-Ela está aqui, hospitalizada, sabia Ana?
-Qu... que? -ela vai me pegar, ela vai! Eu preciso fugir, eu preciso.
-A Stella não lhe pode fazer mal. Não precisa ficar assim, querida. -eu tremo como nunca, e não é de frio.
-Ela vai, ela sempre faz. -minha boca treme, minha voz é rouca. Minhas feridas parecem que estão a abrir todas, eu rosno de dor, ela chama uma enfermeira que entar três segundos depois seguida por Christian e Bri.
-Ana! -quando ouço a voz angélica de Christian eu paro de me estremecer. Ele chega perto e eu o abraço forte.
-Ana, você tem que falar comigo. -eu saio do abraço e olho para a Dra. Philipa e solto o ar que prendi.
-Deixe mais um bocado, ela precisa de desancar.- Britney pede à medica e ela concorda. Todos saem, deixando me com Christian.
-Ana, você se falar vai mais rápido para casa.
-Eu quero muito, mas eu não aguento falar do passado, que está muito presente na minha mente.
-Eu percebo, o que ela fez não se faz a ninguém, Ana, me conte que eu falo com a médica se quiser claro.
-Não, eu falo com ela, mas eu preciso de dormir um bocado.
-Tudo bem, eu posso ficar?
-É uma perda de tempo...
Ele interrompe me.
-Você nunca é uma perda de tempo. -ele sorri e senta se no cadeirão ao meu lado, segurando a minha mão, eu começo a sentir me muito cansada e num momento para o outro, estou vendo tudo preto.
-Eu te vou pegar, ahah eu te pego e te tiro desse pirralho aí. -eu corro num corredor sem fim, a voz de Stella ecoa no longo corredor, como se fosse o narrador da história, nesse corredor à uma única porta, na frente está um tapete vermelho, eu abro a porta e tenho a visão de uma rapariga, completamente igual a mim no chão, com marcas novas de chicotes, a rapariga está deitada no chão cheia de sangue à volta, eu sento me ao seu lado e tento acariciar seus cabelos, mas minhas mãos passam por entre sua cabeça, como se eu fosse um fantasma, eu assusto me, levanto me rapidamente e afasto me, volto me para a porta por onde entrei, mas já não existe porta. Procuro uma saída, mas o quarto está vazio, sem janelas ou portas para fugir.
A rapariga levanta sempre olhando para o chão. Seus cabelos ensopados de sangue cobre seu rosto. Eu aproximo me, lentamente e abaixo me para descobrir seu rosto, mas nesse nomento ela levanta sua cabeça e eu sei quem é ela... sou EU! Eu sou aquela rapariga. Seus olhos escorrem sangue, seus lábios estão cortados, seu rosto negro. Ela fala qualquer coisa, mas é tão baixo que eu não percebo.
-Ela vai te apanhar. -ela repete cantando, ela continua a cantar, sua voz está ficando mais alta. Ela corre até mim...
-Ana, acorda! Por favor, Ana! -essa voz me acorda.-foi só um pesadelo. -ele abraça me e beija minha testa de forma calma e amorosa. Era tudo um pesadelo, mas foi muito real para mim, tudo parecia o meu final, o dia em que eu vou perder tudo, eu lembro me de alguma coisa relacionada com o sonho, mas não sei o que. Isso foi um aviso, eu sei! Agora de que está o sonho a avisar eu não sei, mas sei que um dia vou descobrir.
Eu estou a beber um copo de água, quando uns dois homens bem vestidos entram no quarto.
-Ola, menina Steele. Eu sou o William, seu advogado de defesa e este é o Peter, um segurança que vai andar com você até à condenação de Stella Steele.
-Ela vai ser presa?
-Temos muitas provas, agora só falta seu relatório. A Dra. Philipa, disse que tentou que tu falasses, mas que estás muito traumatizada.
-Eu sou uma doente, é isso? -eu acho que sei o que é um advogado, o que via na televisão era que eles defendiam uma pessoa boa e outro defendia a má, lembro de um filme, que era sobre um homem que roubou um diamante e ele foi solto, mesmo tendo provas que ele roubou. Vai ser igual a mim? Eu serei uma doente, como aquelas pessoas que são presas em um hospital, não. Eu não quero viver num hospital.
-Não querida, você não é doente, traumatismo é algo que faz nos ficar com medo que aconteça de novo, uma dor que só acabará se falares sobre isso. Guardar isso não é bom. Podemos ficar sozinhos?
