Duas faces de um assassino

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Os residentes de Zero Infinity em sua grande maioria podem ser resumidos em pedaços quebrados de códigos que perderam suas casas e vagam sem rumo, e embora alguns consigam encontrar um novo objetivo na vida, a maioria ainda segue perdida e sozinha. Mas sendo um local que reúne tantos indivíduos diferentes, é inevitável que alguns se destacariam dos demais. Uma versão rosa e feminina do Rei dos Pesadelos seria um desses.

Mesmo em seu multiverso de origem, este Nightmare não era como os outros guardiões da negatividade e buscava agir de maneira pacífica na maioria das vezes, e uma vez que seu envolvimento com o Zero Infinity começou, isto não mudou. Com a intensão de ajudar aqueles que apenas vagam sem um destino, principalmente os recém-chegados que possuem diversas dúvidas e feridas emocionais, este ser rosa escolheu em ser o mais prestativo possível em tentar lhes auxiliar em achar um novo lugar no qual eles poderiam ficar confortáveis e chamar de lar.

Mas enquanto muitos seriam gratos por tal ajuda, Killer apenas se irritava ainda mais com tal comportamento, pois na visão ideal de Killer, Nightmare não deveria ser um alguém prestativo pois não apenas isso demostrava fraqueza ao seu ver, mas também era uma característica de Dream.

- Acho que nosso novo amigo está muito agitado, vamos dar uma volta e isso pode ajudar a clarear sua mente. – Disse a versão humana de Killer ao notar os sutis sinais que sua contraparte monstro poderia se tornar hostil a qualquer momento. Estes sinais poderiam passar abatidos para muitos, mas mesmo que o corpo seja diferente, as características de personalidade eram semelhantes, então isso o ajudou a quase adivinhar o que o outro pensava.

Sabendo que a aceitação pode levar algum tempo e que continuar insistindo pode causar o efeito oposto, Nightmare agradeceu Killer e voltou seu foco para Ccino. Uma outra alma quebrada que também precisava de ajuda assim como o Sans de FlowerFell.

Killer sabia que nada de bom ocorreria se continuasse com esse grupo, então ele apenas seguiu em silêncio sua versão humana. Uma vez que a distância entre eles e o grupo aumentou o suficiente, ele decidiu retornar o diálogo.

- Eu ainda estou surpreso que exista uma versão humana minha.

- Lhe garanto que não ficou mais surpreso do que eu quando cheguei aqui. No meu multiverso todas as figuras importantes eram humanas, não monstros, imagine minha surpresa ao descobrir que o comum são versões monstros de todos que conheço, e humanos como eu na verdade são extremamente raros.

- Nada... me fale mais sobre ele. – Pediu Killer, nem um pouco interessado no drama de seu companheiro.

- Não há muito o que dizer infelizmente, eu mesmo nunca o vi pessoalmente, apenas ouvi diversos relatos sobre. O que eu sei é que ele tem um estranho fanatismo em destruir multiversos que tiveram seu equilíbrio quebrado, além do fato que sua mera presença é assustadora e muitos correm apenas ao vê-lo a distância. Mas não me pergunte sobre suas origens, estou aqui por algum tempo considerável e nunca ouvi falar quem ele era exatamente ou de onde veio.

- Mas por que ele destruiu o meu multiverso? Eu finalmente consegui o queria depois de tanto esforço, por que ele estragou tudo?! – O sentimento de paralisia causado pelo medo ao estar diante daquele ser ainda era uma memória fresca em sua mente, mas Killer lutou contra esse sentimento.

- Você não parece ser muito inteligente, você é mesmo uma versão minha? Eu acabei de lhe falar o porquê, o balanço do seu multiverso foi quebrado e o julgamento do Nada ocorreu. Muitos multiversos foram dizimados por escolhas erradas de seus guardiões, você só tem a si mesmo a se culpar já que pelo visto contribuiu para esse final. E a propósito, já é a segunda vez que você diz que seu multiverso estava perfeito antes dele desaparecer, o que aconteceu exatamente?

- E por que você se importa?

- Eu não me importo, mas não há a muito o que fazer aqui além de escutar histórias trágicas e dar risada de outros sentindo pena de si mesmos.

