Capítulo 5

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Foi um inferno dormir essa noite.

Não consegui encontrar uma posição confortável, na verdade não haviam muitas. Ou eu dormia de barriga para cima, como se fosse um cadáver e estivesse em um caixão. Ou dormia deitada para o lado esquerdo, encarando a cortina da janela.

E mesmo que eu tivesse encontrado uma posição favorável para dormir em algum momento daquela noite, acho difícil que de fato conseguisse pegar no sono.

Meu braço estava doendo e latejando. A anestesia faz maravilhas, disso não posso discordar. Nos livra de uma dor insuportável, é um fato. Mas assim que ela passa parece que a dor que estava sentindo antes, triplica.

Era insuportável... Era como se o corte estivesse pulsando e a qualquer momento toda aquela pulsação iria acabar rompendo os meus pontos.

Como a Dra. Tracy havia pedido, eu deixei o corte suturado sem o curativo em volta enquanto estava em casa. E mesmo com o frio do caramba que está fazendo em New York, dormi com uma blusa sem manga para que o tecido não ficasse em contado com os pontos.

Depois de procurar por uma posição confortável por horas e ter certeza de que não encontraria, desisti de dormir. Me sentei na cama e peguei o meu notebook guerreiro que está pedindo arrego, tudo que ele quer é uma aposentadoria.

Mas, infelizmente não posso substituí-lo agora.

As notícias sobre o acidente do Anthony Bomer estavam por toda a parte, em todo site de fofoca e jornais. Felizmente, meu nome não aparecia em nenhum lugar.

"O bilionário Anthony Bomer sofreu um acidente hoje pela manhã enquanto seguia para uma de suas lojas que havia acabado de ser assaltada. (...)"

Essa não era a única. Assim como essa haviam várias outras matérias sobre o acidente que o Sr. Bomer sofreu, além de claro, estarem falando também da tentativa de assalto em uma das lojas de jóias dele.

"Pelo visto essa não foi uma manhã de sorte para o CEO da Império Bomer. O acidente foi decorrente de uma porta de carro que foi aberta no meio do trânsito. Infelizmente não temos mais informações sobre o proprietário do carro."

Felizmente não sabiam a dona do carro, muito menos quem tinha aberto a porta. Eu não queria ficar conhecida como a garota que derrubou o Anthony Bomer da moto, e também não queria que o meu rosto e o da Judy estivessem estampados nesses sites e principalmente nas televisões.

Depois de conferir as notícias sobre o acidente, assisti um pouco da série, Outlander. Dois ou três capítulos no máximo por serem extensos.

Às quatro da manhã comecei a ensaiar como iria conversar e tentar convencer o professor Collins a me deixar fazer a prova, sem ter um atestado. Eu tenho a prova do que aconteceu no meu braço, embora não tenha um atestado.

— Oi, bom dia professor Collins, eu faltei... Não, não. - eu disse balançando a cabeça em negativo. — Bom dia professor Collins. Estou muito bem, obrigada por perguntar, espero que o senhor também esteja. Então, sobre ontem... Infelizmente não pude vim fazer a prova porque acabei causando um aci... Não, Grace, não! Assim não!. - eu disse revirando os olhos e bufando. — Bom dia professor Collins, blá, blá, blá, espero que o senhor esteja bem também. Então... Sobre a realização da prova de ontem, infelizmente não pude vim porque acabei... Bem, eu acabei envolvida em um acidente. - eu disse respirando fundo.

É isso.

Tá perfeito. Eu digo isso, mostro a prova que é o corte suturado no meu braço e com sorte, talvez ele tenha piedade e me deixe fazer a prova hoje.

Eric avisou por mensagem ontem no grupo que passa para me buscar e pega a Judy no caminho para cá, já que ela mora há vinte, trinta minutos da minha casa.

No Feelings (sem sentimentos)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora