Capítulo 12

32 3 0
                                        

Levantamos com abraços e carícias lentas, corpos ainda colados da noite anterior. O cheiro dele na minha pele, o dele no meu. O café já estava na mesa — pães quentes, frutas frescas, suco, café forte. Sentamos e planejamos o dia inteiro: nada de empresa, nada de reuniões. Só nós dois.

Aron chamou um velho amigo dele pra limpar o quarto — o Seu Carlos, que chegou rindo alto assim que viu a bagunça.

— Menino Aron, o que aconteceu aqui? — disse, tirando travesseiros e lençóis da cama.

— Seu Carlos, foi uma loucura. A cama desmontou sozinha. Fiquei até preocupado de cairmos e nos machucarmos.

— Imagino… — Os dois gargalharam.

Fui pro quarto de hóspedes tomar banho. Meu corpo estava devastado de marcas: chupões roxos, vergões leves do chicote, impressões dos dedos dele na cintura. Sorri olhando no espelho. Me arrumei simples: short jeans, blusa leve, tênis. Peguei as chaves do carro, mas ao chegar na cozinha… congelei.

Várias pessoas sentadas à mesa. Uma senhora elegante de cabelos grisalhos impecáveis, um homem de terno casual, duas moças jovens que pareciam cópias dele.
Aron sorriu bobo, orgulhoso.

— Meu amor, essa é a minha mãe, meu pai e minhas duas irmãs.

Meu coração disparou. Abracei todos, um por um, tentando não tremer.

— Prazer enorme conhecer vocês…

Sentei no meu lugar. O almoço estava regado: champanhe gelado, frutos do mar, saladas frescas. A mãe dele — dona Laura — serviu meu prato com carinho.

— Mirella?

— Oi, dona Laura.

— Quando vocês vão me dar um netinho?

Corei violentamente. Olhei pro Aron. O pai dele — senhor Miguel — acrescentou, rindo:

— Será que o neném já não está aí?

Todos riram alto. Eu ri junto, mas meu rosto queimava.

— Creio que não, senhor Miguel.

— Tudo bem, nós esperamos. Aliás, nos perdoe por chegarmos assim de surpresa. Sentimos vontade de visitar vocês.

— Quando for assim, nem precisam pensar duas vezes. Estava ansiosa pra conhecer vocês.

Aron pousou a mão por debaixo da mesa, no meu joelho. Subiu devagar.

— Amor, pra onde você estava indo? — perguntou, voz inocente.

— Ia na empresa.

— Nós estamos de folga, se lembra? — A mão subiu mais.

— Vamos pra sobremesa, crianças? Preparei o bolo favorito do meu filho!

— Ah mãe, o Aron sempre tem algum privilégio — brincou uma das irmãs.

— Obrigado, mãe!

Assim que ela se levantou, senti três dedos sendo enfiados dentro de mim. Fechei os olhos, suspirando baixo.

— Então Mirella, você está feliz com o Aron? Pois esse homem é difícil, puxou o gênio do papai aqui — disse o senhor Miguel, rindo.

— Então, senhor Miguel… — arfei, pois os movimentos estavam se tornando mais profundos — estou muito contente. Nossa conexão é de outro mundo. — Suspirei. — Nós nos amamos muito.

Senhor Aron Onde histórias criam vida. Descubra agora