Capítulo 11

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Assim que entrei no hospital, flashes explodiram de todos os lados. Fotógrafos gritando meu nome, o de Aron, “noiva sequestrada”, “senhora Leblanc”. Meu olho ardia como fogo, inchado, latejando, mas tudo que eu queria era minha casa, minha cama e ele. Aron me segurava firme pelo braço, rosto fechado, ignorando as câmeras como se fossem insetos.
Fizemos todos os exames. Raio-X, tomografia, exame de fundo de olho. Entrei na sala particular e me deitei, exausta.
O médico entrou, expressão séria.


— Você vai ter que ficar pelo menos um dia aqui em observação. O pano que estava no seu olho infeccionou muito mais do que deveria. Estamos correndo risco de perder a visão de um olho.

— Meu Deus! — Aron levantou e socou a porta com tanta força que o metal tremeu.

— Por favor, senhor, se acalme ou será necessário sua retirada.

— Eu fico — falei rápido. — Amanhã à noite posso sair?

— Sim, precisamos ver como seu olho reage essa madrugada.

— Tudo bem. Posso tomar um banho?

— As enfermeiras vão te levar. Apenas dois minutos — disse o médico, saindo.

Aron veio até a cama, sentou na beira e segurou minha mão.

— Amor, o que houve?

— Foi horrível, Aron. Mas isso não foi pra me atingir. Eles querem mexer com você. Isso não me quebrou. Só me deu mais força pra lutar pela gente e por tudo. Eu sou forte.

— Eu sei que é, mas não negue que você está mexida. E se te matassem?

— Você está exatamente da forma que falaram que você ia ficar. Mordendo a isca, amor. Me ouve e confia em mim.

— Quem eram eles!?

Apontei pro meu rosto inchado em silêncio.
As enfermeiras entraram com a mala que Aron trouxe. Me levaram pro banheiro. Com ajuda delas, consegui me limpar. Água quente lavando o corpo e a alma. Como eu tinha saudade de me sentir normal.

Voltei pro quarto sozinha — ele tinha ido tomar banho em casa. Me encostei na cama e peguei o telefone. Mensagens aos montes. Tentei levantar pra apagar a luz, mas bati de cara com Aron.

— O que faz aqui, Senhora Leblanc?

— Ia fugir antes de me casar! Será que posso?

— Vai deitar. Eu apago as luzes.

Me aninhei esperando ele vir junto, mas ele deitou na cama ligando o notebook.

— Ei, vem ficar comigo.

— Acho que não posso.

— Vem!

Ele subiu na cama, me abraçou por trás. Dei um beijo doce nos lábios dele.

— Amor?

— Oi, Mi.

— Sabe o que realmente me faria esquecer de tudo que aconteceu? Do fundo da minha alma?

Senhor Aron Onde histórias criam vida. Descubra agora