Capítulo 3

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-Você viu como aquele homem deu em cima de você descaradamente?

— Não percebi — respondi, soltando uma risada leve, quase provocadora.

Aron suspirou, os olhos escurecendo de raiva contida.

— Você é minha… — Ele parou, como se a palavra seguinte doesse. — Minha companhia nesse almoço.

Sorri de leve, mas o som de palmas crescentes cortou o ar.

— E agora, com vocês, o Senhor Aron Leblanc!

Aplausos ecoaram pelo salão. Fiquei sozinha à mesa, sentindo o rosto esquentar, mas forcei a atenção para o palco. Ele subiu com passos calmos, dominando o espaço sem esforço. O terno impecável, o maxilar marcado, o olhar que varria a plateia como se já soubesse quem ali merecia sua atenção.

Ele começou com voz grave, baixa no início, forçando todos a se inclinarem para ouvir.

— Estou grato por fazer parte desse projeto. Conseguimos não só a renda necessária, mas o capital para abrir novas frentes, expandir territórios e consolidar o que construímos com suor e estratégia. — Fez uma pausa, olhando diretamente para mim por um segundo que pareceu eterno. — Obrigado a todos que acreditaram desde o primeiro dia. Aos que arriscaram. Aos que nunca duvidaram.

Seu tom mudou, ganhando peso.

— Mas saibam de uma coisa: sucesso não é sorte. É escolha. Escolher quem fica do seu lado. Escolher quem merece sua confiança. E, acima de tudo, escolher quem não vai hesitar em cortar quem tenta te derrubar. — Ele sorriu, um sorriso afiado como lâmina. — Minha família me ensinou isso. E hoje, olhando para vocês, vejo que o círculo se fechou. Estamos prontos para o próximo passo. Não porque precisamos. Porque podemos.


Mais aplausos. Ele desceu do palco recebendo tapinhas nas costas, sorrisos falsos e olhares invejosos. Quando chegou até mim, o sorriso era só para nós dois — íntimo, perigoso.

— O que achou?

— Foi excelente, Senhor.

Ele ergueu uma sobrancelha.

— O que?

— Foi excelente… Aron — corrigi, revirando os olhos de leve.

Se não estávamos no escritório, não precisava fingir subserviência total. Beberiquei o champanhe, sentindo o frio do líquido contrastar com o calor que subia pelo meu pescoço.

Um segurança se aproximou, sussurrou algo no ouvido dele. A expressão de Aron mudou na hora — maxilar travado, olhos frios.

— Vem. Agora, Mirella — ordenou, bufando.
Peguei a bolsa e o paletó dele. Ele nos guiou pelos fundos do salão, por um corredor estreito e mal iluminado.

— O que você tem? — perguntei, passando a mão instintivamente no peitoral dele, sentindo o coração acelerado sob o tecido.

Seus olhos me queimaram. Num movimento rápido, os dedos dele se enrolaram nos meus cabelos, puxando minha cabeça para trás. Os lábios dele colidiram com os meus — ferozes, famintos. Soltei um gemido de surpresa, mas retribuí no mesmo instante, as mãos agarrando a camisa dele. O beijo era puro caos: línguas se encontrando, dentes mordendo, respirações entrecortadas.
Nos separamos ofegantes. Ele abriu os quatro primeiros botões da minha blusa sem pedir permissão.

— Quantas tatuagens… — murmurou, voz rouca. — Depois faço questão de ver cada uma delas. De perto. Bem devagar.

Mordi o lábio e assenti. Não queria falar. Queria mais e ele sabia.

As mãos dele subiram pelos meus seios, tentando afastar o sutiã. Eu segurei os pulsos dele.

— Aron…

— Fala baixo. Se alguém vier, a brincadeira acaba.

Ele me torturou com beijos no pescoço, na clavícula, na curva dos seios por cima do tecido. Meu corpo se contorcia, arrepiado, implorando. As mãos dele desceram pelas minhas coxas, abrindo espaço entre elas.

— Por favor… anda mais rápido — gemi, abandonando qualquer resto de sanidade.

Ele se ajoelhou. O braço deslizou por baixo da saia. Dedos roçando a calcinha, traçando o contorno, pressionando o tecido úmido. Meu corpo tremia. Ele puxou a calcinha de lado e introduziu dois dedos de uma vez, me deixando alucinada.

— Aron! — Meu gemido saiu alto demais.

— Cala a boca. Merda.

Os dedos aceleraram, curvando-se exatamente onde eu precisava. A respiração pesada, o corpo se contorcendo contra a parede, o orgasmo se aproximando como uma onda inevitável.

— Meu Deus… — quase gritei sentindo as pernas bambearem.

— Senhor? Tudo bem aí?

Passos se aproximando. Aron rosnou, retirou os dedos abruptamente e me cobriu com o corpo, abotoando minha blusa com pressa.

— Tudo sim. Mirella tropeçou no salto. Estávamos só conversando.

O segurança hesitou, mas assentiu e saiu na frente.
Aron grudou em mim novamente, a mão na minha cintura como algema. Meu corpo ainda tremia, as pernas fracas, a calcinha encharcada, implorando por mais.
Chegamos ao carro. Ele viu o reflexo no vidro: cabelo bagunçado, lábios inchados.

— Precisava fazer isso com o meu cabelo? — sussurrou, voz baixa e divertida.

Corei violentamente e não respondi. Cruzei as pernas no banco de trás, tentando me recompor.

— Algum problema, Mirella?

— Nenhum, Senhor.

Ele riu — uma gargalhada rouca, baixa — e voltou a atenção para o celular.
Chegamos à empresa. No elevador, ele não largava minha cintura. Um encarregado tentou entrar.

— Por favor, deixe-nos a sós — disse Aron, seco.

Portas fechadas. Silêncio. Ele me encostou na parede do elevador, corpo colado ao meu. Beijou-me ferozmente, mãos apertando minha bunda, descendo pelas coxas até erguer uma perna minha contra o quadril dele. Nossas intimidades se encaixaram por cima da roupa, eu estava quente, quase desesperada.

— Por favor…

— Não posso te dar o que você quer. Não aqui.

Ele beijou meus seios por cima da blusa, mordendo de leve. Puxei seus cabelos, batendo as coxas contra ele, forçando mais contato.

— Ah… eu preciso sentir você. Quero mais.
Segurei o colarinho dele, tentando puxá-lo para mais perto — inútil, impossível.

— Tu… — Ele me soltou de repente, me colocando ao seu lado como se nada tivesse acontecido.

O elevador abriu. Vários executivos entraram. Aron passou a mão nos cabelos, arrumando-se com calma. Saímos todos juntos.
No corredor:

— Mirella. Você está liberada. Te enviarei documentos por e-mail. Separe para mim. Agora tenho reunião.

— Sim, Senhor.

Desci sozinha, o corpo ainda latejando, a mente um caos. Entrei no carro e dirigi para casa sentindo o vazio entre as pernas e a confusão no peito. O que tinha acabado de acontecer? E por que, mesmo depois de tudo, eu queria mais?

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