Capítulo 1

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Mirella, vem ver. Acabei de encontrar outra oferta de trabalho. Corre aqui.

— Oi, Luísa. Parece que aqui também não tem nada. Eles tratam as mulheres como se fôssemos máquinas programáveis.

— Esse aqui parece interessante. Estão procurando uma secretária executiva. Você ficaria responsável por tarefas administrativas: atender chamadas, gerenciar correspondência, organizar arquivos e documentos, agendar reuniões e dar suporte à gestão, garantindo que o escritório funcione.

— Será que vão aceitar alguém com a minha aparência?

— Mirella, você parece uma modelo de editorial.

— Eu tenho várias tatuagens, Luísa.

— Elas ficam escondidas sob a roupa, sua idiota.

— Manda o e-mail por mim. Tenho certeza de que nem vão abrir o currículo.

— Pelo menos tente ser otimista.


Mostrei o dedo do meio e fui atrás de roupas. Tomei banho, me arrumei e, quando voltei, encontrei Luísa concentrada na tela. Soltei uma risada seca e me inclinei para ler o que ela tinha escrito.

“Tenho interesse na vaga anunciada. Meu currículo segue em anexo com todas as informações.
Meu número: 9Xx.”

— Você demorou todo esse tempo pra escrever três linhas?

— Então vem aqui e faz melhor, Mirella.

— Tá bom. Desculpa.

— Você já viu quem é o chefe? — perguntou ela depois de clicar em “enviar”.

— Não — respondi, desinteressada.

— Aron… Aron Leblanc.

Ela saiu do quarto em direção à cozinha. Corri até o computador e abri o perfil dele. Não tinha nada de multimilionário esnobe ou executivo impecável. Parecia desleixado, quase comum — bem diferente do que eu havia imaginado. Desci as escadas atraída pelo cheiro de comida que tomava o apartamento pequeno. Meu celular tocou. Atendi correndo.

— Senhora Mirella?

— Sim. Quem fala?

— Aqui é da empresa Blanc. Temos interesse no seu perfil. Você estaria disponível amanhã às 14h? Nosso diretor estará presente para a entrevista.

— Estarei, sim.

— Aguardamos você.

Sentei-me à mesa, atônita.

— Eles me chamaram.

— Sério? De nada — disse Luísa, sarcástica.

— Sim! Meu Deus… A entrevista é amanhã. Obrigada — respondi, revirando os olhos.

— Já sabe que roupa vai usar?

— Qualquer coisa formal serve.

— Você tem que ser sempre assim tão… minimalista?

Senhor Aron Onde histórias criam vida. Descubra agora