Capítulo 9

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Aron

Acordei antes dela, como sempre. O corpo dela ainda quente contra o meu, o cheiro de sexo e loção misturado no ar. Olhei pro teto por uns segundos, sentindo o peso de tudo que eu tinha que falar. Mas primeiro… café da manhã.

Levantei devagar pra não acordá-la, fui ao mercado correndo, comprei tudo que imaginei que ela gostaria: pães frescos, frutas, queijos, suco, café forte, e uma garrafa de vinho caro pra mais tarde. Quando voltei, Luísa já tinha saído — mandei mensagem pra ela sumir o dia inteiro. Queria Mirella só pra mim.

Entrei no quarto com a bandeja, sentei na beira da cama e dei um beijo leve na testa dela.

— Bom dia! Não queria te acordar, mas vamos levantar? Hoje esse dia pode ser nosso? O que acha? Enquanto você dormia, eu fui no mercado. Seu café está na mesa e comprei vinho pra mais tarde! Me certifiquei de que a Luísa estaria fora hoje!

Ela abriu os olhos devagar, sorriso preguiçoso se abrindo.

— Bom dia, meu amor… — A voz rouca de sono, baixa, me acertou como um soco no peito. Todos os meus sentidos desmoronaram. — Vamos lá! O que você preparou?

Puxei ela pela mão, cheio de uma ansiedade que eu não sabia que ainda existia em mim. Nunca tinha me apaixonado assim. Nunca tinha feito café da manhã pra ninguém. Não sabia nem como agir direito.

Quando chegamos na cozinha, os olhinhos dela brilharam. Ela se inclinou sobre a mesa pra sentir o cheiro do café. Coloquei a rosa vermelha com o bilhete ao lado do prato.

— Aron! Que lindo!!

— Não fala assim… Você merecia mais. Fiquei com medo de você acordar cedo, por isso não consegui comprar tudo que era necessário!

— Está tudo perfeito! Para com isso! Não é quantidade que me conquista!

Sentamos. Ela comia os biscoitos como uma criança, sorrindo entre mordidas. Eu sentia uma vontade louca de me abrir, contar tudo, mas preferi aproveitar o momento. Antes que ela acabasse, me levantei pra lavar a louça, recolhi tudo, passei pano na cozinha e fui pro quarto dela. Ouvi os pezinhos pequenos vindo atrás.

— O que foi, hein?

— O que você vai mexer no meu quarto, hein?

— Talvez trocar a coberta que você sujou toda ontem.

— Aron! Eu… eu vou tomar banho! Você não presta!

Vi ela corar e meu coração disparou.

— Sim! Eu!

Troquei os lençóis por outros limpos. Como ela era organizada… nada fora do lugar. Saí do banheiro sem toalha, só com o cabelo molhado pingando. O cheiro da loção dela invadiu o quarto inteiro. Me sentei na penteadeira e fiquei admirando.

— Minha… — sussurrei.

— Oi?

— Conversando comigo mesmo! Pode terminar o que você está fazendo.

— Jura que você não vai ceder? Vai lutar nesse nível com seu desejo? Meu Deus, Aron!

Meus pelos se arrepiaram com o desafio. Fui andando na direção dela, devagar.

Senhor Aron Onde histórias criam vida. Descubra agora