionando.

Jake POV

Estamos desesperados.

Kloe saiu hoje de manhã dizendo que iria ao aeroporto e que voltaria antes do almoço. Agora já são oito da noite, e nada.

Ela não responde. Não atende. Simplesmente... sumiu.

Meu peito aperta só de pensar nas possibilidades.

— Temos que ir atrás dela! — Jessy diz, andando de um lado para o outro.

— Como, Jessy? — Lily responde, com a voz trêmula. — Não sabemos onde ela está. E seja lá onde for, com certeza não é mais no aeroporto.

— Eu acho que deveríamos—

Sou interrompido quando todos os celulares começam a tocar ao mesmo tempo.

O som ecoa pela sala.

Atendemos.

Chamada on

A tela está completamente escura. Só conseguimos ouvir ruídos abafados, como passos, respiração... algo arrastando no chão.

Então, de repente, ele aparece.

O HSR.

Já fazia dias desde a última vez que tínhamos visto aquela máscara. Ele nos encara em silêncio por alguns segundos, como se estivesse nos analisando, antes de finalmente falar.

— Eu avisei inúmeras vezes para ficarem fora disso — diz, com a voz distorcida. — Principalmente ela. Vocês duvidaram de mim... e agora eu peguei mais um de vocês.

Meu corpo gela.

Ele vira a câmera.

— Calma... — minha voz falha. — É a Kloe...?

Ela está amarrada a uma cadeira. Cordas presas ao corpo, fitas apertadas nos pulsos e na boca. A cabeça caída para frente, completamente imóvel.

Ela parece... inconsciente.

O vídeo termina.

Chamada off

Ninguém fala nada.

Sinto meu coração se partir em mil pedaços.

Ver Kloe daquele jeito — indefesa, silenciosa — me destrói por dentro. A culpa me invade como um soco no estômago. Por ter duvidado. Por não ter feito nada. Por talvez ter sido tarde demais.

Não sabemos o que fazer.

Pela primeira vez, estamos completamente perdidos.

Sem ela, não temos plano.
Sem ela, não temos direção.
Sem ela... não temos esperança.


Kloe POV

Acordo alguns minutos depois, com uma dor leve no pescoço.

Escuto risadas.

— Deu certo? — pergunto, me levantando e indo me sentar no sofá.

— Sim — Hanna responde, gargalhando. — Você precisava ver a cara deles. Todos desesperados, preocupadinhos com você.

— Eu imagino — sorrio, sentindo uma satisfação fria se espalhar pelo peito.

— E agora? — Jennifer pergunta. — Qual é o próximo passo?

Cruzo as pernas, pensativa... por apenas um segundo.

— Agora é o fim — digo, calma. — Já temos o Richy. E do jeito que eles ficaram, tenho certeza de que vão sair feito idiotas me procurando.

Levanto e encaro as duas.

— E então... vamos pegar um por um.

Vejo o brilho nos olhos delas.

— Nossa hora está chegando, meninas — completo, sorrindo.

— Vou ver o nosso mecânico — digo, indo em direção ao quarto secreto.

É um cômodo grande, escondido atrás de uma porta de metal à prova de som. Ali, ninguém escuta nada. Ali, ninguém sai sem minha permissão.

Richy já está lá.

— Olá, Richy — digo, me sentando à sua frente. — Como você tem estado?

Ele me encara com ódio.

— Você ainda tem coragem de perguntar, sua monstruosa? — cospe as palavras.

— Claro que tenho — respondo, inclinando a cabeça. — Eu me preocupo com você.

Meu sorriso é puro sarcasmo.

Fico ali por alguns minutos, observando-o, até o cansaço bater. Saio do quarto e vejo que Hanna e Jennifer já se deitaram.

Vou dormir também.

Richy não sabe que são elas que me ajudam. Nunca soube. Quando o levam comida ou água, usam máscaras e um modulador de voz. E como o quarto é à prova de som...

Ele jamais escuta nada do lado de fora.

Nem imagina o que ainda está por vir.


Curtam e comentem para me motivar a continuar escrevendo💞

I NEED YOU-duskwoodHistórias para pegar e não largar. Descubra agora