-Sim... -eu não estou a perceber bem, mas tenho uma vasta ideia. Christian beija minha bochecha, uma última vez e sai, ficando o Peter e o tal advogado. -e o Peter, ele não sai?
-É melhor ele ficar... Ana, ele vai te proteger durante cinco meses. Ele precisa saber, para te proteger, de quem e do que. -eu concordo e sento me na cama.
-Bom, eu não me lembro bem de quando era muito pequena, mas sei que nasci na barraca e não saí de lá até aos meus quinze anos. -o William faz apontamentos num caderno.
-E foi alguma vez ao médico, ou à escola, ou até mesmo ter saído dessa barraca.
-Não, nunca. Eu lembro que tinha cinco anos e ainda não falava nada, antes dos cinco anos eu não me lembro, mas sei que ela me bate desde meu primeiro dia.
-E você não tentava fugir, ou dar luta... como se sentia quando ela lhe batia, tão pequena...
-Eu sentia raiva, quando era pequena, eu queria perdoa la, mas cada vez era pior, mais eu crescia, mais chicotadas. Eu tentei fugir quando tinha meus dez anos, a partir daí tentei dar luta, fugir. Mas eu nunca conseguia, e quando ela viu que eu ganhei força ela começou a prender me, mas eu consegui a sair, até que me prendeu ao teto, fiquei várias vezes sangrando, nua... -eu aperto meus lábios e cerro meus olhos, a raiva estava crescendo em mim. -feita demónio, presa com cordas ao teto, sem conseguir tocar no chão, havia dias que eu estava 9 horas presa ao teto.
-Ela visitava a?
-Sempre que se chatiava com o namorado dela, ela deixava a raiva sair, batendo me, eles tinham constantemente brigas, era dia sim dia não. Às vezes ela vinha duas a três vezes visitar me, era deloroso ver a cara dela e não poder deixar a minha raiva sair em seu rosto.
-Namorado? Você tentou bater lhe?
-Sim, eu tentei. A raiva faz coisas más ao nosso coração e mente, tentei mesmo me suicidar, mas pensava que um dia isso ia acabar e parava. Eu não sei se é namorado, mas sei que era o meu pai.
-Eu sei, a raiva que sentias, podia mesmo agredir se a si própria, para deixar essa raiva sair.
-Todos os dias a raiva crescia, a dor no peito também, a dor superficial era a menor. Quando ela me batia eu... eu... só queria chorar, mas nunca o fiz à sua frente...
-Porque?
-Para ela não ter o gosto de me ver sofrer, mais.
-E escola?
-Eu aprendi tudo pela televisão e filmes.
-Desde quando você via esses filmes, e que tipo de filmes?
-Eu via desde que me lembro, era filmes de todo o tipo. De romance, ela trazia poucos, para me mandar à cara que eu nunca iria ter aquilo. -um soluço foge de minha garganta.
-Calma Anastásia, tem o tempo que quiser.
-Eu estou bem... -eu suspiro e volto à minha vida de criança. -Ela também trazia de terror, punha muito alto para eu ter medo, ela me amarrava a uma cadeira e me punha na frente da tv, eu tive muito medo, nesses tempos. Ela contava histórias de terror, quando era criança... -era isso! A história que ela contava era o sonho que tive!
-E dormias aonde? -eles não podem saber ainda, não!
-Chega! -eu grito esfregando os olhos que estão cheios de água, prontas a começar uma corrida por meu rosto.
-Tudo bem, Anastásia. Foi muito valente contar me isso, amanhã continuaremos. Peter, fique com ela, hoje mesmo.
-Sim, senhor. -eu tinha a minha vida posta nas mãos desse homem, estaria a correr riscos? Respiro fundo e a corrida é adiada.
Christian entra e me entrega umas calças de moleton cinza claras e uma camisola que só tapa do meio da minha barriga até acima dos meus seios, cinza escuro. Eu visto me e peço para ele se deitar comigo, para eu cair mais um sono.
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50 toneladas do Amor
FanfictionAnastásia tem 15 anos quando fugiu da cabana aonde sua mãe a chicotiava desde o seu primeiro dia de vinda ao mundo. Ela correu e acabou dormindo num jardim de uma casa a 80km da cabana. A família da casa voltou para passar as férias em Seattle. O ra...