Ouvindo essas palavras, um corte na horizontal em direção ao humano foi efetuado, mas o mesmo foi rápido em bloqueá-lo com sua própria lâmina. As cenas seguintes podem ser resumidas em dois corpos trocando golpes de facas em meio a diversas árvores, sendo que a cada corte acertado, este era curado antes que o próximo fosse desferido. Esta cena permaneceu durante alguns minutos.

- Você não é ruim, mas como pensei é chato se o dano não é permanente, e a falta de magia não ajuda. – Comentou o esqueleto da dupla.

- Digo o mesmo, mas foi divertido, é como lutar contra seu próprio reflexo, devíamos fazer isso mais vezes. – Disse o humano entre gargalhadas, fazendo Killer perceber o quão desagradável era sua própria personalidade. Não que ele fosse mudar por causa disso. – Mas sério, o que houve com seu multiverso exatamente? Não é como se você tivesse algo melhor pra fazer.

- Ha... se eu tivesse que resumir, eu apenas diria que eu e o chefe conseguimos matar todos eles. Nossos inimigos, um falso salvador, um saco de lixo sorridente e um traidor. E até mesmo os indignos de servir meu rei como falsos companheiros e um idiota que tentou engolir mais do que conseguia morder. Nós nos livramos de todos eles, o multiverso era nosso... até este tal de Nada de aparecer e estragar tudo. – Neste ponto do relato, sua versão humana apenas lhe encarava com um olhar de suspeita nos olhos. – O que foi?

- Seu Nightmare te fodia, não é?

- Mas que porra? De onde você tirou isso? – Com um berro devido ao susto, os globos oculares de Killer saltariam para fora caso ele tivesse algum.

- Príncipes da escuridão tendo relações com seus subordinados é mais comum do que você imagina, principalmente com outras versões nossas. Tem apenas nós dois aqui então pode admitir, você era o passivo da relação, não é? – Com suas mãos, o Killer humano fazia gestos obscenos. Mas devido a esta última fala, uma faca foi pressionada contra seu pescoço.

- Eu NÃO tive esse tipo de relação com ele. Eu respeitava seu poder, pois assim são as coisas desde que conheci Chara, o mais forte sobrevive e o mais fraco morre, simples assim. Nossa relação nunca chegou e nunca chegaria nesse ponto. – Com um tom de voz firme e um olhar determinado, o humano do grupo ficou surpreso com a resposta.

- Entendi, perdão por fazer essa suposição. Pode abaixar a faca agora? Não é como se fosse funcionar de qualquer maneira. – Com um suspiro, Killer apenas obedeceu e a dupla voltou a caminhar silenciosamente. Até a versão humana de Killer resolver a retornar o assunto constrangedor.

- É sério, você ficaria surpreso com o tanto de versões nossas que adoram ficar de quatro pra aquele cara. Eu até já ouvi uma história uma vez sobre... –

- Pelas estrelas cale a boca. Eu sempre sou tão irritante assim pra todo mundo a minha volta? – Disse Killer enquanto tentava puxar seus cabelos inexistentes. O que apenas resultou em uma risada alta de seu companheiro. – Vamos mudar de assunto, agora é sua vez de falar, o que houve com o seu multiverso? Pelo o que você disse não foi o Nada que destruiu seu multiverso, então como ele deixou de existir?

- Vendo sua fascinação por Nightmare, você não acreditaria e não acho que gostaria de saber.

- Não é como se eu tivesse algo melhor para fazer, então desembucha antes que eu arranque as palavras da sua boca.

- Tá, tá... eu matei meu Nightmare e isso desencadeou uma série de eventos que também levaram a morte de Dream, feliz agora? – Ouvindo isso, os passos de Killer pararam.

- Você o que? – Disse uma voz tão fria quanto um tumulo.

- Eu disse que você não gostaria de ouvir, considerando que você parece ser o fã Nº 1 daquele cara.

- Você também matou o Dream?

- Não... como poderia? Eu a amava. – Um surpreendente olhar triste pode ser avistado no rosto do humano, mesmo em sua condição que o impedia de sentir emoções reais, um certo carinho podia ser encontrado em seus olhos negros, semelhante a maneira como até mesmo um Chara sem emoções também conseguia demonstrar afeto a sua maneira.

Mas nada disso importava quando um soco de uma mão esquelética acertou o rosto humano e o fez sair voando por alguns metros.

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