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❥01 -compromisso

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Sonolenta entre o mar de cobertores você tenta voltar a dormir, mas uma brecha na persiana faz com que a claridade entre no quarto tirando totalmente seu sono. Mesmo um pouco relutante, você abre seus olhos e consegue ver os respingos da garoa fina batendo na janela. Está chovendo. Você levanta seu corpo cansado e vai para o banheiro escovar os dentes e assim que termina vai até a tomada checar o celular que está conectado ao cabo. Você pressiona o botão lateral do aparelho, mas ele não dá sinal algum, quando olha para baixo então percebe que o celular está descarregado.  Apesar de ter ficado ali a noite toda, ele não carregou já que o fio está com mau contato. 

— Mais que MERDA! - Você pragueja caindo em si.

Percebendo que não faz ideia de que horas são, você começa a correr.

Veste um moletom por cima do pijama e pega um jeans que está no chão da sala, ele está com o zíper quebrado, mas o moletom é grande o suficiente para cobrir o defeito. Pega sua mochila, seu tênis, e o carregador e o celular, então sai pela porta segurando tudo que está prestes a cair.

São exatos 7 quarteirões até Universidade Corrigan onde você está no seu segundo ano. Enquanto corre feito maluca e atravessa fora da faixa, pensa na cara feia que Adela deve estar fazendo nesse exato momento esperando no meio da garoa. Você desvia um pouco do caminho e faz uma parada no Stradford's café, torcendo para que um donut e um expresso ajude a amansar a fera.

Assim que chega na entrada, lá está ela, exatamente como imaginou, braços cruzados e com cara mais amarrada de todos os tempos. Mas você não pode culpa-lá, uma das várias coisas que sua melhor amiga odiava eram hippies, pessoas que tocam no cabelo dela sem permissão e atrasos. Deus, como ela odeia atrasos.

Você se aproxima erguendo o saquinho com o donut e o expresso antes que diga alguma coisa, ela fala disparado

— Onde você estava? Eu liguei, Mandei mil mensagens, você sabe que horas são?— Adela gesticula furiosa

— Meu celular morreu, foi mal. - sua justificativa não surte efeito, então faz outra tentativa—donut?

A garota te encara com desconfiança, e por alguns segundos você não sabe se ela vai te matar ou de abraçar. Quando menos espera, ela arranca o saquinho de papel de sua mão.

— É bom ter acertado o sabor. — Adela ameaça com um sorriso sarcástico.

Vocês duas riem enquanto correm para dentro do prédio fugindo da garoa fria.

Vocês sobem as escadarias, as pressas, seus pulmões queimam, implorando por uma pausa, mas Adela não para.

Quando finalmente chegam ao corredor, Roman Godfrey está parado junto a porta lendo uma edição de rara e envelhecida de “o corvo” por Edgar Allan Poe.  seus olhares de cruzam e você revira.  Você passa por ele o ignorando totalmente e ele entra logo depois de você com um sorrisinho diabólico.

Cruel, Complicated And WrongHistórias para pegar e não largar. Descubra agora