IX

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No dia seguinte, Giyuu se encontrava acordando cedo para ir à abertura do novo orfanato de uma das cidades do reino.

Pediu para se arrumar sozinho, enquanto observava que o dia estava meio nublado, o vento considerável meio frio. Mas não parecia chover. Incrívelmente, Giyuu sabia dos dias em que chovia.

Terminava de pentear seus cabelos e o arruma-lo. Olhou para a coroa ao seu lado de relance.

Ele não havia usado a coroa até agora, mas usaria pelo simples fato de estar fora do castelo. Era sempre assim.

Pensou em toca-lá antes de alguém bateu a porta de seu quarto.

O rei se levantou, arrumou a roupa e foi em direção a porta de madeira, a abrindo.

Do lado de fora, Aoi estava vestida com um vestido azul de tom mais escuro. Ele cobria seus braços e era longo.

O irmão deu espaço para ela passar, e ela fez.

Era evidente em sua cara que ela estava louca para chorar.

Em um gesto simultâneo, Giyuu a abraçou e ficaram ali por um tempo. Aoi não chorou, surpreendendo um pouco Giyuu. Mas ele não queria pensar nisso.

- Irmão, Tokito-sama disse que quer que o casamento aconteça o mais rápido o possível.

- Eu sei, conversei com ele sobre isso. Assim que ele completar 18 anos, vocês vão se casar.

- Quando ele faz 18?

- Se eu não me engano, daqui à sete meses.

- Sete meses...

- Tu tens sete meses para se despedir de seus amigos e aproveitar o reino da Água.

Ele estava sendo insensível até com a irmã? Sim. Mas pelo menos Aoi sabia que a intenção dele não era lá essa.

- Eu queria que você tivesse me contado antes de saber somente no final. Eu fui a última a saber do meu próprio casamento.

- Eu ia te contar, mas não tive tempo, estava tão corrido com eles que sequer vi o tempo correndo. Aoi, realmente pensei em ir ao seu quarto de madrugada para contar, mas ouve imprevistos.

- Que imprevistos?

Giyuu não queria contar a ela que estava bêbado, e o que fazia na enfermaria naquelas horas da noite.

Imprevistos que não faziam parte do plano.

- Irmã, só entenda que...

- Giyuu, vai lamentar? Me pedir desculpas? Não quero ouvir isso. Toda vez que escuto isso me sinto culpada, culpada por você pensar que acho que é culpa sua.

- De certa forma... Acaba sendo... Sou o rei. Poderia mandar em tudo. Mas não sou influência o suficiente para tomar novas alianças sem um casamento. Isso pode não te irritar, mas me irrita, me deixa frustrado me sentir impotente.

- Não se culpe por algo que não está ao seu controle.

- Mas eu sou o rei, deveria estar no controle.

- Há sete reis em Ainyamara e mais um tanto de burocracia. Vocês só precisam entrar em um acordo. Um dia talvez as pessoas não usem mais um casamento como um tratado.

- Um dia, no futuro, isso vai acontecer, irmã. Tentarei fazer o máximo para isso - Ele disse a ela.

- Acredito em suas palavras e determinação. Mas acho melhor irmos logo - A garota disse, olhando pela enorme janela do último andar do castelo o concelheiro e o general lá embaixo.

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