Quinta-feira, dia quatorze de março.
Me espreguicei na cama ao escutar o toque do despertador invadir meus ouvidos, me virei de lado procurando pelo aparelho com a mão para desativar e quando consegui, respirei fundo, aliviada pelo barulho ter cessado.
Levantei e fui em direção ao banheiro para tomar banho e começar a me arrumar.
É a primeira vez que vou a faculdade desde que o nosso "relacionamento" se tornou público e confesso que a ansiedade e o medo já estão habitando o meu corpo, quase que me dominando.
Posso sentir meu coração acelerado e um nervosismo que deixa minhas mãos levemente trêmulas.
Respirei fundo escovando os dentes enquanto olho meu reflexo no espelho do banheiro.
Será que todo mundo viu?
Ai... É claro que viram...
Que merda.
Não quero ir.
Não quero nunca mais ir.
Depois de tomar meu banho volto para o quarto, coloco minhas roupas íntimas e uma meia calça preta com camada dupla que deixará minhas pernas aquecidas nesse frio. Coloco uma outra saia, um pouco mais curta e dessa vez, cinza. Uma blusa preta de manga comprida e de botões e nos pés, a minha botinha preta de salto.
De luto... Igual ao Anthony.
Credo! Isso é contagioso.
Pego meu sobretudo preto e jogo por cima, pois sei que sem ele não conseguirei me manter aquecida. Dessa vez opto por não colocar luvas e touca, pois me tiram do sério. Minhas mãos acabam suando é fica horrível, eu odeio essa sensação.
Enquanto estava arrumando minhas bolsas o meu celular anuncia uma nova mensagem e tenho certeza que é a Judy.
Pego o celular e desbloqueio abrindo a mensagem. Ela já tinha saído de casa, então me apresso. Pego minha bolsa, coloco o celular no bolso do sobretudo e saio do apartamento trancando a porta. Sigo para o elevador entro e antes que as portas se fecham, Aaron entra.
Ele parece sem graça ao me olhar. Segue para o canto contrário ao que estou e por alguns segundos, o silêncio habita o elevador, me deixando agoniada.
— Bom dia. - ele disse rompendo o silêncio ensurdecedor que estava me consumindo e me fazendo ter vontade de sumir do mapa.
— Bom dia. - eu respondi tão sem graça quanto ele, quando me viu ao entrar no elevador.
Deus... Que constrangimento.
Posso sentir o olhar dele pairar sobre mim enquanto o elevador desce da maneira mais lenta que ele já desceu, imagino. A descida até ao térreo que normalmente não leva mais do que dez segundos, parece estar levando horas.
— Se eu soubesse que você namorava o Anthony Bomer eu não tinha te chamado para sair. - ele comentou. — É óbvio que contra ele não tenho chances. - ele disse dando um sorriso.
— É que nós... - faço uma pausa.
Não posso dizer que não somos namorados quando Anthony ontem fez questão de dizer em alto e bom som que é meu namorado.
— É... recente. - respiro fundo.
— Tchau Bomer. - ele disse assim que as portas do elevador se abriram.
— Ai... Por favor, não me chama assim. - pedi revirando os olhos.
— Tchau Grace, tenha um ótimo dia. - ele disse me dando as costas.
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No Feelings (sem sentimentos)
RomanceNÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 🔞 CONTÉM: * Cenas de sexo explícito ✔️ * Linguagem imprópria ✔️ * Violência ✔️ ------------------------------------------------------------------------------------------- Eu nunca me interessei por alguém dessa manei...
